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José Sarto Nogueira – Recuperação econômica e empreendedorismo como metas

Nesta entrevista especial, publicada no dia em que a TV Otimista faz aniversário de 1 ano, o prefeito de Fortaleza projeta a Cidade para o pós-pandemia, enfatiza a retomada do cronograma de obras, destaca o programa de microcrédito e reforça a grande aposta da gestão: transformar o Município na capital nacional do mercado digital

(Foto: Brian Dutervil)

Erivaldo Carvalho
erivaldocarvalho@ootimista.com.br

Nathália Bernardo
nathalia@ootimista.com.br

Ao longo destes dez primeiros meses de administração, o experiente José Sarto Nogueira (PDT) precisou manter o foco nas crises sanitária e econômica, trazidas pela covid-19. Agora, com fortes sinais de que a pandemia está, finalmente, arrefecendo, quais os ajustes, prioridades e caminhos?

Estes e vários outros pontos, como ordenamento urbano, relações com a iniciativa privada e temas políticos, foram abordados nesta entrevista especial, de aniversário de 1 ano da TV Otimista. A seguir, os melhores trechos:

Otimista – Até agora, a agenda da gestão foi dominada pela pandemia, mas parece que estamos saindo desse caos. O que vai ser a gestão Sarto daqui para frente?
José Sarto – Desde o início da gestão, a gente teve que dedicar todos os esforços para o combate à covid. Recentemente, lançamos um programa em parceria com o Governo do Estado de abertura de microcréditos para mulheres chefes de família, o Nossas Guerreiras. Vai destinar R$ 55 milhões para as moradoras da periferia que não têm renda. Um microcrédito de até R$ 3 mil, com seis meses de carência e 30 meses para pagar, sem juros. Além disso, vamos oferecer capacitação e consultoria para o ano após o crédito ser quitado. O foco, agora, é a retomada econômica.

O Otimista – Como está sendo pensada a gestão para o pós-pandemia, em cronograma de obras e metas para os próximos três anos?
Sarto – Já retomamos o calendário de obras. Entregamos sete Centros de Educação Infantil, sete Areninhas e grandes poligonais no Parque Santa Rosa e Canindezinho. Estamos revigorando a orla, desde a Barra do Ceará, vindo pela avenida Beira Rio, Vila do Mar, Praia de Iracema e Beira Mar. Autorizamos a chamada de 213 profissionais do IJF, abrimos mais leitos, reformamos hospitais e construímos escolas de tempo integral. Agora, claro, será possível dar continuidade a todo o cronograma, com muito mais celeridade.

O Otimista – A pandemia não acabou. Há previsão de desobrigação de máscaras e de permitir grandes eventos, a exemplo do Réveillon e Carnaval?
Sarto – No Ceará foi criado, por iniciativa do governador Camilo Santana, o Comitê de Gerenciamento de Crise, que se reúne duas vezes por semana, e também temos o Comitê Municipal. Todas as decisões que nós tomamos, seja preservar o uso da máscara, seja liberar o quantitativo para a realização de eventos em um determinada área, é avaliada por esse grupo que reúne diversas entidades. Nos baseamos em critérios que sejam norteadores sanitários. Se eles apontarem para essas flexibilizações, vamos optar por seguir a orientação de quem tem expertise para isso.

O Otimista – As vacinas são adquiridas pelo Ministério da Saúde e o Governo do Estado também buscou suas próprias aquisições. A compra direta do imunizante é um caminho que o Município pode seguir?
Sarto – Nós pactuamos com o governador Camilo Santana que havendo necessidade, a gente adquire. Hoje, recebemos a liberação do Ministério da Saúde e aplicamos assim que recebemos.

(Foto: Brian Dutervil)

O Otimista – Como a pandemia impactou o Fortaleza 2040, no planejamento da Cidade, e como está sendo ajustado?
Sarto – Esse é um plano projetado no início da gestão do ex-prefeito Roberto Cláudio, que idealiza um cenário de cidade em 2040. Ele perseguiu as metas e nós estamos dando continuidade. Entretanto, esses dois anos de pandemia retardaram algumas ideias que o Fortaleza 2040 colocou no papel, principalmente a redução das desigualdades. A gente não consegue reduzir desigualdade se não tiver, por exemplo, uma melhor distribuição de renda ou sem melhores condições de habitação.

O Otimista – Quais são os projetos da Capital, que tem um laboratório na área, para se desenvolver em termos de inovação?
Sarto – Nós temos um sonho bem ousado, que é tornar Fortaleza líder da economia digital no País. O programa Juventude Digital envolve jovens em três eixos: Ensino Fundamental, Mercado e Games. Este ano, vamos capacitar 4 mil jovens. Em 2022, serão 12.500 e até o ­ m da minha gestão quero capacitar 40 mil. Esse mercado estará superaquecido.

O Otimista – É por este caminho que será construída a marca da sua gestão Sarto?
Sarto – É por aí. Garantir o que Roberto Cláudio já tão brilhantemente fez na mobilidade. E além da questão da economia digital, quero tornar as escolas públicas e os nossos Cucas bilíngues.

O Otimista – A agenda da gestão é positiva, mas o cenário econômico está muito desfavorável. Como está o caixa da prefeitura para fazer tudo isso?
Sarto – Tivemos queda muito significativa de receita no primeiro quadrimestre, mas a economia de Fortaleza foi a que mais cresceu no Norte e Nordeste durante a pandemia. A expectativa é continuar assim.

O Otimista – A pandemia impacta a empregabilidade, com aumento da informalidade. Como a gestão está conciliando esse gargalo com o necessário ordenamento urbano, a partir, por exemplo, da feira da José Avelino?
Sarto – É um verdadeiro desafio. De um lado, a área formal, que paga impostos, exige o ordenamento urbano e, do outro, aquele trabalhador que sai de casa em busca de ganhar o pão de cada dia, de maneira informal. A feira da José Avelino é uma complexidade que já atravessou quatro mandatos, Proteção alimentar e proteção à vida são imperativos.

O Otimista – A Prefeitura lançou, ainda na gestão de Roberto Cláudio, um plano de concessões de equipamentos públicos para a iniciativa privada. Sua gestão pretende dar continuidade?
Sarto – Vamos dar continuidade aos planos de Roberto Cláudio, sim, como as parcerias público-privadas. Todos os investimentos em parceria com a iniciativa privada, que puderem acontecer, serão feitos. Vamos continuar com essas operações urbanas consorciadas.

O Otimista – O senhor elogia o ex-prefeito Roberto Cláudio e ele foi um forte apoiador do senhor na campanha eleitoral. Isso indica uma possível reciprocidade na disputa do ano que vem, dentro do PDT?
Sarto – O candidato que vier do partido terá o meu apoio. Minha trajetória não permite veleidades emocionais. Quando faço referência ao Roberto Cláudio, é porque realmente acompanhei a vida de Fortaleza após a redemocratização. Ele foi o melhor prefeito da história da Cidade de Fortaleza. Mas é o partido que tem de definir. Depois, é conversar com o arco de alianças necessárias para isso. A gente tem essa noção de grupo.

O Otimista – Que avaliação o senhor faz da CPI da Covid?
Sarto – Eu tenho algumas reservas com a politização de CPIs. Não é o caso desta, mas os dados que o Brasil reúne, em relação ao número de mortes, por exemplo, é absurdo. Poderíamos ter salvado mais vidas. Bastaria conversar. O governo central desprezou a opinião dos governadores, politizou o uso de alguns fármacos e isso foi muito danoso. Houve uma falta de coordenação uni­ cada e centralizada.

O Otimista – Como está a relação da gestão Sarto com o setor privado de Fortaleza?
Sarto – Tenho uma ótima relação, desde o princípio, com as instituições que representam o setor produtivo de Fortaleza. Diversas reuniões com CDL, Fecomércio e Fiec, com uma relação sempre muito cordial e frequente. Todos os líderes de classe têm trânsito aberto.

O Otimista – E com a Câmara Municipal, o senhor que foi polido no Parlamento, como está essa relação?
Sarto – É um dos melhores relacionamentos que eu imagino. Compreendo que temos oposições ideológicas, setoriais, corporativas, o que é natural. E a gente entende esse contexto de algumas especificidades do Poder Legislativo. Da Câmara, tenho tido o melhor acolhimento possível. Inclusive, diversas vezes, projetos que enviamos para a Casa são melhorados. Nós temos acolhido todas essas construções que visam melhorar mensagens que a gente manda pra lá.

 

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