Economia

Artesanato que reinventa a moda e o mercado

Professoras como Kátia Araújo se dedicam a ensinar o bordado e a renascença. “As pessoas procuram por curiosidade, mas quando começam a fazer, valorizam mais o trabalho do artesão”, explica designer que tem o artesanato no sangue

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br

Única professora de renascença em Fortaleza, a designer de moda Kátia Araújo tem uma história longa com as linhas e agulhas. Filha de costureira de vestido de noiva, a designer teve seu primeiro contato com a costura ainda criança. A partir de então, seguiu-se uma vida inteira dedicada ao setor, seja como dona de confecção, aluna da graduação em moda aos 45 anos, como professora de bordados, corte, costura ou como artesã junto a uma tradicional almofada de renda, fazendo desenhos com a própria linha.

“Só tinha eu de mulher. Ficava na rua com os meninos. Subia árvore, muro. Para não ir para a rua ela me ensinou a fazer bainha, macramê. Fui crescendo, gostando e sabendo costurar”, conta. Após ter mais de uma confecção, Kátia Araújo ingressou na graduação em moda e fez das aulas sua terapia. Ainda na faculdade, participou do Dragão Fashion com a histórica coleção Mulheres Cabaças, em 2011, quando venceu na categoria Jovens Talentos. No mesmo ano, foi um dos oito cearenses selecionados para o concurso Lycra Futuro Design.

Mas foi com um curso de bordado que ela aprendeu a dar aula e passou a multiplicar conhecimento. As aulas, com dança e música, logo se ampliaram para corte, costura e a tradicional renascença. Antes da pandemia, aconteciam aulas nos três turnos. “Minhas alunas são todas aposentadas que, na época da adolescência, tinham grande vontade de costurar e nunca puderam realizar o sonho porque tinham filhos, trabalho. Agora é o momento de olhar para a gente, são todas minhas amigas, trocamos carinho, atenção”, diz, emocionada.

Para Kátia Araújo, artes como bordado e renascença reinventam não só peças de vestuário, mas a própria artesã. “É muito prazeroso dizer que você bordou, você aprendeu”, testifica. No caso da renascença, a designer conta que o processo de aprendizado foi o mais lento e complexo. Foi quase um ano estudando só para dar aula, testando materiais, linhas, agulhas. “Nem é tão difícil. É um bordado, mas sem o tecido. É uma renda de agulha. As pessoas procuram por curiosidade, mas quando começam a fazer valorizam mais o trabalho do artesão. E aí entendem por que é tão caro: riscar, alinhavar, fazer a renda. Na verdade, era para ser mais caro. É muito gratificante”, frisa. De origem europeia, a renascença se disseminou no Brasil no estado de Pernambuco, o mais tradicional nessa arte.

Para Kátia, no caso da renascença e outras rendas tradicionais, se a cobrança fosse por hora, ficaria inviável. “As pessoas só veem a peça pronta, não veem você fazendo, o trabalho que dá fazer. A partir do momento que conhece o processo, desde a escolha da linha, do produto, da modelagem, testes, ajustes, entende mais o valor da peça”.

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