Economia

Ceará é 3º em inovação no Nordeste, afirma Fiec

Segundo estudo, o Estado e cadeia produtiva devem investir ainda mais em ciência e tecnologia para que indústria se fortaleça, seja mais competitiva e gere desenvolvimento local

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br


Posição de destaque no Nordeste, mas no país, ainda com margem para crescimento. Esse é o cenário do Ceará no Índice Fiec de Inovação dos Estados Edição 2020, elaborado pelo Observatório da Indústria.
Pelo estudo, que considera presença de mestres e doutores nas indústrias, investimento em ciência e tecnologia, capital humano na cadeia produtiva, intensidade tecnológica e infraestrutura para inovação, entre outros pontos, o Estado apresenta um desempenho mediano em relação ao país, mas positivo e alto em termos regionais.
No Nordeste, o Ceará aparece em 3ª ou 4ª posição na maior parte dos indicadores. Já em relação ao ranking nacional, a colocação local varia entre a 10ª e a 15ª classificação. Os pontos fora da curva ficam por conta da competitividade global, em que o estado se coloca em 17º lugar e em instituições, em que ocupa o promissor 6º lugar nacional.
Com vistas para o mercado internacional e desenvolvimento local, o quadro revela urgência em adaptação para garantir competitividade nos negócios. Isso porque, com a indústria 4.0, também chamada de Quarta Revolução Industrial, o avanço tecnológico, a pesquisa, a qualificação profissional e um ambiente estruturado para esse tipo de desenvolvimento exigem urgência, investimento e transformação da pesquisa pura em aplicada. “Existem os que inovam muito e os que inovam pouco, mas os que não inovam simplesmente não têm vez”, define a pesquisa.

Cenários
Para definir os cenários nacional e regional, a pesquisa divide os dados em indicadores de Capacidades (Investimento Público em Ciência e Tecnologia; Capital Humano – Graduação; Capital Humano – Pós-Graduação; Inserção de Mestres e Doutores na Indústria e Instituições) e de Resultados (Competitividade Global; Intensidade Tecnológica; Propriedade Intelectual; Produção Científica e Infraestrutura de Inovação). Em termos gerais, o estudo considera inovação “um processo inerentemente arriscado, com resultado incerto e com prazos longos para materialização”.
Aí se incluem custos para a empresa e benefícios para além da companhia. “Os benefícios individuais são menores que os sociais, faz-se essencial o papel do Estado. Ao criar um ambiente propício, realizando investimentos de maneira eficiente e fornecendo apoio direcionado, o setor público pode ser altamente eficaz em mitigar essa incerteza e estimular o setor privado a investir em inovação. E parte fundamental desse apoio se dá por meio do investimento público em ciência e tecnologia, que funciona como catalizador do investimento privado, atraindo novos atores e compartilhando os riscos inerentes ao processo”, detalha o levantamento.
No Brasil, o estado mais inovador é São Paulo, que garantiu as primeiras posições nos indicadores investimento, infraestrutura e competitividade, seguido de Santa Catarina, que lidera em qualidade de profissionais da graduação e propriedade intelectual.

Desenvolver capital humano

Para a pesquisadora do Observatório da Indústria e doutoranda em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), Eduarda Mendonça, tanto em capacidades como em resultados, o Ceará figura, na maioria dos indicadores, entre a 10ª e a 15ª posição. Porém, no quesito Instituições, o estado ocupa o 6º lugar no ranking nacional, ficando atrás apenas de São Paulo, Piauí, Espírito Santo, Santa Catarina e Goiás, nessa ordem. “O resultado é puxado por três quesitos, agilidade da Justiça do Trabalho, transparência pública e saúde fiscal do Governo do Estado”, detalha.

Por outro lado, se o estado se destaca nacionalmente nesse aspecto, em Competitividade Global está seu pior posicionamento: 23º lugar. “O Ceará ainda tem espaço para ganhar mais posições nos indicadores de capacidade, que poderia ser melhor aproveitada através de desenvolvimento do capital humano, com investimento em ciência e tecnologia. Isso ajudaria em propriedade intelectual, porque um dos caminhos para ter mais patentes é ter capital humano mais desenvolvido. Isso pode ocorrer com melhoramento da oferta de cursos de graduação e pós-graduação, dispêndio maior em pesquisa e desenvolvimento por parte das empresas e do governo e possibilidade de financiamento para profissionais exercerem mais produção científica”, explica.

Estado deve incentivar desenvolvimento

O papel da administração pública é fundamental na aplicação da ciência e tecnologia na cadeia produtiva. Os esforços devem ser no sentido de firmar uma ponte entre universidade, setor privado e gestão pública, transformando a pesquisa pura em pesquisa aplicada e fazendo o produto da ciência ser usufruído de forma coletiva. É o que aponta a pesquisadora do Observatório da Indústria da Fiec, Eduarda Mendonça.
“Se o Estado não investe em inovação, tem uma estagnação da produtividade, da renda, do desenvolvimento econômico, do emprego. Outros estados e países estão investindo. A inovação é um dos principais braços do desenvolvimento”, classifica.
Segundo ela, “inovação é um risco”. Institucionalmente o Estado deve promover segurança para que se construa um ambiente favorável à pesquisa. “O governo poderia melhorar mais em ciência e tecnologia, fortalecendo cursos tecnológicos, como engenharia, ciências, física, biologia, matemática, estatística, que são ligados à tecnologia, com incentivos o estudante permanecer na universidade, para que pessoas de baixa renda tenham a chance de ser esses profissionais no futuro”, analisa.
Reforçar parceria
De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado (Secitece), Inácio Arruda, é preciso reforçar essa parceria e buscar competências da universidade, nas mais diversas áreas do desenvolvimento, para levar inovação para a sociedade através da gestão pública e da cadeia produtiva. “Isso fortalece a capacidade do Estado em dar resposta a problemas cruciais da sociedade, com conhecimento, informação e com dados”, sugere. Para ele, o conhecimento está próximo e sedimentado não só na capital, mas no interior. Com base nisso, cita a atuação de seis universidade públicas (três estaduais e três federais) no Ceará, 121 escolas profissionalizantes, um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), além das universidades privadas.

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