Economia

Ceará alcança quarto mês seguido de alta no mercado de trabalho

Saldo de 16.436 vagas no mês de outubro consolida a recuperação da economia cearense, após quedas provocadas pela pandemia. Desempenho foi o segundo melhor do Nordeste

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

Segundo o IDT, os números apontam para uma recuperação gradual do mercado de trabalho (foto: Beatriz Bley)

O Ceará alcançou, no mês de outubro, o melhor desempenho para o mercado de trabalho neste ano, com um saldo de 16.436 vagas com emprego formal – foram 42.760 contratações e 26.324 demissões. É o quarto mês seguido com saldo positivo na geração de empregos no estado.

Em toda a Região Nordeste, o número só foi inferior ao da Bahia (16.437), mas à frente de Pernambuco (13.016). “Há muito o que se comemorar. Primeiro porque recuperamos praticamente todos os empregos perdidos na pandemia. Segundo porque o Ceará, juntamente com a Bahia, lidera a geração de empregos no Nordeste, e estarmos na linha de frente mostra a nossa fortaleza e capacidade de recuperação. E por fim, o expressivo número, o melhor da série desse movimento desde a pandemia”, analisou Maia Júnior, secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet).

O resultado de outubro, divulgado ontem (26) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, consolida a alta nas contratações no Ceará, que teve um total de 30.123 vagas de emprego geradas, entre os meses de julho e setembro. “É um resultado até acima do que se previa para esse período. Embora seja um comportamento típico da expansão do emprego nos últimos meses do ano, é como se a gente tivesse uma compensação dos resultados negativos dos meses anteriores”, ressalta Erle Mesquita, analista de Desenvolvimento do Mercado do Trabalho do Sine/IDT. “Também temos que levar em consideração que esse ano, apesar de ter sido atípico, por conta da pandemia, é um ano eleitoral, que geralmente tem uma dinâmica mais favorável, porque dinamiza alguns setores econômicos”, completa.

Gilvan Mendes, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), observa que os números de novos empregos “apontam para uma recuperação gradual do mercado de trabalho cearense, após a implantação das medidas para a retomada das atividades econômicas”, afirma.

Os setores que mais contrataram em outubro no Ceará foram os de serviços (5.974), seguido pela indústria de transformação (5.265), comércio (3.849) e construção civil (1.140). “De maneira geral, todos os setores tiveram resultado positivo, embora cada um tenha sua dinâmica própria de contratações. Com a aproximação do final do ano, a indústria precisa produzir mais, para abastecer o comércio, e isso impulsiona uma recuperação de maneira geral, o que é bastante positivo para a nossa economia”, analisa Erle Mesquita.

No acumulado de janeiro a outubro, o Ceará tem um saldo positivo de 1.047 empregos. “A gente deve ter mais um mês positivo, em novembro, embora o cenário seja de incertezas, com um certo aumento de casos de covid. Mas gradativamente o mercado de trabalho vem dando sinais de recuperação”, projeta.

País registra criação de 394,9 mil vagas em outubro

Pelo quarto mês consecutivo, o saldo de geração de empregos no Brasil ficou positivo. Foram criadas 394.989 vagas com carteira assinada em outubro, resultado de 1.548.628 admissões e de 1.153.639 desligamentos. O resultado recorde na série histórica iniciada em 1992 está no Caged.

O estoque, que é a quantidade total de vínculos ativos, em outubro chegou a 38.638.484, variação de 1,03% em relação ao mês anterior. No acumulado do ano, o saldo é negativo em 171.139, decorrentes de 12.231.462 admissões e de 12.402.601 desligamentos.
Dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas, quatro tiveram saldo positivo no emprego em outubro. O principal foi o setor de serviços, que abriu 156.766 novas vagas. No comércio foram criados 115.647 postos; na indústria, 86.426; na construção, 36.296.

Segundo o secretário do Trabalho, Bruno Silva Dalcolmo, em abril as admissões caíram e as demissões registraram alta, em função da crise gerada pela pandemia de covid-19. Esse efeito do início da pandemia levou o saldo de empregos formais a permanecer negativo ao longo do ano. “As admissões encolheram muito, chegaram a 40% do volume normal, durante o mês de abril. E houve pico de demissões também”. (Com Agência Brasil)

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS