Economia

Desafios macroeconômicos estarão na pauta das novas gestões da Câmara e do Senado em Brasília

Especialistas da área econômica apontam para a necessidade de um bom diálogo entre o Executivo e o Legislativo, além da habilidade para lidar com as consequências da pandemia e a aceleração das vacinas

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

Presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Camara, Arthur Lira, durante sessão de abertura do ano legislativo (foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A renovação do comando das mesas da Câmara e do Senado traz um misto de confiança pelo andamento das reformas, mas um receio pelo tamanho dos desafios econômicos a serem enfrentados pelo país.
Na visão dos analistas de mercado, de um lado fica a possibilidade de um relacionamento mais fluido entre os poderes executivo e legislativo, o que pode beneficiar o encaminhamento de pautas há muito esperadas; por outro lado, há a necessidade de grande dose de habilidade para conduzir os dilemas por que macroeconômicos em tempos de pandemia.
“A expectativa é que com a nova formação exista a possibilidade de dar andamento nas pautas econômicas, seja na reforma administrativa, seja na reforma tributária. A dificuldade é saber como o governo vai lidar com essa nova formação da mesa, porque as anteriores tinham um pensamento parecido com o grupo atual, e o governo não demonstrava capacidade de articulação para efetivamente fazer as pautas andarem”, analisa Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).
Para Ricardo Eleutério, professor de Economia da Universidade de Fortaleza (Unifor) e conselheiro do Corecon-CE, acima do relacionamento entre as casas legislativas e o Executivo está a situação preocupante da economia nacional. “Nossa economia se encontra pior do que antes do início da pandemia: temos uma inflação maior, o déficit e a dívida pública cresceram, as taxas de desemprego estão elevadas e o volume de investimentos é menor do que há cerca de um ano. A curto, médio e longo prazo nossos desafios se tornaram mais elevados”, analisa. O fato de a política fiscal depender da apreciação do Congresso é um dos pontos mais delicados na nova configuração do poder legislativo, na visão de Ricardo Eleutério. “Desde o final do primeiro governo Dilma estamos vendo uma deterioração no quadro fiscal do país. Tivemos alguns ajustes, mas o desequilíbrio cresceu, nos últimos anos, e aumentou com a pandemia”, observa o economista. “O dilema está muito presente: se o país vai buscar o equilíbrio fiscal, tem que cortar gastos públicos e aumentar a receita, o que, por outro lado, põe um freio na economia porque significaria a criação de impostos”, aponta.
Para Ricardo Coimbra, a gestão dos efeitos econômicos da pandemia traz desafios adicionais para os novos comandantes da Câmara e do Senado. “O maior entrave está em juntar os interesses do governo, o andamento das pautas, com os problemas relacionados à pandemia. Para a volta do auxílio emergencial é preciso alguma nova fonte de receitas, o que significa a criação de um instrumento como a CPMF, o que pode não ser interessante para os parlamentares, pensando no processo eleitoral do ano que vem”, observa o presidente do Corecon-CE. “A questão vai ser conciliar a aprovação relativamente fácil do auxílio emergencial com a dificuldade de aprovação daquilo que vai trazer a capacidade do pagamento do auxílio”, completa.
Na visão de Ricardo Coimbra, a renovação do comando das casas legislativas pode ser a oportunidade para discussões mais amplas e estruturais. “É preciso repensar os gastos, principalmente no custeio da máquina pública. E uma reforma tributária e fiscal, gerando a possibilidade de um maior pagamento de impostos para aqueles que ganham mais, dando condições de um programa efetivo de distribuição de renda”, aponta o presidente do Corecon-CE.

Acelerar vacinação significa retomada mais rápida, dizem especialistas

Outro ponto comum na avaliação dos analistas é a necessidade de que os novos dirigentes do Congresso e do Senado promovam esforços para acelerar o ritmo de vacinação da população do país contra a covid-19. “A imunização é fundamental para recuperarmos as atividades econômicas no Brasil. As novas mesas da Câmara e do Senado podem pressionar por mais recursos, não só para a produção mas para a aquisição de mais vacinas”, projeta Ricardo Coimbra.
“É possível que com essa nova configuração das casas legislativas ocorra um relacionamento menos conflituoso com os países produtores de vacinas. Essa aproximação pode ajudar muito no processo de retomada da economia”, avalia.

Risco
“O risco sanitário permanece. Quanto mais houver negligência e falta de competência do país na gestão da pandemia e da vacinação, mais a economia vai sofrer. Haja vista que estamos lidando com novas variantes do vírus e estão sendo feitos novos decretos governamentais, com restrições para o funcionamento de estabelecimentos comerciais, além do receio de um novo lockdown em algumas regiões. São elementos que podem conter o ritmo das atividades produtivas. Posturas negacionistas tendem a levar a um agravamento do problema econômico, que pode gerar novos riscos políticos”, afirma Ricardo Eleutério.

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