Economia

Apoio à economia criativa dá suporte ao artesanato local e qualificação ao produto

No Sebrae, busca por atendimento tem como principais demandas conhecimento sobre gestão de negócios e estratégias de vendas, o que sinaliza uma tendência à formalização e desenvolvimento dos setores criativos, fortalecendo a cadeia

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br


Em momentos de crise, a economia criativa é essencial para o negócio se diferenciar no mercado, mesmo acolhendo aspectos de tradição, como o artesanato. Com capacidade de criar, se transformar e se adaptar a novas necessidades de consumo e de vendas, esse tipo de negócio encontra na moda soluções para antigos problemas. Nesse caso, apoio é fundamental em todas as etapas, seja na criação de uma nova marca ou na retomada da economia quando o empreendimento já existe.
Segundo a gestora de Economia Criativa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Diva Mercedes, investir em design é um dos pontos mais importantes para unir a necessidade de modernização sem perder o aspecto tradicional do artesanato local. “Creio que é uma forma de atender às necessidades de um mundo que cada vez mais quer o moderno, mas que também valoriza a tradição”, compara.

Capacitação
Nesse contexto, as capacitações são essenciais na formação do empreendedor, pois o mantém atualizado quanto a estratégias, metodologias e ferramentas de acesso a mercado. “Cada vez mais aumenta a procura por conteúdos na área de marketing e, nesse sentido, o marketing digital, técnicas de venda e precificação são as maiores necessidades dos empreendedores criativos neste momento”, avisa.
Embora não haja dados consolidados sobre setores de economia criativa no Ceará, o atendimento junto ao Sebrae norteia como esse mercado se comporta. “A busca por atendimento nos sinaliza que os pequenos negócios de moda, sobretudo os designers de moda local, que buscam um posicionamento de marca, em sua maioria associam o artesanato na construção de sua história”, avalia.

Criação
O design, nesse ambiente de criação e de união entre moda e artesanato, tem a função de criar um produto novo, com valor de venda e que valorize de alguma maneira a arte local e não perca aspectos tradicionais da arte envolvida.
“Não é somente o desenho do produto propriamente dito, mas sobretudo o desenho do modelo de negócio, onde através de ferramentas do design estratégico poderá inovar e trazer soluções eficazes para além da estética propriamente dita”, indica.
Diva Mercedes informa que, durante a pandemia, tem crescido a busca por capacitação na área. As principais demandas são por conhecimento sobre gestão de negócios e estratégias de vendas, o que sinaliza uma tendência à formalização e desenvolvimento dos setores criativos.
Em 2019, o Sebrae realizou mais de 300 atendimentos a empreendedores criativos, o que inclui orientação empresarial, palestras, capacitação, recursos de subvenção financeira, consultoria. A quantidade e profundidade desse atendimento podem ser ampliados à medida que surgem novas necessidades por parte do empreendedor e do negócio. Para estimular a economia criativa do Nordeste e apoiar soluções inovadoras para seus setores, o Sebrae está fazendo um Mapeamento da Economia Criativa do Nordeste. O projeto desvenda o potencial de negócios de inovação que utilizam a criatividade como ferramenta, meio, produto ou matéria-prima para suas soluções.
MAIS:
É possível participar da pesquisa até o dia 8 de outubro, no site (www.impactanordeste.com.br/economiacriativa).

Trabalho manual garante peças únicas e com alto valor agregado

Com cinco anos de mercado, a Rendá já nasceu voltada para o artesanato como base de suas criações: renascença, renda de bilro, choché, richelieu. A marca tornou mais moderna uma moda que era normalmente associada à tradição e, assim, ganhou público e mercado. Neste ano, com as mudanças no perfil de consumo, as peças também passam por reinvenção, mas sem deixar de valorizar o artesanato cearense.
Para a empresária e criadora da Rendá, Camila Arraes, a modernidade e modelagem da marca atraem diversos públicos. “Graças ao esmero dessas mulheres rendeiras, criamos obras de arte”, diz, acrescentando que as peças têm conceito atemporal. Além disso, ela destaca que, devido ao trabalho manual, as peças não se repetem. “No caso do bordado, primeiro o desenho é feito no papel, depois passa para o tecido, à mão, e depois é feito o bordado. Isso já vai imprimindo unicidade à peça”, frisa. Camila Arraes informa que, ano passado, participou de eventos na Semana de Moda de Milão e nos Emirados Árabes. “O consumo rápido de moda está sendo revisto. Não é mais isso que o consumidor busca. As pessoas estão tendo um olhar diferenciado para o que é produzido pelas mãos”, pontua. Devido à pandemia, a criadora acredita que esse processo se potencializou. “Primeiro porque as pessoas estão tendo mais cuidado com o dinheiro. Para ampliar o atendimento às novas demandas, estamos expandindo nosso processo de criação, mixando mais, reequilibrando os custos. A gente passa por uma crise. Precisamos atender a esse novo padrão de consumo, sem perder a identidade”, pondera.
Camila Arraes conta que uma peça exclusiva, de renascença, pode levar até dez meses para ficar pronta, se for uma só artesã fazendo. “A gente tem um público apaixonado por renda, fiel, que sabe o valor do artesanato nordestino. Isso está mudando”, estima. Para ela, contudo, há um desafio para unir a necessidade de mercado com o tempo exigido para a produção do artesanato. “Nunca vai ter um atacado de 50, 100 peças. Não tem como fazer artesania em massa. Se for a mão não dá. E não queremos descaracterizar nosso produto”, pondera. (MB)

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