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Auxílio emergencial, fraudes e transparência

Erivaldo Carvalho é colunista de Panorama. Escreve às segundas, quartas e sextas


Por Erivaldo Carvalho
erivaldo@ootimista.com.br

Já seria vexatória a informação de que 18% dos brasileiros elegíveis para o auxílio emergencial da pandemia – cerca de 10,9 milhões de pessoas (dados do Ipea) -, estavam invisíveis aos olhos do governo federal. Veio a tentativa de inclusão e, com isso, o sofrimento para quem precisou fazer o cadastro. Agora, órgãos de controle e fiscalização identificaram mais de 24 mil servidores públicos no Ceará que receberam, indevidamente, o voucher Covid-19. É o triste enredo de um Estado brasileiro caolho e manco, em que parte da população usa esses defeitos para se dar bem.

Os cadastros fraudulentos se alastraram entre funcionários estaduais e municipais. Por óbvio, todos os que receberam a ajuda de forma irregular terão de devolver o dinheiro. A melhor notícia, porém, foi o método utilizado pela Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas do Estado para chegarem ao resultado: o cruzamento de dados. Importada do Estado do Paraná, a tecnologia tem potencial para causar pequenas revoluções no trato da coisa pública, para gerar muito mais transparência, em situações e escalas diferentes.

Bolsonaro no Ceará
Provavelmente no dia 20, próximo sábado, o presidente Jair Bolsonaro estará no Ceará. Em visita oficial, ele vem inaugurar obras de transposição das águas do rio São Francisco. O objetivo é acompanhar o desvio do Velho Chico, de Salgueiro (PE) a Jati, no extremo Sul do Estado. Entre paralisações, retomadas e reformulação do projeto, a transposição está passando por quatro presidentes da República – Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro – e um presidenciável, Ciro Gomes, que deu sua efetiva contribuição quando esteve à frente do Ministério da Integração Nacional.

Convenções virtuais
Depois de reuniões executivas pela internet e sessões parlamentares remotas, vêm aí as convenções partidárias virtuais. A novidade, mais uma provocada pela Covid-19, acontecerá entre os dias 20 de julho a 5 de agosto. Aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o “novo normal” da política substituirá o intenso barulho e calor humano de reuniões partidárias, de outrora, pela frieza das telas, teclados de votação e outros aparatos tecnológicos. O restante do calendário – e as datas do 1º e 2º turno -, dependerão da extensão da pandemia.

Mais força às redes
Estudos de diversos tipos e alcances apontam que a pandemia do novo coronavírus, ao empurrar o mundo para dentro de casa, comprimiu em poucos meses o que, normalmente, o mundo levaria cinco anos para vivenciar. Home office, delivery e lives, para citar somente exemplos relacionados a trabalho, alimentação e entretenimento, que o digam. Na política não é diferente. Com praticamente tudo conectado ao online, o processo eleitoral e a guerra pelo voto sofrerão influências sem precedentes das redes sociais e mídias digitais.

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