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Deputados acreditam que AL terá “recesso branco” mesmo com sessões remotas

Renato Sousa

rsousa@ootimista.com.br

As sessões remotas – adotadas pelas Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE) como forma de evitar a propagação do novo coronavírus, responsável pela covid-19 – podem evitar um “recesso branco” no Parlamento estadual nas eleições municipais deste ano? Bem, não conte com isso. Deputados estaduais ouvidos pelo O Otimista divergiram sobre o tema. Há quem acredite que será possível seguir com os trabalhos mesmo no período eleitoral. Outros, entretanto, têm suas dúvidas e defendem que o recesso é necessário mesmo com a possibilidade aberta pela tecnologia.

O presidente da Casa, José Sarto (PDT), trabalha com o cenário de suspensão dos trabalhos na AL-CE às vésperas do período eleitoral. “As eleições municipais vão impactar, como o fazem historicamente”, declarou o parlamentar no mês passado, na sessão que marcou o retorno dos trabalhos presenciais na Casa. “Cada deputado, mesmo que não seja candidato, tem interesse em apoiar seus projetos políticos”, disse Sarto, ele próprio buscando indicação do partido para concorrer a prefeito de Fortaleza.

A distância sempre foi a razão para a diminuição no ritmo da Casa em período eleitoral. Grande parte dos deputados da Casa desenvolvem sua militância longe de Fortaleza, onde fica a sede da AL-CE, o que inviabilizava que eles participassem das sessões em meio ao ritmo da campanha, muitas vezes, há centenas de quilômetros da Capital. Agora, o distanciamento social – que pode impedir atividades como caminhadas e comícios e fortalecer a campanha nas redes sociais – e as sessões virtuais poderiam trazer um novo ritmo aos trabalhos, permitindo que os trabalhos da Casa prossigam em meio ao pleito.

É nisso que acredita Sérgio Aguiar (PDT). “Acho que vamos considerar desnecessário que haja qualquer paralisação”, diz o deputado. Segundo ele, ao longo dos 120 dias sem sessões presenciais, os deputados estaduais foram forçados a aprender como conduzir um mandato a distância. E, agora, isso pode ser transposto ao período eleitoral.

Contato presencial

Entre os ouvidos pela reportagem, ele está sozinho. Nesses 120 dias, Nelinho (PSDB), pré-candidato a prefeito de Juazeiro do Norte, aprendeu como conduzir um mandato a distância. E também que isso não chega nem perto do trabalho presencial. “Presencialmente é bem melhor. O aproveitamento é melhor, temos condições de desenvolver melhor o trabalho”, diz. Para ele, as condições do trabalho remoto estão longe do ideal e, por isso, ele prefere que haja o recesso branco.

Quem também advoga pelo recesso branco é Marcos Sobreira (PDT). Segundo ele, os ritmos de trabalho na AL-CE têm sido até tranquilos, já que, no novo normal, as sessões presenciais têm ocorrido apenas às quintas-feiras, diferentemente do período pré-pandemia, quando elas aconteciam de terça a sexta-feira. O pedetista, porém, defende a suspensão das sessões. E o motivo é político. De acordo com Sobreira, conforme a eleição se aproxima, o clima esquenta. Por isso, uma suspensão das sessões as vésperas da ida às urnas é importante para evitar que o debate eleitoral invada o plenário. “No último mês, não tem quem controle, mesmo com pedidos da Presidência”, diz o parlamentar.

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