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6% dos candidatos a vereador em Fortaleza têm menos de 30 anos

Jovens apontam o desejo de se reconhecer nos espaços de poder e decisão

Lara Veras

lara@ootimista.com.br

Em Fortaleza, há 86 candidatos com até 29 anos, das 1.358 candidaturas para ocupar uma vaga na Câmara Municipal da Capital. O número equivale a 6% do total e é menor do que o percentual de 7% registrado no pleito municipal de 2016. Em um cenário que aponta para a perspectiva de renovação da Casa Legislativa, O Otimista procurou saber o que os partidos projetam ao indicar gente nova para a política.

O PSOL aparece com três candidatos jovens, de 26 candidaturas pelo partido, o que equivale a 7,5% dos postulantes pela legenda. Um deles é Ari Areia, de 29 anos. Segundo o candidato, existem muitos traumas de experiências anteriores com políticos que não fizeram por merecer ocupar os lugares de decisão. “A importância de jovens como a gente ocupar a Câmara Municipal está, mais do que na representatividade, na possibilidade de gerar reconhecimento. É o garoto do Pirambu, a menina da Serrinha ou do Jangurussu, do Mucuripe poder olhar pra Câmara e se reconhecer em alguém”, avalia. Para Ari, isso faz parte da mudança política porque “abre uma fissura no imaginário do que é um político: pode, e deve, ser alguém como a gente”.

A dirigente do PSOL na capital cearense, Vanda Souto, explica que as escolhas jovens do partido para indicação aos cargos públicos é feita com base no engajamento social do candidato. “Renovação não significa apenas ser jovem. É a expressão e a encarnação da luta que a pessoa já tem de bagagem, mesmo sendo jovem, que traz a possibilidade de renovação. Temos que identificar os que já fazem parte de um projeto coletivo”, comenta.

Para o dirigente municipal do partido Cidadania, Michel Lins, o jovem engajado socialmente deve buscar ocupar vagas no cenário político. “Sempre precisamos de cara nova, sangue novo que vem com aquela vontade de agir efetivamente. Temos bons exemplos de jovens que ingressaram nessa vida cedo e fizeram muito bem seu dever de casa”, aponta.

Esperança

Candidato pelo partido Cidadania, que traz sete concorrentes à Câmara Municipal, Pedro França tem 23 anos e diz que é fundamental a participação dos jovens na política porque representa a esperança diante do cenário sujo em que estamos vivendo. “Os políticos de hoje em dia não serão os mesmos para sempre. Por isso é importante que o jovem seja cada vez mais incentivado a transformar a sociedade, sem os vícios daqueles de antigamente. O papel do jovem da administração pública é de inovação”, aposta.

Marcelo Lemos, que assumiu a presidência do diretório municipal do PSL há menos de um mês, afirma que é uma importante necessidade ter um quadro de jovens integrando o partido. A legenda traz seis candidatos que se encaixam nesse índice. “O processo de renovação política passa, principalmente, pela juventude do partido. Por isso é tão importante que a legenda apoie e indique esses jovens”, explica.

Engajamento na gestão

Guilherme Sampaio, presidente do diretório do PT em Fortaleza, explica que, apesar do partido apresentar apenas um nome jovem nestas eleições, o engajamento da juventude em ações de gestão é uma das principais atenções da sigla. “Nós estimulamos muito o protagonismo da nossa juventude e reconhecemos que a importância da renovação no quadro de candidatos permite uma atualização que é necessária a qualquer projeto político. Todos os partidos devem pensar nisso”, recomenda.

A reportagem do O Otimista tentou contato com candidatos e dirigentes de outros partidos, mas nem todos tiveram disponibilidade para conceder entrevista, alegando incompatibilidade com as atividades da campanha eleitoral.

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