Economia

Balança comercial cearense apresenta déficit de mais de US$ 563 milhões em 2020

Crise provocada pela pandemia é a principal responsável pelo resultado. Fortaleza, São Gonçalo do Amarante e Caucaia foram os municípios que mais se destacaram na pauta comercial cearense

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


O Estado do Ceará terminou 2020 com um déficit de US$ 563.739.418 na balança comercial – um desempenho bem abaixo do ano anterior, quando o saldo negativo havia sido de US$ 93.049.225. No ano passado, as exportações cearenses alcançaram US$ 1,849 bilhão (queda de 18% em relação a 2019) e as importações somaram US$ 2,413 bilhões (alta de 2,4% em relação ao ano anterior).
“As exportações cearenses registraram uma redução de quase 20%, se comparadas com o ano anterior, e as importações de 2020, quando comparadas com o ano anterior, tiveram um crescimento muito pequeno”, resume Karina Frota, gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que apontou a crise provocada pela pandemia como fator primordial para o resultado.
“Se estivéssemos em um período normal, certamente o Estado teria superado a marca de 2019, em que batemos o recorde de exportações. A gente vinha em uma curva ascendente e tudo levava a crer que 2020 seria melhor que 2019 e 2018. Mas, infelizmente, com o cenário de crise global, isso não foi possível”, completa.
As informações constam da nova edição anual do Ceará em Comex (de janeiro a dezembro de 2020), divulgado pelo Centro Internacional de Negócios da Fiec. Fortaleza, São Gonçalo do Amarante e Caucaia foram os municípios que mais se destacaram no comércio exterior cearense. Sede do Porto do Pecém, São Gonçalo alcançou a ponta das exportações, com quase US$ 972,6 milhões comercializados.
Caucaia aparece em 2º lugar no ranking de 2020, responsável por 7,7% do total vendido pelo Estado para o exterior, o equivalente a US$ 143 milhões. Fortaleza aparece em 3º lugar entre os exportadores, com 6,9% do total vendido pelo Estado para o exterior. A capital exportou o equivalente a US$ 128 milhões.
“Os quatro setores principais na exportação foram os produtos de ferro e aço, os calçados, as frutas – incluindo a castanha de caju –, e os aparelhos e materiais elétricos. Esses quatro setores sofreram queda de mais de 20%, quando comparados com 2019”, analisa Karina Frota.

Importações
“Já na pauta de importações, além da questão dos combustíveis, tivemos um volume bem expressivo de máquinas e materiais elétricos, um aumento das importações de cereais, incluídos os produtos do trigo, além dos reatores e dos produtos químicos orgânicos”, detalha a gerente CIN. Segundo o Ceará em Comex, no que se refere às importações, Fortaleza foi o principal município importador, com 34,7% do total comprado pelo Ceará. No valor de US$ 838,4 milhões, as compras internacionais correspondem a um crescimento de 8,5% em relação a 2020. No total, 300 empresas de Fortaleza realizaram operações de importação. “Em relação às perspectivas para 2021, ainda estamos passando por esse momento de crise. Porém, se conseguirmos uma melhora na logística, em relação à disponibilidade de contêineres, acreditamos em uma recuperação gradual”, projeta Karina Frota.

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