Economia

Setores produtivos no CE apoiam restrições, mas pedem flexibilização de horários

Novas medidas de restrição no enfrentamento à covid-19 poderão ser anunciadas hoje. Empresários defendem horários ampliados dos estabelecimentos, maior taxa de ocupação em hotéis e mais fiscalização por parte do Governo do Estado

Giuliano Villa Nova

economia@ootimista.com.br

Os setores produtivos do Ceará estão no aguardo da divulgação de novas medidas de restrição às atividades econômicas por parte do Governo do Estado. A expectativa é de que o endurecimento das normas deva ser oficializado hoje (11) pelo governador Camilo Santana, principalmente em virtude do registro do aumento dos casos de covid-19 – que levou à ocupação de 75% dos leitos da rede de saúde do Estado, com tendência de aumento. A decisão é resultado das reuniões mais recentes do Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus, que reúne 29 órgãos e instituições, e monitora a evolução da pandemia no Estado. Na visão das autoridades de saúde, é preciso ampliar as restrições para evitar uma “segunda onda” da doença no Ceará.

A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) atualizou o plano de contingência nesta semana, mantendo o Estado na fase 2 – estado de atenção, na qual o foco é o bloqueio de transmissão para evitar a disseminação, somado à intensificação da comunicação com a população e recomendações técnicas para os profissionais de saúde. “Atualizamos o plano de contingência para garantir às pessoas uma maior segurança. Estamos nos preparando, para caso haja um aumento maior (dos casos de covid), o Estado esteja pronto, como temos feito nos últimos meses”, explicou Dr. Cabeto, titular da Sesa.

 

Taxa de ocupação

A posição do Governo do Estado é apoiada pelos setores produtivos cearenses, embora os empresários tenham feito algumas solicitações para não prejudicar as atividades econômicas. O setor turístico, responsável por cerca de 11% do PIB estadual, tem como principal solicitação a liberação do aumento da taxa de ocupação dos hotéis de 60% para 80% para este final de ano. “Estamos nessa expectativa. Temos feito reuniões frequentes e fizemos nossos pleitos. Mas nada do que se discute no Comitê Estadual é definitivo, tudo é levado ao governador, e só é oficializado com autorização dele”, observa Ivana Bezerra Rangel, presidente do Visite Ceará.

A ampliação do horário de funcionamento dos bares e restaurantes é o principal pedido ao governo do Estado feito pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE). “Se houver essa ampliação, conseguiremos evitar picos de atendimento em determinados horários. Além disso, será possível manter os consumidores em restaurantes com condições de cumprir todos os protocolos, com toda a fiscalização”, comenta Taiene Righetto, diretor executivo da Abrasel-CE.

 

Mais fiscalização

Taiene opina que a ampliação da fiscalização deveria constar nas novas determinações do governo do Estado, “inclusive no combate à informalidade, onde tem havido mais pontos de aglomeração. Em certos locais da cidade, são dezenas de ambulantes pelas ruas, com centenas de pessoas aglomeradas, como se fosse um Carnaval fora de época. Deve haver um combate maior a esse tipo de aglomeração”, defende Righetto.

Fátima Queiroz, presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, também apoia o controle mais rigoroso por parte das autoridades de saúde, e acredita que isso pode fazer bem à imagem do Ceará, enquanto destino turístico. “Esse rigor no controle do contágio em relação a outros Estados nos favorece. Com certeza, teremos incremento dos turistas brasileiros que antes saíam do país para curtir as férias e no contexto atual vão preferir lugares mais próximos e com clima de verão”, observa.

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