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Divórcio grisalho ou cinza

Hoje em dia está recorrente o chamado divórcio grisalho ou cinza, que nada  mais é do que o rompimento do matrimonio do casal  em que os cônjuges  estão  na  faixa etária dos 50, 60 anos de idade.

As pessoas estão vivendo mais e aquele que era antes chamado de “velho” hoje já não é mais, e por certo tem muito o  que viver ainda. É clara a redução crescente de vínculos conjugais longos em paralelo ao envelhecimento da  população.

A combinação de traços que caracterizam a sociedade moderna como o individualismo e a descartabilidade, unidos com a alta expectativa de vida e com a emancipação feminina, fazem com que a taxa da separação tardia esteja vivendo um movimento crescente.

Oportuno lembrar que neste cenário temos: um casal já maduro em  idade, cônjuges saudáveis ou não, muitas vezes com  situação patrimonial  consolidada  ou não  e  que tomou  a decisão de seguir  cada um sua vida sozinho, os filhos que já saíram de casa pelo desenvolvimento natural da vida e,  por fim,     os  profissionais de direito que irão trabalhar esta situação operacionalizando esse  divórcio.  Especialmente quando envolver  pessoas com mais de 60 anos de idade, o operador do direito tem que ter atenção e cuidado ao propor e conduzir as bases desse divórcio.

É importante observar: o tempo de vida em comum do casal, a idade de cada um, estado de saúde de ambos, se há situação de dependência financeira de um para com o outro, quem irá precisar de mais cuidados decorrentes da idade, verificar como fica  moradia e subsistência individual de cada um dos cônjuges e,  por fim, mostrar habilidades no trato de cada questão que envolve a ação de divórcio, posto que poderá está diante de pessoas bastante fragilizadas emocionalmente e, pela própria  idade, de uma situação que poderá exigir envolvimento de familiares. 

Saliente-se que, diante de situação irreconciliável, é importante deixar o casal esclarecido nas situações de divórcio  da necessidade, por prudência, de se resolver todas as questões que permeiam um divórcio, especialmente as relativas a patrimônio, porque isso pontua uma fase da vida para iniciar-se outra individualmente sem riscos de prejuízos futuros.

Elvira Frota é advogada militante

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