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Severino Ramalho Neto fala sobre os planos de crescimento do Mercadinhos São Luiz

Diretor do Mercadinhos São Luiz explica de que forma a empresa, fundada em 1926, construiu o relacionamento com os clientes ao longo dos anos. No futuro, os planos incluem a expansão para além do Ceará. Atualmente, Severino Ramalho já trabalha pensando na sucessão, mas diz que ainda há muitos objetivos para serem alcançados

Severino Ramalho Neto, diretor do Mercadinhos São Luiz (Foto: Edimar Soares)

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

A carreira do empresário Severino Ramalho Neto está profundamente ligada ao Mercadinhos São Luiz, do qual ele faz parte desde 1977. Tendo passado por todas as funções possíveis dentro da companhia, ele viu a expansão das lojas e do tamanho da empresa no mercado cearense. Atualmente, ele já trabalha pensando na sucessão, mas garante que ainda há muitos objetivos para serem alcançados. “Vamos inaugurar novas lojas, ainda neste ano, e quem sabe, em cinco anos, poderemos ampliar para além das divisas do Estado”, projeta o empresário.

Apreensivo com a crise trazida pela pandemia, Severino Ramalho Neto se diz satisfeito pela maneira como o Mercadinhos São Luiz tem enfrentado a situação, também pela participação de sua equipe. “Nossos colaboradores são constantemente treinados e preparados para os desafios do mercado”, observa o diretor do Mercadinhos São Luiz, que também ocupou o cargo de presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, de 2015 a 2017. Nesta entrevista ao Páginas Vermelhas, ele aborda os detalhes do trabalho da empresa e da importância do setor varejista para a economia e para os consumidores cearenses.

O Otimista – Em mais de um ano de pandemia, como vocês se adaptaram a este momento?

Severino Ramalho Neto – Passado um ano bem diferente, a gente está praticamente recomeçando, com as medidas de proteção sendo reforçadas. Para o setor não muda muito, mas mesmo assim tivemos vários problemas, como alguns setores de algumas lojas sendo fechados. Continuamos torcendo pela vacina, para que se restabeleça o mais rapidamente possível a economia na sua normalidade, e esse absurdo de tantas mortes que temos visto. O setor teve algumas pequenas quedas, nas áreas que dependem mais do auxílio emergencial, mas foi uma queda bem menor, comparada com a economia como um todo.

O Otimista – Com o consumidor mais em casa, de que forma se adaptar às novas necessidades dele?

Severino – As pessoas hoje cozinham mais em casa, e isso muda todo o comportamento das nossas lojas. Sentimos isso no dia a dia, com a busca do consumidor por produtos de maior qualidade, com menos ingredientes, mais naturais. Tem muita mudança de comportamento e a gente tenta acompanhar essas mudanças. Fazemos várias pesquisas, desde perguntar o que mudou na casa das pessoas, perceber o que mudou na nossa casa, como também o comportamento de vendas. Através do CRM (gerenciamento de relacionamento com o cliente), a gente consegue ter informações claras sobre quais são as necessidades que devem ser atingidas.

O Otimista – Apesar de o setor varejista ter sentido menos os efeitos da pandemia, o fato de outros segmentos serem impactados trouxe impactos para vocês também?

Severino – Sem dúvida. O bom é que a economia volte para sua normalidade, que todos possam funcionar. O Mercadinhos São Luiz ganhou algum mercado, durante a pandemia, pela confiança no relacionamento que adquirimos com o tempo, com a nossa clientela. Na hora da dúvida, o cliente preferiu o Mercadinhos São Luiz, entendendo que nossa empresa era confiável e segura. Essa confiança é um dos valores fundamentais para o nosso sucesso de agora, mas isso é algo implantado de anos e anos de relacionamento com o cliente.

O Otimista – Pode-se concluir que as empresas que tinham maior solidez, antes da pandemia, estão conseguindo atravessar melhor esse momento?

Severino – Exatamente. E isso vai além da solidez: é o relacionamento sincero e franco unto com a sua clientela. Valores como transparência, confiança e segurança alimentar foram muito fortes, para quem vende alimentos. Tudo isso apareceu durante a pandemia. Nossas lojas passaram por muitas adaptações, desde a implantação de acrílico separando o atendente do cliente, o distanciamento, a higienização dos carrinhos, a marcação de piso nas lojas. Tomamos todas as precauções para que tivéssemos lojas seguras e uma equipe segura.

O Otimista – O fato de o setor varejista ser essencial facilitou o funcionamento das lojas ou trouxe mais responsabilidade?

Severino – A responsabilidade sempre existiu, mas a gente não sabia que era tanta. Todos os setores que foram considerados essenciais tiveram papel fundamental nesse momento de crise, para que as coisas funcionassem bem, para que as pessoas tivessem alimentação em casa, produtos de higiene e limpeza. É uma responsabilidade gigantesca. Porém, por outro lado, é um momento de muita satisfação poder participar, de levar segurança, alimentos e proporcionar algum tipo de serviço que nos orgulha muito.

O Otimista – De que forma o senhor entrou no setor varejista, ou o setor varejista entrou na sua vida?

Severino – É um misto dos dois. Estou na empresa desde 1977 e, na época, o Mercadinhos tinha apenas três lojas. A empresa foi fundada pelo meu tio, João Melo, e vim a convite dele, na verdade uma intimação… No primeiro período que eu vim, passei férias em Fortaleza, mas ele disse ‘você vem para trabalhar comigo’, e assim eu comecei. Nesse caso, o varejo entrou na minha vida, à força. É meu primeiro emprego, comecei a trabalhar aqui, como empacotador, balconista, passeio por todas as funções dentro da loja. E não tinha tantas opções, era pegar ou largar. E eu peguei e, com o tempo, comecei a aprender, gostar, a me sentir produtivo. E aí veio a carreira.

Severino Ramalho Neto, diretor do Mercadinhos São Luiz (Foto: Edimar Soares)

O Otimista – Quando da sua entrada na empresa, já existia essa visão de crescimento, que vocês têm hoje?

Severino – A visão é a mesma até hoje, vamos vendo oportunidades e abrindo lojas, qualificando os colaboradores. Isso vem desde a época do meu tio. Ele viu a oportunidade de vários mercadinhos, até que em 1989 veio a oportunidade de comprar o Bompreço. Com isso, saímos de lojas menores para lojas bem maiores, entrando no mercado real de supermercados. O nome continuou o mesmo e a política de crescer com segurança, e passos firmes, mas também com qualidade.

O Otimista – E por que manter o nome Mercadinhos São Luiz?

Severino – O nome nunca esteve tão atual, porque todos nós temos o mercadinho na nossa memória, todo mundo tinha um mercadinho na infância, que frequentava. E o Mercadinhos é justamente essa proximidade, é isso que queremos passar para o nosso cliente. São lojas compactas e de vizinhança, convenientes, você passa próximo o tempo todo.

O Otimista – O consumidor daquela época, para o de hoje em dia, mudou muito. De que forma vocês se adaptaram a essas novas exigências?

Severino – É preciso estar muito ligado no que está acontecendo, mas não é tão difícil. É o que acontece com todos nós, que vivemos uma época com muitas mudanças tecnológicas, e com isso vamos percebendo, pesquisando, aproveitando as inovações. Tecnologia, antigamente, era o meio. Hoje é estratégica, é um fim, não podemos trabalhar sem ela. E o Mercadinhos sempre teve isso. Então, não podemos perder o ritmo. E isso garante que, enquanto estivermos ligados no que está acontecendo, estaremos bem.

O Otimista – Qual é sua análise sobre a concorrência no setor?

Severino – Ela é benéfica, é um dos fatores que faz a gente ser tão atuante. Ela bota a gente para correr, ser eficiente. O setor de supermercados talvez seja um dos mais competitivos da economia e é preciso de grandeza, de volume, para estar presente. E a maneira de fazer isso é crescer, é o que nós temos feito. Neste ano, estamos abrindo mais duas lojas, e deveremos abrir mais. Trabalhamos para fortalecer o mercado cearense e deveremos investir ainda muito mais. A nossa nova bandeira, Mercadão, está presente no Crato e em Fortaleza, no RioMar Kennedy, que a gente tem feito um trabalho acreditando nessa marca, temos uma loja com descontos bastante agressivos, e deveremos ter uma expansão significativa dela.

O Otimista – O investimento que o Mercadinhos São Luiz faz em alimentos saudáveis, de que forma começou?

Severino – Essa bandeira começou com a minha filha, Joana Ramalho, de uma percepção dela. De que quando a gente ia em um nutricionista, era preciso ir em vários lugares para comprar as coisas. Ela percebeu nisso uma oportunidade, e trouxe para as nossas lojas. Colocamos os produtos, inicialmente não vendeu nada. E ela viu que, além de vendermos, teríamos que comunicar e fazer as pessoas perceberem as vantagens desses produtos. E assim nasceu o Festival Costume Saudável, que a cada ano ganha uma repercussão maior, reunindo milhares de pessoas para falar sobre hábitos e alimentação saudável.

O Otimista – A empresa também se prepara para a sucessão?

Severino – Sim, a empresa é de 1926. Logo, ela vai estar completando 100 anos. Então, temos alguma experiência com sucessão. Não é simples, mas as coisas são feita naturalmente, e assim vai ser. No centenário, esperamos que o Mercadinhos seja a principal força do setor, dentro do Ceará, com objetivos de continuar crescendo. Vamos continuar fazendo o nosso dever de casa. O Ceará é o nosso primeiro foco, queremos estar presente em Fortaleza como um todo, mas também pensamos em Nordeste. Talvez daqui a cinco anos.

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