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Susana Clark Fiuza: sofisticação atemporal

Arquiteta, apresentadora da TV Otimista e nova colunista do Tapis Rouge, Susana Clark Fiuza fala sobre os seus 20 anos de carreira  e dos desafios de tocar tantos projetos profissionais e pessoais

Naara Vale
naaravale@ootimista.com.br

Susana Clark Fiuza chega aos 20 anos de profissão. Uma carreira que, de cara, estreou com uma bem sucedida participação na CasaCor Ceará, com a concepção de um espaço eleito como o segundo mais bonito daquela edição. Desde então, já foram oito participações no evento e a construção de uma carreira sólida que faz de Susana uma das arquitetas mais solicitadas de Fortaleza.

Aos 42 anos, ela se divide em mil para dar conta dos mais de 30 projetos em andamento que seu escritório de arquitetura desenvolve; dos três filhos; da prática diária de esportes; da apresentação do programa semanal Oba, Obra!, da TV Otimista; e, partir de junho, de uma coluna semanal (publicada às quintas-feiras), aqui no O Otimista, na editoria Tapis Rouge. Além disso, ela se comunica com o seu público também através do YouTube, com a apresentação do reality Oba, Obra!, criado no ano passado, no qual acompanha a reforma de um apartamento, mostrando cada detalhe do processo.

Em conversa com O Otimista, a arquiteta falou do equilíbrio da vida pessoal com os inúmeros projetos profissionais, das suas duas décadas de carreira e do que está por vir.

 

Susana Clark Fiuza

O Otimista – Com três filhos e tantos projetos profissionais, como você consegue equilibrar tudo? 

Susana Clark Fiuza  – O pessoal pergunta muito como eu dou conta porque eu gosto muito de esporte, de malhar e gosto muito de estar com os meus filhos e meu marido, e sempre tive muito trabalho. Primeiro que eu acordo antes das 5h da manhã para dar conta. Durmo bem cedo, mas, geralmente, acordo bem cedo para começar as minhas orações, passeio com meu golden Sully, vou para a academia e começo a trabalhar. Eu consigo render no dia. Tenho uma característica e uma facilidade de delegar, isso me faz conseguir fazer várias coisas. Tenho pessoas que me ajudam em todas as áreas da minha vida, então isso faz com que as coisas fluam. No escritório, gosto de acompanhar tudo, mas deixo minha equipe desenvolver as minhas ideias. Isso me faz conseguir, hoje, fazer as gravações do Oba, Obra! também, estar sempre me atualizando, lendo muito. Quando a gente tem muita ideia, mas não delega, não faz com que as pessoas vibrem com aquelas ideias e ajudem, o negócio não anda. Eu sou muito focada, isso também é uma característica minha para ganhar tempo. No escritório, como eu não posso estar o tempo todo, eu vou lá, delego e, no dia seguinte, vou lá ver tudo o que eu pedi para fazer para poder revisar. Não abro mão, por hipótese nenhuma, de estar com a minha família, com os meus filhos e meu marido. Também sou muito caseira, não gosto de festa, sou muito família. Isso faz com que eu tenha um tempo com eles, mesmo com muitos projetos.

 

 O Otimista – Como começa a sua trajetória dentro da arquitetura? Era um sonho seu ser arquiteta?

Susana – Foi um sonho desde criança. Meu pai era engenheiro, então, eu já via muito trabalho dele, via as casas que ele construía. Aquilo ali já foi me dando um certo prazer. Foi uma coisa que eu nunca tive dúvida. Sempre tive certeza de que queria arquitetura e, como eu sou muito focada, isso me ajudou porque eu já sei o que eu quero. Traço planos para isso. Na época do meu vestibular, só eram 20 vagas para Arquitetura, só tinha na [Universidade] Federal [do Ceará], então, era ‘ou estuda ou esquece’. Graças a Deus deu tudo certo. E eu já sabia que gostava mais da parte de arquitetura de interiores. Eu amo essa parte de layout, de estruturar a planta, onde coloca cada coisa. E eu sou muito prática, tenho uma veiazinha também de engenheira, de não viajar demais. Eu tenho um certo limite, sou pé no chão. A estética é sempre muito importante, mas prezo muito pela funcionalidade. Fico querendo mais a beleza, o equilíbrio, a sofisticação.

 

O Otimista – Dentro da tua praticidade e dessa arquitetura que preza pela funcionalidade, por que você acha que se destacou e conseguiu tanto sucesso?

Susana – A praticidade eu acho muito interessante, não ter excessos é algo que, quando as pessoas me procuram, já sabem que o meu estilo é esse: sem excesso de móveis, de detalhes, de materiais, de peças tridimensionais. Tem muita gente que gosta e que, na minha opinião, pesa. A linha é tênue entre o sofisticado e o ultrapassado. Eu acho que as pessoas me procuram, principalmente, por essa sofisticação, essa praticidade e atemporalidade. É uma característica minha querer uma coisa durável. Outra coisa que eu acho que as pessoas procuram também é porque eu tenho estrutura de escritório. Meu escritório é uma empresa: ele tem coordenadora, a Taysa, que é arquiteta e uma profissional de muito valor;  e uma grande equipe de designers e desenhistas. Se eu passar 15 dias fora, o escritório está lá funcionando, com o pessoal acompanhando as obras, tirando dúvidas. Foi uma coisa pela qual sempre prezei.

 

O Otimista – Você participa da CasaCor Ceará desde o início da sua carreira e já ganhou destaque nas primeiras edições. Qual foi o papel da mostra na sua trajetória?

Susana – A CasaCor sempre foi um objetivo forte porque é um local que a gente tem para se mostrar, mostrar as nossas ideias, nossas propostas. Com o cliente, nem sempre a gente consegue imprimir totalmente o nosso gosto. Quando eu vou fazer um projeto, levo muito em consideração o gosto do cliente porque quem vai morar é ele. A CasaCor é o local de eu dou 100% da minha identidade, da minha ideia. Com um ano de formada, já entrei na CasaCor, foi um marco para mim. Meu espaço foi o segundo mais votado pelo público. Foi muito legal para a minha carreira e foi um desafio gigantesco porque eu era muito nova, tinha acabado de me formar, comecei tudo muito sozinha, com os meus recursos, com o meu suor. Meu trabalho sempre foi com muito desafio e aí eu acho que dá um gosto muito especial. Foram oito edições da CasaCor ao todo, e teve um ano que foram dois ambientes.

 

O Otimista – Há um ano você criou o Oba Obra! e agora está chegando ao episódio final. Hoje, você também comanda um programa na TV Otimista. O que você achou dessa experiência à frente das câmeras?

Susana – Queria mostrar uma obra de um apartamento em detalhes, o dia a dia, a minha forma de projetar as ideias, o negócio crescendo, as coisas quebrando e fazendo de novo, mudando material. Eu queria que as pessoas entendessem esse contexto e aprendessem mais da obra. Isso foi muito legal e eu nunca pensei que eu fosse gostar tanto. Foi de uma forma muito natural. As pessoas perguntavam se eu já gravava. Não! Mas é tão fácil falar de uma coisa que você que fez desde o começo. Depois de uns meses, eu fui convidada pelo O Otimista para apresentar o Oba, Obra! na TV Otimista. Hoje, a gente tem vários quadros com papos com arquitetos, dicas, indica lojas com novidades de materiais, novas tecnologias, a gente fala sobre vários produtos relacionados com isso e a gente também faz o passo a passo. Estamos fazendo em outras obras mais rápidas.

 

O Otimista – Qual balanço você faz desses 20 anos de carreira?

Susana – Primeiro, preciso agradecer a Deus, acima de tudo. Sem ele, não teria conseguido chegar até aqui. Segundo, ao meu marido, que me apoia desde o início. Eu me sinto em um constate desafio, num aprendizado diário. Eu me sinto como se fosse ainda no meio do processo, sempre aprendendo e tentando melhorar as coisas do escritório, mas eu sinto que elas estão mais redondas mesmo, que a coisa flui mais, e eu acho que isso é da experiência mesmo, de a gente ter uma boa equipe. A maturidade e a experiência trazem muitas vantagens, mas eu olho para frente e vejo que estou me reinventado o tempo todo. Eu vivo num mundo totalmente diferente do que eu me formei, então, eu acho que a minha cabeça é um constate pensamento do que eu posso fazer, de como eu posso melhorar, essa parte agora do marketing digital, se mostrar de uma forma diferente, gerar conteúdo para essas pessoas que estão entrando agora, ensinar para os próprios clientes que muitas vezes não têm experiência. Sinto que eu estou realmente na escola da vida.

 

O Otimista – Em breve você vai assinar uma coluna no O Otimista, na editoria Tapis Rouge. Fala um pouquinho do que é esse projeto.

Susana – Eu vou estar sempre mostrando novos projetos, falando e explicando. Todo mundo passa por uma obra em casa na vida, então vou trazer dicas valiosas, novidades em materiais e tecnologias na arquitetura, decoração e design. Também vou colocar um “Acontece”, porque quero estar sempre mostrando o que está se passando pelo mundo da arquitetura, da decoração, feira em Milão, a CasaCor, eventos do setor. Tudo isso faz parte do meu dia a dia e agora estará à disposição dos leitores do O Otimista.

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