Economia

Controle da pandemia vai trazer estabilidade para o câmbio em 2021

Sucesso na vacinação e aumento da confiança dos investidores serão fundamentais para evitar sobressaltos no preço do dólar em 2021. Fatores externos também contribuíram para as oscilações neste ano

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

 (Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress)

Imagine os seguintes cenários: cenário 1: população brasileira vacinada contra a Covid-19, pandemia controlada e mercados reaquecidos. Cenário 2: tentativas de imunização não surtem o efeito esperado, números da doença voltam a crescer e economia estagnada por mais um ano. Esses panoramas bem distintos podem determinar o comportamento do câmbio nacional em 2021.
De acordo com analistas, o controle da pandemia é fundamental para evitar sobressaltos na cotação do dólar no próximo ano. “O câmbio deverá ter estabilidade, talvez redução para um patamar de equilíbrio, desde que a pandemia seja controlada e a imunização tenha sucesso. Caso contrário, é provável que as incertezas tragam novos solavancos, o que é muito danoso, pois atrapalha os investimentos, o consumo e o fluxo de capitais”, descreve Lauro Chaves Neto, Conselheiro Federal de Economia, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e assessor econômico da Federação das Indústrias do Estado do Ceara (Fiec).
De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central no último dia 14, a cotação do dólar para o final de 2020 está em R$ 5,20 – há algumas semanas era de R$ 5,22. Para 2021, o BC baixou a cotação de R$ 5,10 para R$ 5,03.

Fatores internos e externos
Para Ricardo Coimbra, Presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), as incertezas provocadas pela pandemia influenciaram no valor do dólar este ano, mas houve outros fatores.
“Tivemos um forte crescimento do câmbio, não só em função da covid, mas também da política monetária dos Estados Unidos, por motivo das eleições presidenciais americanas, e das dificuldades do governo brasileiro com o Congresso na negociação das reformas administrativa e fiscal”, resume o economista. “Houve outros problemas, como as disputas comerciais do governo Trump com a China. Tudo isso gerou forte instabilidade do câmbio”, analisa.
Diante de um ano tão atípico, Lauro Chaves Neto aponta o grande fluxo de capitais como outro fator determinante da instabilidade do câmbio no país. “Tivemos um movimento inicial de incerteza, de saída de recursos do Brasil, que foram buscar locais mais conservadores e seguros, princiamente Estados Unidos e Alemanha”, observa o economista, apontando alguma recuperação nesse cenário. “Nos últimos meses, houve um ingresso muito forte de investimento estrangeiro no mercado de ações brasileiro, o que sinaliza de forma positiva essa relação internacional para 2021”, projeta.

Estabilidade
Para 2021, Ricardo Coimbra estima o câmbio em um patamar abaixo de R$ 5, se houver novos direcionamentos da política monetária americana, o crescimento das vacinações, o fim dos auxílios emergenciais e o andamento das reformas do governo. “Tudo isso pode trazer uma perspectiva de crescimento da economia e ajudar no controle inflacionário, gerando equilíbrio entre o que se importa e exporta, melhorando a oferta de bens no mercado interno”, analisa Ricardo Coimbra.
Lauro Chaves Neto observa que a influência do preço do dólar na economia vai além das importações e exportações. “A oscilação do câmbio impacta nos preços no mercado interno, principalmente dos alimentos, como arroz, carne, frango e soja, pois com mais exportação, diminuiu a oferta de produtos”, argumenta. “Outro item influenciado é o preço dos combustíveis, que, se estiverem mais caros elevam o custo do transporte, porque a logística no Brasil é basicamente rodoviária”, analisa.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS