Economia

Adaptação se tornou essencial para trabalhadores que atuam em home office

Profissionais, especialmente aqueles ligados à tecnologia, tiveram de se reorganizar para acompanhar o novo sistema de trabalho

Giuliano Villa Nova

economia@ootimista.com.br

No primeiro semestre, o jornalista César Antonio Martín trabalhava para uma empresa de Sobral, com uma rotina bem organizada, que incluía viagens constantes ao interior do Ceará.
Veio a pandemia e foi preciso fazer muitas adaptações no sistema de trabalho, que passou de presencial para home office – já que os deslocamentos se tornaram inviáveis. “Pedi demissão daquele emprego, mas aprendi a desenvolver meu serviço dentro do lar. Modifiquei meu escritório todo para um desempenho adequado”, relata.
Hoje, César é contratado por dois aplicativos e não pensa em sair de casa tão cedo para trabalhar. “Foi uma mudança muito proveitosa: além de diminuir o risco da Covid-19, de reduzir custos com transporte e alimentação fora de casa, tenho meus livros e manuais de consulta próximos e estou com meus filhos, participando das atividades deles”, observa.
Da mesma forma, a adaptação se tornou palavra chave para muitos profissionais que tiveram de se encaixar no sistema home office. A psicóloga Adriana Bezerra aponta que a adoção desse novo modelo já vinha sendo experimentada por muitas companhias. “Era uma prática muitas vezes oferecida como parte do pacote de benefícios. O isolamento social obrigou as empresas a implantar de forma rápida esta modalidade de trabalho”, analisa a especialista. “Claro que essa urgência incorreu em erros, mas, no geral, as empresas conseguiram se ajustar e operar neste modelo”, avalia a especialista em home office.

Organização
De acordo com o Relatório Anual da Workana sobre Home Office (2020), 95,9% dos trabalhadores entrevistados afirmaram estar satisfeitos com o trabalho remoto, e 70% avaliam como positiva a integração da vida pessoal com a profissional.
“A principal vantagem do home office é a quebra da barreira da distância, evitando viagens rápidas e aumentando a participação de pessoas em processos que antes dependeriam do deslocamento. Outro ponto positivo é a maior agilidade nos encaminhamentos”, analisa Adriana Bezerra, que destaca a necessidade de organização para o home office funcionar bem. “Tem sido observada uma sobrecarga, uma vez que esse modelo pode gerar uma falsa impressão de que não há limites de tempo para trabalhar”, alerta.

Tendência
Para Martín, mais do que uma tendência, o home office é um estado que vai perdurar por muito tempo no mercado. “Boa parte das organizações dará recursos extras para que os profissionais adquiram mobília e materiais de trabalho e fiquem produzindo em casa. Outras áreas devem se adaptar, considerando que ainda não temos uma perspectiva concreta de controle da Covid-19”, imagina o jornalista.
Para 19,1% dos entrevistados pela pesquisa da Workana no futuro muitas reuniões e eventos importantes serão realizados online, e para 13,7% não haverá mais escritórios; 19% projetam que as modalidades de contratação serão mais variadas e 22,8% pensam que os líderes deverão ser capazes de acompanhar as equipes de forma remota.
A projeção de Adriana Bezerra para o home office é otimista. Na visão da especialista, essa modalidade será cada vez mais utilizada, após as devidas avaliações. “Chegaremos a um equilíbrio, pois ainda estamos vivendo a pandemia e o home office traz uma maior segurança para todos”.

 

Manter home office vai exigir avaliação por parte das empresas

A exemplo de César Martín, profissionais ligados à tecnologia sentiram a alta no trabalho em home office.
Muitas companhias desse segmento, como as startups, anunciaram que ficarão nesse sistema até o final do ano ou até ser desenvolvida a vacina contra a Covid-19.
Porém, aos poucos, alguns setores estão retomando o trabalho presencial. “O segmento vai definir a condição da empresa atuar 100% em home office. Para a indústria e alguns serviços, o modelo não poderá ser aplicado na totalidade”, pondera Adriana Bezerra. “Por outro lado, as empresas já mapearam as áreas em que podem atuar à distância e devem manter equipes em home office. Há ainda as que vão adotar o modelo híbrido”, projeta Adriana.
Conforme a pesquisa Workana sobre Home Office, 20,5% das empresas ofereceram mais flexibilidade no trabalho para os colaboradores; e 6,3% disponibilizaram cursos sobre trabalho remoto – pois 12,4% apontaram que preparar as equipes para essa modalidade foi um desafio.
Além disso, o engajamento de funcionários e gestores será fundamental para manter a produtividade. “É preciso promover um ambiente saudável e de resultados positivos. Mas, as empresas precisam aprender a gerar esse engajamento de forma virtual, reescrevendo jornadas para clientes e colaboradores”, diz Adriana Bezerra.

dados da pesquisa

De acordo com o Relatório Anual da Workana sobre Home Office (2020):
22,8% dos funcionários pensam que os líderes deverão ser capazes de acompanhar as equipes de forma remota
20,5% das empresas ofereceram mais flexibilidade no trabalho para os colaboradores
19,1% dos entrevistados entendem que no futuro reuniões e eventos importantes serão realizados online
19% projetam que as modalidades de contratação serão mais variadas
13,7% pensam que não haverá mais escritórios
12,4% apontaram que preparar as equipes para essa modalidade foi
um desafio
6,3% das empresas disponibilizaram cursos sobre trabalho remoto
88,8% dos freelancers dizem que esta modalidade os permite desenvolver a carreira da maneira
que quiserem

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