Economia

Bons hábitos alimentares como sinônimo de qualidade de vida

Consumidores têm aumentado a procura por produtos minimamente processados e de origem vegetal, buscando saúde e segurança alimentar, além de redução no impacto ambiental. Adaptação aos novos hábitos deve ser gradativa, diz especialista

Lucas Braga 

economia@ootimista.com.br

Seja pela saúde, segurança alimentar, redução do impacto ambiental e/ou amor pelos animais, a adoção de novos hábitos de consumo tem se expandido. Assim, a preferência por produtos minimamente processados e de origem vegetal é destacada pelos adeptos do plant-based.

A nutricionista Érika Paula Farias pontua que esse movimento nem sempre exclui por completo os alimentos de origem animal, mas valoriza as mais diversas opções e aplicações de vegetais.

Nos supermercados, há sortimento de produtos com versões sem proteína animal: hambúrgueres de lentilha, soja ou feijão; ou substitutos a linguiças, nuggets e posta de peixe feitos inteiramente à base de plantas. Massas e biscoitos plant-based e veganos têm ampla aceitação.

“Mas nem sempre uma dieta assim vai ser saudável. Um dos erros dos pacientes que me procuram é trocar itens na alimentação antes de ter acompanhamento nutricional. Ao analisar, muitas vezes percebemos que a alimentação está ruim, baseada em processados e ultra processados. Ou seja, a qualidade dessa dieta nem sempre tem ganho real”, alerta, lembrando a necessidade de buscar profissional nutricionista antes de aderir a mudanças radicais.

Alto custo?

Sócio-diretor da Aveiro Consultoria, Raul dos Santos Neto aponta que uma estratégia para a acessibilização desses produtos está no estímulo do poder público, como incentivos fiscais para produtores e empresas, a fim de fomentar o mercado e estimular o empreendedorismo e o cooperativismo. Essas categorias de produtos são, aliás, benéficas à saúde pública e ao meio ambiente.

“Os custos ainda são altos, fazendo muitos produtos serem caros. Então, é necessário massificar mais para diminuir os valores. Para chegar a uma camada maior da população, faz-se necessário haver uma presença maior de oferta desse tipo de alimento”, diz Raul.

Mas o preço das dietas vegetarianas, veganas e plant-based, quando montadas com ingredientes naturais ou minimamente processados, pode ser muito inferior ao da alimentação onívora, como destaca Érika. “Pode sair mais barato, porque predominam as leguminosas, cereais, frutas, folhas. O que pode encarecer são os itens processados e industrializados”.

A chef de cozinha natural Kika Hissa concorda, exemplificando o orçamento familiar. “Custa muito mais barato do que comer carne vermelha diariamente. Comemos muito mais orgânicos do que antes justamente porque sobra uma graninha”. Ela, o esposo e os três filhos evitam o consumo de produtos de origem animal, assim como os ultra processados.

Experiente, Kika compra de mercados orgânicos e cooperativas, experienciando a variedade de alimentos e infinidade de combinações culinárias. Estratégias para atrair os pequenos à alimentação saudável têm sido a baixa restritividade e o convite a cozinhar. “O brincar com a cozinha leva a conhecer e gostar mais dos alimentos coloridos e novos sabores e texturas. Vai enraizando dentro da criança e ela se envolve com mais facilidade no processo”, sugere.

Ela diz que não há restrições severas em eventos de família e festas de aniversário, por exemplo. Estas podem causar efeito indesejado, principalmente na educação alimentar de crianças. “A partir dos cinco anos, a criança repara no lanche do colega e as famílias começam a liberar salgadinhos, por exemplo. Isso desperta interesse e mais vale atrair aos substitutivos. Restringir demais cria desejo”, testemunha, acrescentando que o sabor das refeições baseadas em vegetais pode ser atrativo, com especiarias, ervas e azeite no tempero.

 

Estilo de vida

Ainda assim, no dia a dia da família de Kika são mantidos os hábitos de evitar açúcares e frituras, assim como trigo ultrarrefinado e demais industrializados com aditivos, corantes e conservantes. Esta é uma das preocupações dos adeptos do plant-based: a origem das matérias-primas. A preferência é por produtos orgânicos e com origem certificada, além de selo cruelty free (sem crueldade com animais nos processos de fabricação nem uso deles para testes).

As dietas à base de plantas são associadas à melhoria do bem-estar físico e emocional, aumentando imunidade, disposição e digestão. E a “filosofia” plant-based agrega ainda o estímulo ao consumo de produtos de higiene pessoal e limpeza menos agressivos ao meio ambiente, o que a assemelha ao veganismo – são buscados produtos biodegradáveis e sem cloro, ativos petroquímicos, fragrâncias sintéticas, aromatizantes, abrilhantadores ou corantes artificiais.

Assim, são observados a pegada de carbono das empresas, as embalagens, os processos produtivos e muito mais critérios de sustentabilidade. É o que busca fazer o designer Marcos Mendes, desde que iniciou os estudos sobre os impactos da agropecuária. “As ações dos fazendeiros queimando florestas para criar gado estão todo dia nos jornais”, resume.

Ex-vegetariano estrito, ele hoje em dia consome proteína animal aproximadamente uma vez por semana. “Primeiro foi por influência da minha esposa que é vegana, quando reduzi bastante. Depois de um tempo, comecei a ver os efeitos na melhoria do sono e digestão. Em seguida, comecei a ler mais sobre a indústria da carne e então passei a me dedicar mais um pouco a reduzir o consumo”, conta.

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