Economia

Ano começa com esperança na retomada

Apesar do ano desafiador, a gestão estadual e representantes da indústria, comércio e serviços enxergam aspectos positivos em 2020. Para 2021, volta à normalidade é vital para o reaquecimento da economia e a realização de projetos estratégicos

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

O ano de 2020 foi de desafios para todos os setores. A paralisação do crescimento e a retração dos investimentos foram sentidos por todos os segmentos da economia. O Ceará também sofreu impactos, mas houve sinais de recuperação nos últimos meses. O ano de 2021 traz a perspectiva da vacinação contra a covid-19 e a renovação das perspectivas. É nisso que confia o governador do Ceará, Camilo Santana. “Encerramos 2020 com resultados e indicadores importantes a serem comemorados. Primeiro, nosso PIB do terceiro trimestre deste ano, que foi de quase 17%, mais do que o dobro do Brasil. Isso mostra a retomada do crescimento no estado do Ceará. Depois, o crescimento de empregos: vamos encerrar o ano com saldo positivo de empregos, com mais de 16 mil empregos gerados apenas em novembro. Além disso, fomos o estado do Nordeste que mais gerou emprego na construção civil”, ressalta Camilo Santana.

“São sinais importantes, para que a gente possa entrar 2021 com força, para fazer o Ceará investir, gerar oportunidades e emprego, a grande preocupação dos cearenses. Que 2021 venha com a vacina para que a gente possa retornar à normalidade e se dedicar cada vez mais ao crescimento do nosso estado”, projeta o governador.

Comércio

O comércio foi o setor que possivelmente mais sentiu a ausência dos clientes. A diretora institucional da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Cláudia Brilhante, admite que o ano de 2020 foi difícil, mas trouxe aspectos positivos. “Aprendemos a nos reinventar, a vender no e-commerce, algo que só era feito pelos grandes comerciantes”, observa.

A dirigente da Fecomércio-CE conta que o momento mais difícil foi o início da pandemia. “Foi desesperador, mas também serviu de aprendizado: quando fechamos as portas físicas, abrimos as portas online. Foi um desafio e está dando retorno, porque sentimos sinais de recuperação. Tivemos boas vendas em outubro e novembro. As vendas de dezembro, devido ao Natal, também foram boas”, avalia. “Esperamos que 2021 seja bem melhor, estamos nos preparando para isso. Aprendemos que temos pontos fortes, principalmente a solidariedade entre os comerciantes, entre os empresários. Precisamos estar cada vez mais juntos e fortalecidos para crescer”, conclui Cláudia Brilhante.

Esperança

Assis Cavalcante, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL  Fortaleza), o ano de 2020 começou promissor, no entanto, o advento da pandemia mudou tudo e obrigou ao fechamento o comércio. “Naquele momento, tínhamos uma visão de que muitas lojas iam fechar, que iria haver muita demissão. Pintávamos o caos. Quando reabrimos, tivemos a surpresa que alguns segmentos tiveram um desempenho muito bom, como o de material de construção”, relata. “Em julho, o comércio sentiu a falta dos turistas, já que Fortaleza é uma cidade turística. Novembro foi complicado, em razão da Black Friday, porque a gente não tinha o que liquidar. Para aquecer o mercado, a CDL fez a campanha ‘Centro Premiado’. Este dezembro foi melhor que o do ano passado, devido à injeção de recursos do governo estadual e às obras do governo municipal, que dão empregabilidade. Tudo isso fez com que Fortaleza passasse Salvador no que diz respeito ao PIB”, comenta.

Pra 2021, Assis Cavalcante espera um cenário promissor, principalmente a partir do segundo trimestre. “Para os três primeiros meses, será um recomeço, uma nova história, voltada para os valores da família, das amizades. Esse sentimento pode formar um todo muito bom para o restante do ano”, projeta. “Por isso,  vamos continuar investindo na Faculdade CDL, que qualifica a mão de obra e tem expertise no varejo. Em 2021, os empresários que queiram melhorar os resultados vão precisar se qualificar e qualificar os colaboradores”, recomenda.

Indústria

Para o empresário Beto Studart, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 2020 foi importante para mostrar a força do setor industrial cearense. “O ano foi atípico, mas o setor se recuperou rapidamente. Os dados do IBGE revelam que a evolução da produção industrial em outubro recuperou o patamar pré-pandemia, e na comparação com outubro de 2019, o estado registrou alta de 6,1%, o 3º maior desempenho do país”, informa. “Deve ser ressaltado o papel da Fiec, presidida por Ricardo Cavalcante, que manteve em alta o setor”, destaca.

Com negócios na construção civil, Beto Studart sentiu de perto os impactos da pandemia. “Ela atingiu o mundo todo, mas se saíram melhor os que não se deixaram abater”, observa, citando como exemplo a empresa que comanda, a BSPAR. “Não paramos. Nós nos reinventamos e a prova disso é que quando do retorno presencial, fomos a primeira empresa da construção civil do Ceará a voltar dentro do que estabeleciam os protocolos. E já nos primeiros meses voltamos a vender bem”, descreve.

Para Beto Studart, em 2021 a construção civil cearense tem a seu favor o reinício do aquecimento das vendas, os juros baixos e a oferta de crédito. “Junte-se a isso o desejo de compra por imóvel, que cresceu no pós-isolamento. As pessoas sentiram a necessidade disso, viram a importância do conforto”, elenca. “As perspectivas são bem positivas”, projeta.

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