Economia

Arquitetos cearenses recebem prêmio nacional do Instituto Tomie Ohtake

O projeto premiado prioriza a cultura regional e leva em consideração as condições locais de temperatura e iluminação natural

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br

O projeto da Academia-Escola Unileão, realizado pelo escritório cearense Lins Arquitetos Associados, foi um dos três vencedores do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel 2020. O prédio que sedia o curso de Educação Física do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão), em Juazeiro do Norte (Região do Cariri), tem arquitetura considerada destaque na produção contemporânea brasileira.

O projeto cearense foi premiado ao lado da Estação Antártica Comandante Ferraz, do escritório paranaense Estúdio 41 Arquitetura; e da requalificação da Colina do Senhor do Bonfim, em Salvador, pelo escritório Sotero Arquitetos. Na edição anterior do prêmio, apenas projetos do Sudeste haviam sido contemplados.

Os irmãos George e Cintia Lins foram os autores do moderno desenho da Academia-Escola, priorizando a cultura regional e levando em consideração as condições locais de temperatura e iluminação natural abundante. É característica do escritório, aliás, respeitar os aspectos culturais e utilizar materiais e mão-de-obra locais, como explica George.

Ideia

O desenho do prédio foi dividido em cinco células integradas, com salas, recepção, equipamentos, salões de treino, varandas para atividades livres e convivência, dentre outras dependências. “A gente se baseia muito nos princípios da arquitetura bioclimática, se preocupando principalmente com o conforto térmico da edificação. Usamos estratégias para diminuir a temperatura interna, como telhas termoacústicas, com isolamento térmico entre elas”, explica o arquiteto.

Outra marca do edifício é a parede de tijolos cerâmicos maciços e espaçados, inspirada nos cobogós, além de jardim interno com espécies vegetais adaptáveis ao clima da região e fechamento em vidro. Assim, aumenta a proteção contra o calor e controla-se a iluminação, reduzindo o consumo de energia. “Há esmero na técnica de construção, mérito da construtora que executou e sua equipe”, completa ele.

“A arquitetura nordestina está muito longe de ter evidência nacionalmente, mas teve maioria nessa premiação. Então, a gente ficou muito feliz de ganhar, ainda mais por ser do interior do Ceará. Isso nos enche de orgulho por mostrar que conseguimos fazer arquitetura contemporânea aqui, que o caminho é termos nossa própria identidade”, pontua George, lembrando que o projeto já ganhou outros prêmios anteriormente, como o do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), em 2019.

Premiação

Em 2020, o sétimo Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel teve 246 inscrições, de 14 estados brasileiros e do Distrito Federal. Treze projetos selecionados participam de exposição na sede do instituto, em São Paulo, até o dia 7 de fevereiro.  Os três premiados ganharam viagem ao Japão para conhecer a tradição arquitetônica do país e suas soluções inovadoras e tecnológicas.

A proposta do prêmio é incentivar o comprometimento com o local de implantação, a sustentabilidade e a inovação dos projetos. O concurso é patrocinado pela multinacional holandesa AkzoNobel, dona de marcas como Coral e International. A seleção dos melhores foi feita por júri composto pelos arquitetos Diego Mauro, Elisabete França, Fernando Túlio, Juliana Braga e Pedro Varella.

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