Economia

Comércio eletrônico será um dos mais beneficiados com a estreia do Pix

O sistema já está disponível a todas as pessoas físicas e jurídicas com conta em banco (seja corrente, poupança ou conta de pagamento pré-paga). Segundo o Banco Central, o Pix poderá viabilizar pequenos negócios

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br

Agência Brasil

O sistema de pagamento instantâneo Pix, que entrou em funcionamento pleno ontem (16), deverá beneficiar o comércio eletrônico, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-CE), Luiz Antonio Trotta Miranda. “Um dos grandes beneficiários desse método de pagamento será o de vendas pela Internet. Agora, não será mais necessário pagar boletos e esperar compensar, para depois enviar a mercadoria. A transação será imediata”, comenta.
Segundo ele, todas as pessoas físicas e jurídicas com conta em banco (seja corrente, poupança ou conta de pagamento pré-paga) já podem fazer transferências pelo novo sistema, o qual funciona 24 horas, em todos os dias da semana, inclusive feriados. O serviço é gratuito para clientes pessoa física e microempreendedores individuais (MEI).
Clientes de 734 instituições financeiras já estão com o Pix disponível. Desde o dia 5 de outubro, elas estão fazendo o cadastro das chaves de identificação da conta, para receber pagamentos e transferências em até dez segundos, como promete o Banco Central (BC). A fase restrita de operação ocorreu de 3 a 15 deste mês, apenas para alguns clientes selecionados pelas instituições financeiras.
O Pix é um “primo” do DOC e TED, e alternativo ao boleto ou até mesmo ao cartão de débito/crédito. Para o presidente do Ibef, o grande desafio do Pix será o processo de aceleração inicial, ou seja, fazer o negócio “pegar”. Já são mais de 72 milhões de chaves cadastradas. “Para o comércio em geral, que usa cartão de crédito, não deverá afetar tanto, mas a transação de recursos físicos irá diminuir sensivelmente. Inicialmente, o Pix deverá tomar espaço do TED, DOC, cartão de débito, boletos à vista e transações em dinheiro”, completa.

Pequenos negócios
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o Pix poderá viabilizar pequenos negócios. “O Pix dá amplo acesso a todos, gera viabilidade. Precisamos lembrar que há cidades que não têm ATM [caixa eletrônico] ou agências e a pessoa que tem uma lojinha precisa ir à outra cidade depositar dinheiro”, pontuou.
A expectativa é que o novo sistema tenha a preferência dos empresários – principalmente micro, pequenos e médios negócios – diante da redução de custos e do rápido dinheiro em caixa. “Vamos passar a registrar ativos em ambiente eletrônico, no processo que chamamos de tokenização, isso faz com que o acesso seja mais fácil e elimina intermediário em vários processos de venda”, destacou Campos Neto.
“O que tem se falado, de forma geral, é que será um método inovador e que abrirá novas possibilidades futuras de transações, até mesmo vendas parceladas”, comentou Luiz Trotta, sobre a expectativa do empresariado cearense. Levantamento feito pela fintech Zoop em parceria com a FGV apontou que 64,1% das pequenas e médias empresas dizem estar preparadas para operar com o novo sistema. Agora, é esperar pela adesão do público. Mais da metade (52,2%) dos entrevistados da pesquisa afirmou que a adesão se dará entre os consumidores mais jovens, de até 30 anos. “Apesar de o Pix já entrar mais acelerado por causa da pandemia, as pessoas ainda precisarão se acostumar a trabalhar com ele”, disse o presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun. (com agências)

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