Economia

Como será o mercado em 2021?

Relatório do Instituto Mastercard de Economia aponta tendências para os novos comportamentos do consumidor, o comércio eletrônico, o turismo e as políticas econômicas. Estudo tenta ajudar governos e empresas a se recuperarem após os desafios do ano passado

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


Antes mesmo de completar um ano, a pandemia do novo coronavírus trouxe consequências para diversos setores da economia, com reflexos duramente sentidos em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil.
De acordo com os analistas, algumas mudanças de paradigma podem ser permanentes – especialmente quando se trata de novos comportamentos do consumidor, do comércio eletrônico, do turismo e das políticas econômicas. Nesses quesitos, há tendências que vão influenciar diretamente a economia em 2021.
Essa foi a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto Mastercard de Economia, o “Global Outlook 2021”, relatório feito por cientistas de dados e economistas, que avaliaram os principais indicadores econômicos para este ano, com o propósito de ajudar governos e empresas a se recuperarem após os desafios do ano que passou. “2020 nos colocou à prova. Nós nos tornamos mais caseiros e, principalmente, mais digitais. Houve um impulso digital espetacular e vimos um alto nível de resistência de pequenas empresas, consumidores e legisladores que queriam se manter no caminho certo. Já em 2021, esperamos uma recuperação gradual – mas desigual, e marcada pelos benefícios da adoção de experiências digitais e de menor contato”, resume Brickiln Dwyer, economista-chefe da Mastercard.

Desafios econômicos
O relatório traz perspectivas para todos os continentes, incluindo a região da América Latina e do Caribe, onde o Brasil deve continuar tendo protagonismo, mas tem desafios a superar, como o déficit público. “Em relação a programas de estímulo e recuperação do mercado, é provável que se pense em algum tipo de política pública, mas é difícil para um governo que já tem um déficit previsto de R$ 250 bilhões para esse ano, fazer alguma movimentação. Poderemos ter algum programa relacionado à Bolsa Família, a reedição de alguma política de manutenção do emprego ou de estímulo ao empreendedorismo. Mas o governo precisaria ter caixa adicional, o que se torna mais complexo levando em conta a falta de apoio no Congresso”, analisa o economista Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).
Para o economista Paulo Roberto Kuhn, a dívida pública é um risco para a economia, mas a questão maior relativa ao mercado é o risco político. “O governo não consegue se movimentar, tanto pelo espaço político que não possui, como pelo tamanho que o Estado tem, desproporcional ao que entrega para a população. Faltam as condições para se fazer as reformas administrativa e fiscal, que estão relacionadas. Em algum momento, vai se perceber que não será mais possível sustentar uma dívida pública tão alta”, completa.

Comércio eletrônico
De acordo com o relatório Mastercard, de 20% a 30% das mudanças relacionadas à pandemia no e-commerce serão permanentes. Para os analistas, a intensificação do comércio eletrônico é um movimento sem volta. “Parte significativa dos consumidores observou que é mais interessante, mais prático e de custo semelhante a aquisição de produtos pelo meio digital. Também é vantajosa a possibilidade de pesquisar em diversas plataformas para encontrar o melhor preço”, analisa Ricardo Coimbra.
“Quando o consumidor compara a loja física com a digital, percebe que também há custos no deslocamento para fazer a compra. Por isso, outro aspecto positivo do comércio digital é a praticidade de receber os produtos em casa. Por esses aspectos, o segmento tem um grande potencial para crescer”, projeta o economista Paulo Roberto Kuhn.

Tendências para a economia em 2021

Pontos de atenção para o Brasil e a América Latina neste ano

Comportamento do consumidor 

O cliente estará cada vez mais seletivo, dado o aumento dos preços dos alimentos. Aliado ao fim do auxílio emergencial e aos agressivos cortes nas taxas de juros no Brasil, o cenário representa um desafio para o controle da inflação.

Comércio digital

20% a 30% das mudanças relacionadas à pandemia para o e-commerce serão permanentes. A adoção de produtos e serviços financeiros via canais digitais deve continuar crescendo nas classes de baixa renda.

Turismo

Com as restrições nos voos, a queda do turismo internacional deve pesar sobre o mercado brasileiro, o que deve ser notado já nas comemorações do Carnaval. A tendência é o crescimento do turismo interno e a valorização do ecoturismo.

Políticas econômicas

A capacidade de uma economia de continuar se recuperando dependerá muito de o governo fornecer estímulos fiscais enquanto busca sanar a dívida pública. Sinal de alerta para o país.

Fonte: relatório Global Outlook 2021, do Instituto Mastercard de Economia

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