Economia

Aliar artesanato à indústria ainda é desafio

Marta Bruno

martabruno@ootimista.com.br

As artes manuais agregam valor às peças na medida em que as pessoas buscam um produto único e com expressão no contexto social. No Ceará, o desafio no setor da indústria de confecções é aliar a necessidade de produção em escala com um produto que requer tempo e dedicação próprios do que é produzido com as mãos e, assim, firmar identidade não só das marcas, mas do fazer manual e dos artesãos.

“Você usa o que te representa, a moda que veste fala quem você é. Nosso povo tem muito talento e a utilização desses produtos, feito por gente de verdade, faz sentido para esse consumidor, reforçando nossa identidade local”, analisa o presidente do Sindicato das Indústrias de Confecção do Estado do Ceará (Sindconfecções), Elano Guilherme.

Segundo o presidente, a união entre produção em escala e trabalho manual passa, fundamentalmente, pelo respeito ao tempo de produção dos artistas e artesãos. Isso porque, nesse processo, o mais importante é o material final, não a quantidade de produtos em grande produção. “Nesse contexto, a indústria busca apoiar com o desenvolvimento de peças que possam ser criadas em um processo mais rápido”, diz. Isso deve ser fomentado no sentido de projetar o polo de moda conceitual e de identidade local.

Porém, na visão de Elano Guilherme, é preciso valorizar mais empreendedores, artesãos e empresas que atuam na área. “Essa é uma excelência que a moda do Ceará tem e que já é reconhecida. Apesar de todas as dificuldades, empresas e profissionais vêm lutando para mostrar produtos culturalmente identificado com o nosso estado”, aponta. Segundo ele, para efetivar a aproximação entre indústria, confecções e artesãos, é necessário qualificar empreendedores para desenvolver produtos mais alinhados com as necessidades das empresas, utilizando cada vez mais elementos com raízes regionais nos modelos desenvolvidos por empresas de todos os segmentos. “Temos a possibilidade de produção da moda íntima até peças de alta costura. O que vai definir a utilização pelas empresas da moda é seu posicionamento, como marca, para o mercado”, ressalta.

O presidente acredita que, independente da área de atuação no ramo de confecções, é importante que o artesão esteja amparado para manter o trabalho de forma tradicional, mas com possibilidade de ser inserido nas demandas do mercado. “Falta uma maior sensibilidade não só na divulgação desses produtos, mas em proporcionar ferramentas de gestão para que esses artistas possam viver com dignidade do fruto do seu ofício. O que falta, principalmente, é reconhecimento por parte de todos nós”, admite.

 

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