Economia

Diversificação da carteira de investimentos é alternativa para quem está começando

A tecnologia ajudou a popularizar os investimentos, deixando-os mais acessíveis a diferentes públicos. Segundo especialistas de mercado, para quem está começando a investir, diversificar a carteira pode ser um bom ponto de partida

Lucas Braga 

economia@ootimista.com.br

Aplicações em fundos imobiliários, fundos cambiais, fundos multimercado ou mesmo as muitas possibilidades de renda fixa podem formar as carteiras de investidores que ainda não se sentem atraídos ou seguros no mundo das ações.
“Fundos de investimentos e fundos de ações estão disponíveis para diferentes gostos. São mais rentáveis que a poupança”, aponta Gabriel Carneiro, especialista em investimentos da Aveiro Consultoria. “Recomendo bastante porque as pessoas que não têm muito conhecimento ou tempo aplicam num fundo e deixa a gestora tomar decisões por você, com profissionais capacitados”.
Raul Aragão, mestre em Economia pela Universidade Federal do Ceará e diretor da CDP Capital, recomenda a diversificação da carteira. Ele menciona as grandes empresas captando fundos via debêntures e fundos multimercado como boas possibilidades.
“Os bancos captam via LCI, LCA e CDB. São tipos conservadores e menos atrativos, pela rentabilidade baixa, mas necessários para a carteira de qualquer investidor, pela baixa oscilação e alta liquidez. Todos precisamos ter capital de emergência para qualquer eventualidade”, diz. Os títulos do Tesouro Direto também são possibilidades em substituição à poupança.
Seja Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), de tipos prefixados, atrelados à inflação ou pós-fixados, eles podem ser assessorados pelo gerente bancário ou compor carteira sugerida por assessorias como XP, BTG Pactual ou Órama, por exemplo.
Ao contrário do mercado de ações, que têm custos de operação, com corretagem e emolumentos, os investimentos em renda fixa podem começar com R$ 30, por exemplo. Os investimentos no exterior também estão em alta, como lembra Gabriel. “Com o alto risco na moeda brasileira, investidores também podem optar por aplicar em moedas fortes, com menos volatilidade”, conclui.
A tecnologia ajudou a popularizar os investimentos. Até os mais modestos perfis têm hoje acesso a melhores produtos e fundos bem geridos, sem contar a negociação de ativos com mais velocidade e controle. Educadores financeiros independentes ofertam conteúdo no YouTube e várias outras plataformas na internet. Importante é se identificar com a metodologia.
Dados da B3, a bolsa de valores oficial do Brasil, apontam que o número de investidores pessoas físicas chegou a 2,9 milhões em agosto deste ano, somando R$ 383 bilhões, um aumento de 73% em relação a 2019, quando estava em 1,68 milhão. E houve transformações no rosto do investidor em ações, com a parcela de pessoas entre 25 e 39 anos subindo de 28% para 49%, entre 2017 e 2020.
Destaque ainda para as pessoas de até 24 anos, que representam mais de 10% da base de investidores. Em 2016 e 2017, esse grupo respondia pela fatia de apenas 1% da base, sendo inexistente nos anos anteriores.

Mulheres em alta
Aproximadamente 75% dos investidores no mercado de capitais são homens, mas segundo a B3, em agosto, o número de mulheres com conta aberta era de 742.719, um crescimento de 91% em comparação a dezembro, considerando pessoas físicas. Em relação a julho, são 6% a mais.
Uma delas é a médica Thaciana Sakamoto, que procurou planejador financeiro há seis anos e iniciou investimentos em renda fixa, mais precisamente no Tesouro Direto porque a poupança já não era atrativa.
“Há dois anos vi que a rentabilidade não era tão interessante e comecei a investir na bolsa, mas mantive algumas alocações no Tesouro por ser mais seguro e menos volátil. Não fiz uma migração total para ações e nem faço investimentos altos. Na bolsa, de um dia para o outro, com uma notícia, você pode ter altas perdas de capital. É complicado”.
Thaciana continua sendo assessorada por corretora e aceita sugestões de aplicações, além de acompanhar sites de informações confiáveis pelo mercado. “Os resultados têm sido satisfatórios, porque tenho carteira variada e planejamento minucioso. Mas em ações, espero resultado a longo prazo”, conta ela, que adere ainda a fundos multimercado e debêntures.

IPOs: oferta de ações aquecida em 2020

Quarenta e oito companhias têm oferta inicial de ações em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O número de empresas na fila para abrir capital na Bolsa de Valores brasileira (B3) em dezembro era apenas quatro. O salto é justificado pela alta liquidez e contínuas quedas na taxa básica de juros – atualmente na mínima histórica de 2% ao ano.
O recorde brasileiro do maior número de IPOs ainda está com 2007, quando aconteceram 64 entradas, somando R$ 55,6 bilhões. 2020 já está na terceira posição, com 12 estreias, totalizando R$ 8,8 bilhões. O maior IPO do ano até agora foi o da varejista Petz, que entrou na B3 levantando R$ 3,03 bilhões. Ao final do pregão, os papéis da companhia fecharam em alta de 21,3%, cotados a R$ 16,75.
Já em ofertas subsequentes (Follow Ons), 13 companhias captaram recursos este ano, com volume superior a R$ 46 bilhões. Em 2019, o volume registrado foi de R$ 90 bilhões, se somados os 5 IPOs e as 37 ofertas subsequentes.
A redução na Selic, porém, não é inteiramente repassada por bancos na concessão de crédito, o que pode tornar o IPO uma maneira mais barata de as empresas levantarem capital em um momento de crise, especialmente com o mercado em alta.

Liquidez
A Bolsa foi beneficiada por uma injeção massiva de liquidez pelos principais bancos centrais do mundo, que compraram um volume recorde de títulos no mercado, colocando dinheiro na mão dos bancos, fundos de investimentos e gestoras de patrimônio para reduzir os efeitos econômicos do coronavírus. Com juro próximo de zero nas principais economias do mundo, ações receberam boa parte desses recursos.
Entre os principais destaques nos pedidos de IPO até o momento estão as empresas do setor de construção, que respondem por 40% dos pedidos em análise na CVM. Só a incorporadora e construtora Cyrela vai levar três de suas subsidiárias à Bolsa: Cury, Lavvi e Plano & Plano. No acumulado do ano, Cyrela e sua concorrente MRV se desvalorizam 20% cada uma, na Bolsa.
Presidente do Banco Plural e da Genial Investimentos, Rodolfo Riechert aponta que o juro baixo impulsionou o setor, barateando o custo do financiamento imobiliário. “Já tem muita empresa brasileira listada nesse setor. Ter 18 ofertas é totalmente fora de propósito. A Bolsa agora vira Bolsa de construtora de bairro”.
Outros setores em evidência são varejo – que lidera os ganhos do Ibovespa neste ano – e óleo e gás. (com Folhapress)

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