Economia

Clientes e empresários estão na expectativa pelo Pix

Nova ferramenta digital de pagamentos e transferências entra em pleno funcionamento no próximo dia 16, com a promessa de vantagens e facilidades para os usuários

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


À frente da confeitaria MariMari Guloseimas, o empresário Igor Weyne atende a uma grande variedade de clientes. Ele próprio literalmente põe a mão na massa e prepara alguns dos quitutes servidos na loja, localizada no bairro Cocó, em Fortaleza.
A satisfação pelo trabalho só é abalada quando ele precisa realizar certos tipos de pagamento. “É uma dificuldade quando precisamos fazer uma TED urgente, mas o sistema interbancário fica indisponível. Isso gera atrasos e acabamos tendo que pagar a mesma tarifa por uma transação que deveria se dar em poucos minutos”, relata.
Essa mesma dificuldade faz parte do cotidiano de muitas pessoas, que por vezes precisam esperar horas ou dias para finalizar uma transferência ou um pagamento. Isso deve acabar com a entrada em funcionamento do Pix, nova ferramenta digital elaborada pelo Banco Central, disponível para os clientes a partir do próximo dia 16. Graças ao Pix, pagamentos como os que Igor Weyne precisa fazer vão durar poucos segundos. “A gente decidiu se cadastrar no Pix porque buscamos agilidade nas transações. Minha loja tem bastante movimento e quanto mais ágil for a transação, melhor. Evitamos o tempo de transação por maquininha e as filas”, detalha o empresário.
Para quem ainda não fez o cadastramento da chave Pix, o procedimento é simples: basta acessar a conta bancária, no aplicativo do celular, clicar no ícone (“cadastre sua chave Pix”) e seguir as instruções, confirmando dados pessoais, da conta e escolhendo a chave (CPF/CNPJ, e-mail ou telefone) que vai identificá-lo. O próprio app confirma quando o procedimento for efetuado com sucesso.
“Obviamente a população vai começar a se familiarizar com o produto a partir do momento que ele estiver no ar. É igual à versão nova de um aplicativo, que o usuário vai utilizando no dia a dia e descobrindo suas funcionalidades”, explica Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Até a metade do mês de outubro, o Banco Central registrou o cadastro de 33,7 milhões de chaves no Pix, e até o final do ano cerca de mil instituições financeiras devem estar autorizadas a operacionalizar a ferramenta.
Apesar da grande aceitação inicial, a adaptação do mercado à nova ferramenta deve ser gradual. “Tivemos a primeira onda de cadastramentos, mas algumas pessoas ainda não estão entendendo bem o funcionamento. Além disso, houve maior adesão dos bancos digitais em comparação com os bancos tradicionais. A adoção vai ser por fases, mas com certeza no longo prazo o Pix é uma tecnologia que veio para ficar”, avalia Carlos Terceiro, CEO da Mobills, startup de gestão de finanças pessoais.
A empresa de Carlos Terceiro vai adotar o Pix para seus clientes, com o objetivo de uma gestão financeira pessoal mais assertiva. “O Pix tem o propósito muito grande de substituir o dinheiro vivo, e acaba substituindo também a questão de vender no débito e nos cheques, com mais facilidade e segurança”, observa o empresário.

Maior concorrência entre bancos, dizem especialistas

Pela variedade de vantagens que vai trazer para os consumidores, o Pix deve provocar diversas mudanças no mercado financeiro digital. Uma delas é a maior concorrência entre os bancos e as instituições financeiras. “Isso acaba sendo positivo, pois essa concorrência contribui para baratear alguns serviços e até mesmo a qualidade dos mesmos, pois as empresas passam a dar mais atenção ao usuário para ser a sua instituição oficial para o uso do Pix”, projeta Carlos Terceiro, CEO da Mobills.
Outro segmento que precisará se reinventar é o de máquinas de cartão (de débito e crédito), bastante utilizadas por pequenos empresários e no comércio em geral. Em uma venda feita pelo Pix através do QR Code, por exemplo, o consumidor pode pagar com o celular (ou seja, sem a maquininha), e a operação é processada pelo Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), do Banco Central. Diante disso, o custo da operação se torna menor e mais vantajoso. “O Pix vem para ser mais uma opção de pagamento. O cliente vai decidir a que atende melhor suas necessidades. Mas o consumidor brasileiro tem a característica de assimilar rapidamente as novidades tecnológicas, então esperamos ampla adesão ao Pix”, projeta Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban.

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