Economia

Ceará tem maior alta no país em atividade turística, com 85,4%, segundo IBGE

De julho para agosto, atividades no setor cresceram 85,4% no Estado, que espera potencializar o resultado positivo por conta do selo de segurança global ‘Safe Travels’, que coloca o destino como espaço seguro para o viajante

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br

Com índice de atividade turística mais de quatro vezes acima da média nacional, o Ceará foi o estado brasileiro que, de julho para agosto, apresentou maior aumento de movimentação em relação ao turismo. Enquanto no Brasil a atividade cresceu 19,3% no período, no Ceará o salto foi de 85,4%. Embora o índice não seja suficiente para indicar recuperação das perdas acumuladas ao longo do ano, mostra perspectivas positivas. Para o setor, é sinal de que o turista sente confiança na segurança sanitária local e que o cearense está viajando mais no próprio estado. A ideia é impulsionar esse momento com a conquista do selo de segurança global ‘Safe Travels’, que coloca o destino como espaço seguro para o viajante.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  O indicador nacional apresenta a quarta taxa positiva seguida neste ano, quando acumulou ganho de 63,4%. As 12 unidades da federação onde o indicador apresentou alta na última avaliação de 2020 são, além do Ceará, Bahia (48,4%), Goiás (47,1%), Paraná (28,8%), Minas Gerais (22,9%), São Paulo (15,8%) e Rio de Janeiro (15,0%). Porém, entre março e abril, período mais crítico da pandemia e para o setor de turismo, a perda nacional nas atividades chegou a 68%.

No Ceará, a expansão de 85,4 % em agosto ocorre após queda de 29,2% no mês anterior. O indicador de agosto ainda não recuperou as perdas ao longo deste ano, que somam queda de 44,2% entre janeiro e agosto. Além disso, comparando com agosto de 2019, o volume também é negativo. Somando seis taxas negativas seguidas antes de agosto, a queda é de 49,1%. Segundo o levantamento, os índices negativos (nos primeiros meses de pandemia e na comparação com 2019) se devem às medidas restritivas para evitar maior disseminação do novo coronavírus. O impacto foi motivado principalmente pela paralisação total ou parcial de equipamentos e serviços ligados ao transporte aéreo e rodoviário coletivo de passageiros, restaurantes, agências de viagens, locação de veículos, pousadas e hotéis.

No acumulado do ano, o agregado especial de atividades turísticas caiu 38,8% frente a igual período de 2019, pressionado, sobretudo, pelos ramos de restaurantes, transporte de passageiros, hotelaria, catering, serviços de comida preparada e agências de viagens. Nessa avaliação, o Ceará apresenta a segunda maior queda (44,2%), ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul (45,5%), seguido da Bahia (41,8%), São Paulo (40,4%), Minas Gerais (37,6%), Paraná (37,5%) e Rio de Janeiro (32,1%).

De acordo com a empresária do ramo de hotelaria e presidente do Fortaleza Convention & Visitors Bureau (Visite Ceará), Ivana Bezerra, de março para abril praticamente todos os hotéis fecharam no Ceará. Em julho, 80% reabriram, mas com ocupação muito baixa. Isso porque, no setor, as vendas são programadas, não imediatas, como ocorre, por exemplo, quando uma loja reabre. “O corporativo ainda viaja de última hora, mas essas viagens estavam muito restritas. Em geral, as reservas estão sendo feitas com muita antecedência”, explica.

Dessa forma, como a ocupação em julho havia sido praticamente zero, em agosto as reservas aconteceram e fizeram o indicador crescer substancialmente. “Mas isso não quer dizer que agosto teve uma boa ocupação. A situação só começou a melhorar mesmo com o feriado de 7 de setembro”, diz. No caso do Hotel Sonata de Iracema, que abriu em primeiro de agosto, o crescimento de setembro em relação ao mês anterior foi de 75%. “É a mesma lógica do crescimento em agosto, para quem abriu em julho”, compara, acrescentando que a alta está longe dos índices de anos anteriores.

De todo modo, a presidente do Visite Ceará enxerga um cenário positivo para o setor, mas com cautela. Em anos anteriores, o segundo semestre já começava promissor, puxado pela boa ocupação hoteleira no final de julho, devido ao Fortal e ao Halleluya. Os meses seguintes eram os grandes eventos, como feiras e congressos. Em setembro, outubro e novembro, por exemplo, a ocupação era em torno de 72% até o ano passado. Nos períodos realização de congressos, o índice chegava a 95%. “O impacto desses eventos é muito grande. Mas nossa expectativa é positiva, desde que a pandemia não piore e a gente continue melhorando mês a mês. Vai depender muito do nosso comportamento como cidadão”, avalia.

Sobre o comportamento da atividade turística nas capitais nordestinas, Ivana Bezerra afirma que o destaque cearense se deve ao trabalho de segurança sanitária. Além disso, a conquista local do selo de segurança global ‘Safe Travels’ do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês) deve fazer diferença na busca por hospedagem no Ceará já neste ano. A certificação foi concedida após a Secretaria do Turismo do Ceará (Setur) apresentar ao órgão os protocolos de biossegurança estabelecidos pelo Governo do Estado. O selo tem como objetivo garantir a saúde dos viajantes e impulsionar a retomada do turismo no mundo. “Agora podemos dizer que temos essa certificação mundial e que o turista pode estar tranquilo no nosso destino. Esperamos que o visitante também cumpra o que foi estabelecido nos protocolos para mantermos juntos o Ceará como destino seguro”, apontou, na ocasião, o secretário do Turismo do Ceará, Arialdo Pinho.

Como não está havendo campanha para divulgar o estado como destino turístico, Ivana Bezerra espera que o selo atraia com base em novos critérios dos viajantes. “No Nordeste, nossos maiores concorrentes são Porto Seguro (Bahia) e Porto de Galinhas (Pernambuco). Aqui, só com Fortaleza não agregaríamos resultado tão positivo. Jericoacoara, Flecheiras e Cumbuco puxam essa alta consideravelmente, principalmente nesse momento, em que o cearense passou a buscar refúgio fora de casa, mas dentro do estado”, diz.

Serviços no Ceará têm alta de 3,8%

Após variação negativa em julho (1,4%), agosto foi positivo para o volume de serviços em geral, no Ceará, com alta de 3,8% em relação ao mês anterior. O indicador local é maior do que o nacional, que aponta avanço de 2,9% no mesmo período. A variação cearense é a quinta maior entre os estados do Nordeste.

Na região, as maiores variações são da Paraíba e Piauí, cada estado com aumento no volume de serviços de 5,3%, seguidos do Maranhão (4,6%) e Rio Grande do Norte (3,9%). Quando a comparação ocorre com agosto de 2019, o indicador cearense é negativo, com recuo de 17,6%. Já no acumulado do ano, a queda corresponde a 15,5%, enquanto nos últimos 12 meses o decréscimo é de 9%.

De acordo com o supervisor da disseminação das pesquisas do IBGE no Ceará, Helder Rocha, comparando os meses de agosto de 2019 e de 2020, neste ano as quedas foram mais acentuadas foram nos serviços de atividades prestadas às famílias (45,5%) e em transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios (27,1%). “As perdas são reflexo das medidas preventivas à pandemia. Quando houve o estímulo ao isolamento social, atingiu de forma intensa e imediata boa parte das empresas que interromperam as atividades devido à pandemia”, justifica.

Os serviços considerados na pesquisa do IBGE são de alojamento e alimentação; de informação e comunicação; de tecnologia da informação e comunicação; telecomunicações; audiovisuais, de edição e agências de notícias; serviços profissionais, administrativos e complementares; serviços técnico-profissionais; transportes, seus auxiliares e correio; transporte terrestre, aquaviário e aéreo; e armazenagem.

Em agosto de 2020, o volume de serviços no Brasil avançou 2,9% frente a julho, na série com ajuste sazonal. Foi a terceira taxa positiva seguida, acumulando alta de 11,2%, no período. Esse resultado sucedeu uma sequência de quatro taxas negativas, entre fevereiro e maio, com perda acumulada de 19,8%. O acumulado no ano caiu 9,0% frente ao mesmo período de 2019. A taxa dos últimos 12 meses recuou 5,3% em agosto de 2020, mantendo a trajetória descendente iniciada em janeiro de 2020 e chegando ao resultado negativo mais intenso da série deste indicador, iniciada em dezembro de 2012.

No país, a alta de 2,9% do volume de serviços, de julho para agosto de 2020, foi acompanhada por quatro das cinco atividades investigadas, com destaque para serviços prestados às famílias (33,3%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (3,9%). O primeiro setor registrou a taxa positiva mais intensa da série histórica (iniciada em janeiro de 2011), mas ainda se encontra distante do patamar de fevereiro (-41,9%), mês que antecedeu o início da pandemia de Covid-19. Já a segunda atividade acumula ganho de 18,8% nos últimos quatro meses, após ter perdido 25,2% entre março e abril de 2020. Regionalmente, 21 das 27 unidades da federação tiveram expansão no volume de serviços em agosto, frente a julho. A maior alta foi em Minas Gerais (5,8%) e a maior retração, em Tocantins (5,5%).

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