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Ceará ultrapassa 100 mil recuperados da covid-19

O número, alcançado nesta quarta-feira, 8, é símbolo de esperança no Ceará, mas reforça a percepção de que o caminho contra o novo coronavírus ainda não chegou ao fim. Epidemiologistas defendem o respeito a cada fase de retomada e explicam que a doença ainda tem um percurso a cumprir no Estado

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Com o retorno gradual, máscaras passaram a ser ainda mais necessárias (Foto: Edimar Soares)

Matéria atualizada às 10h de quarta-feira, 8

O Ceará atingiu, na manhã desta quarta-feira, 8, 101.606 pessoas recuperadas do novo coronavírus. Os dados foram atualizados às 8h58min na plataforma IntegraSUS, pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

No decorrer dos meses desde o início da pandemia, houve adequações no protocolo de atendimento das unidades de saúde destinadas a estes pacientes, bem como a ampliação do aporte hospitalar.

“A covid-19 é uma doença em que a maioria das pessoas infectadas consegue se recuperar. Como tivemos muitos casos confirmados, é natural que tenhamos também um alto número de pessoas recuperadas. E isto é muito positivo”, avalia o epidemiologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luciano Pamplona.

Conforme o referido boletim, 124.952 casos estavam confirmados no Ceará até o fechamento desta edição, sendo 6.556 óbitos. Taxa de letalidade do vírus no Estado é de 5,2%.

Percurso no Ceará
Especialistas defendem que a maneira ideal de traçar o caminho de uma doença é resgatar registros passadas. “Quando todas as fases de abertura estiverem completas, haverá aumento de casos porque o fluxo de pessoas nas ruas será maior, mas a solução é mapear e isolar as pessoas que tiveram contato com quem testar positivo. Caso seja cumprindo corretamente, não deverá ser preciso fechar tudo novamente”, argumenta Pamplona. O docente descarta possibilidade de segunda onda de casos com a mesma intensidade da primeira na Capital.

Por outro lado, a epidemiologista e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Thereza Magalhães, teme o aumento da taxa de transmissão da doença em Fortaleza, caso a população continue descumprido medidas sanitárias. Até a última divulgação oficial do Estado, em junho, a taxa de transmissão na Cidade estava em 0,8.

Embora o primeiro caso de infecção causada pelo novo coronavírus tenha sido diagnosticado em 15 de março, registros epidemiológicos da Sesa, mostram que a doença circulava em território cearense desde janeiro, com achados positivos da doença em 3 de janeiro de 2020. O primeiro óbito decorrente da covid-19 foi registrado ainda em 24 de março, cinco dias após a implementação do primeiro decreto de isolamento social, estabelecido pelo Governo estadual.

Epidemiologista e integrante do Grupo de Trabalho da Uece de enfrentamento à pandemia, Marcelo Gurgel acredita que os cenários pandêmicos das regiões Norte e do Cariri ainda irão se repetir nas macrorregiões do Litoral Leste e do Sertão Central. “Não há uma regra para o processo de interiorização. Enquanto uns municípios saem do pico, outros irão começar a subir, com vários focos simultâneos.”

Em consonância, Thereza reforça movimento da pandemia no Estado. “Será como nas regiões Sul e Centro-Oeste do País, onde os casos estão aumentando tardiamente”. No Sertão Central, Quixadá desponta em número de casos, com 2.189 confirmações. No Litoral Leste, por sua vez, o município de Russas aparece em primeiro, com 1.300 notificações positivas.

Adesão ao isolamento continua sendo fundamental
Uma das principais ferramentas de combate ao novo coronavírus, o isolamento social tem registrado baixas. Segundo a plataforma Inloco, nos últimos dois dias, o índice caiu de 49,2% para 44,6%. Em Fortaleza, de acordo com a epidemiologista Thereza Magalhães, a baixa adesão ao isolamento e o tráfego de pessoas nas ruas têm influenciado no aumento da ocupação de leitos de enfermaria destinados a pacientes com covi-19.

“É preciso lembrar que a doença não se tornou endêmica e que uma parcela desses pacientes podem ter complicações e precisar de UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, reforça. De segunda-feira (6) para ontem (7), a taxa de ocupação das enfermarias subiu de 54,22% para 61,32%. No mesmo período, ocupação de UTIs baixou de 76,71% para 70,87%.

Máscaras importam
Biólogo e epidemiologista, Luciano Pamplona pondera que, após quase quatro meses, o isolamento é uma ação difícil de ser cumprido. De acordo com o professor da UFC, a saída é continuar utilizando máscara e seguir recomendações de distanciamento social ao sair de casa. Ainda de acordo com a plataforma Inloco, maior pico de adesão registrado no Estado aconteceu em em 23 de março, quando 63% da população conseguiu cumprir a medida. (DB)

Celebrar – por Danielber Noronha, repórter de Panorama
Entre tantos acontecimentos desanimadores, noticiar a iminência da recuperação de 100 mil pessoas da covid-19 traduz-se na esperança de que dias melhores se aproximam. Atuar diariamente durante cerca de quatro meses na cobertura da pandemia fez-me acompanhar histórias de quem já sentiu na pele os efeitos da doença. Narrar relatos de vitória, acima de tudo, fizeram-me perceber a importância de celebrar a vida e aproveitar cada momento como se fosse o derradeiro. Não são somente estatísticas: por trás de cada alta hospitalar, há uma pessoa retornando ao ambiente familiar. São tempos árduos e espinhosos, mas logo mais teremos 100 mil inspirações para acreditar que somos  mais fortes.

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