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Os planos políticos do presidente do União Brasil no Ceará

O deputado federal e presidente do União Brasil-CE é pré-candidato ao Governo do Estado / Robyson Alves

Dividido entre a organização do partido no Ceará e a pré-candidatura ao Governo do Estado, o deputado federal comenta a expectativa de ampliação das bancadas parlamentares, analisa alguns pontos da gestão estadual e diz esperar debate local e propositivo em 2022. “Quem vai governar o Ceará é o candidato do Estado, não é Bolsonaro nem Lula”, afirma

 

Erivaldo Carvalho
politica@ootimista.com.br

Wagner Sousa Gomes é capitão da Polícia Militar do Estado do Ceará. Bacharel em segurança pública, é professor de cursinho. Foi vereador de Fortaleza e deputado estadual. Atualmente, é parlamentar federal.

Capitão Wagner levou, por duas vezes, a eleição municipal da Capital para o segundo turno: em 2016, quando foi reeleito o então prefeito Roberto Cláudio e, em 2020, contra o atual chefe do Executivo, José Sarto.

Capitão Wagner preside, no Ceará, o União Brasil, partido pelo qual é pré-candidato a governador do Estado. Nesta conversa com O Otimista, o deputado federal fala dos planos políticos para 2022. A seguir, os melhores trechos.

O Otimista – Licenciado do mandato, o senhor está organizando o União Brasil no Ceará e tratando de eleição. Como estão as duas frentes?
Capitão Wagner – São, realmente, dois grandes desafios. O partido tem cinco deputados federais e quatro estaduais. Estamos com um time muito bom. A perspectiva é que possamos pelo menos repetir o número de deputados federais e aumentar a nossa bancada de estaduais para seis ou sete. É um partido grande no Ceará. Acredito que no pós-eleição será maior ainda. Nosso nome foi colocado para a disputa do Governo do Estado e esse, sim, é o maior desafio da minha vida.

O Otimista – Qual sua expectativa sobre a eleição proporcional?
Wagner – Temos novos nomes que vêm para a disputa. A Fernanda Pessoa, que é deputada estadual, está vindo para federal, assim como o deputado Soldado Noélio e o Julierme Sena, que é vereador, além do Pastor Pedro Ribeiro. Nossa chapa está muito bacana e representa diversos setores. Temos mulheres qualificadas para o debate, de representante dos pescadores a representante do desenvolvimento econômico do Estado. Temos representantes da igreja, segurança, saúde e educação, em quantidade muito boa. Serão 47 candidatos a deputado estadual e 23 a federal, sendo nomes extremamente qualificados.

O Otimista – O União Brasil recebeu, no Ceará, o maior número de filiados com mandato. A que o senhor atribui o resultado?
Wagner – O partido tem uma candidatura majoritária. Isso atraiu muita gente, assim como o PL em nível nacional. Vamos disputar com muita força o Governo do Estado. Isso fez com que o partido saísse de um deputado federal para cinco.

O Otimista – Qual a avaliação do senhor sobre a bancada do Ceará com Brasília?
Wagner – Em tudo que é de interesse do Estado, esquecemos a política local e as diferenças partidárias. Partimos em defesa do Estado. Tanto que conseguimos alocar muitos recursos aqui no Ceará. A conclusão da transposição do Rio São Francisco foi uma grande vitória. Tivemos, recentemente, a inauguração, em Caucaia, de uma obra que vai garantir o abastecimento de água para toda a Região Metropolitana, especialmente Caucaia, Maracanaú e Maranguape. Foram R$ 66 milhões de dinheiro do Governo Federal. O Anel Viário está com dificuldade porque quem está fazendo é o Governo do Estado. Mas o recurso para a obra está garantido.

O Otimista – O grupo político que está no Governo do Estado faz oposição ao que está no Governo Federal. O senhor afirma que não há distinção no tratamento?
Wagner – Sem dúvida nenhuma. Afirmo sem qualquer ressalva. Quando se trata do Estado do Ceará, a bancada se une para defender esses interesses. Tanto que o Ceará tem sido beneficiado na hora de buscar financiamentos. O Estado tem muitos empréstimos junto a organismos internacionais. Em nenhum momento vimos a bancada de oposição querer se opor a uma votação que garante recurso.

O Otimista – O então governador Camilo Santana cobrava da oposição mais recursos federais para obras estaduais. Como o senhor direcionou suas verbas?
Wagner – No primeiro ano, 2019, ajudamos o Governo do Estado enviando recursos para a segurança pública e saúde. O governador chegou a me agradecer, em 2020. Na pandemia, destinei, de recurso individual, R$ 5 milhões para ajudar o Governo do Estado a comprar tudo aquilo que era necessário. Mas, em 2021, quiseram direcionar todos os recursos da bancada para o Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza. Imagine a Prefeitura de Umari, Tarrafas, Aurora e diversas outras verem a bancada cearense esquecer os municípios menores. Eu fui contra. Lutamos muito para ajudar também os pequenos municípios, inclusive da base aliada.

O Otimista – Como o mandato de deputado do senhor interage com suas candidaturas majoritárias?
Wagner – Nos primeiros anos de mandato, meu foco era viabilizar minha candidatura a prefeito de Fortaleza, em 2020. Por conta disso, fiquei na Região Metropolitana. Depois das eleições municipais, fiquei mais presente no Interior. Então, é natural que as pessoas venham pedir ajuda. Tentamos atender a essa demanda. Alguns municípios ficaram muito satisfeitos. Isso acaba reverberando no processo eleitoral. Nossa presença ter surtido resultado positivo.

O Otimista – Qual foi o tratamento do Governo Federal ao Ceará no combate à covid?
Wagner – Vamos pegar uma instituição isenta, o Tribunal de Contas do Estado. O tribunal disse que, em 2020, o Governo Federal, somente para o nosso Estado, alocou R$ 2,1 bilhão para o combate à pandemia. Mas, infelizmente, R$ 1 bilhão foi destinado para outros fins. Foi feita uma investigação. Tiraram dinheiro do combate à covid para folha de pagamento. Houve desvio nesse sentido.

O Otimista – E em relação à Prefeitura de Fortaleza?
Wagner – O Governo do Estado comprou respiradores através do Consórcio Nordeste. Houve crime. Está sendo investigado pela Polícia Federal. Houve superfaturamento e não-entrega do que foi comprado. Depois de nossa denúncia, parte desse dinheiro foi devolvida. Mas, hoje, os cofres públicos de Fortaleza continuam com prejuízo, porque o dinheiro não foi devolvido na sua totalidade. Estamos acompanhando. A CGU fez alguns apontamentos. A Polícia Federal realizou algumas apurações. Em relação ao hospital de campanha do PV, já ficou claro que houve corrupção, desvio de recursos e pagamento duplicado pelo mesmo serviço.

O Otimista – Por que esses casos não entraram no radar da CPI da Covid, que funcionou ano passado, no Senado?
Wagner – A CPI teve um foco muito grande no Governo Federal. Não desceu para estados e municípios. Agora, vimos uma operação da Polícia Federal em cima do Consórcio Nordeste. Foi feita uma CPI na Assembleia do Rio Grande no Norte. Lá, foi descoberta uma série de irregularidades na compra de respiradores. Muitas irregularidades foram apontadas.

O Otimista – Episódios do tipo serão motes na disputa ao Governo do Estado?
Wagner – Estarão em todos os estados no Nordeste. Muitos governadores se envolveram nessas aquisições e é natural que isso faça parte do debate.

O Otimista – O que deveria ter sido feito para evitar?
Wagner – Por incrível que pareça, alguns estudos ainda apontam o Ceará como um dos estados que têm certa transparência. A  gente tem que reconhecer isso. Mas, também, sabemos que muitas vezes as parcerias acabam tirando dinheiro da gestão pública e levando para outras instituições. Isso dificulta um pouco a fiscalização. A gente precisa ter mais transparência. Precisamos ter uma definição mais clara de qual é a atribuição de cada órgão.

O Otimista – Qual a avaliação do senhor sobre a CPI na Assembleia, que investiga associações militares?
Wagner – A própria imprensa e integrantes da esquerda já disseram que a CPI é totalmente equivocada. O Ministério Público já fez uma investigação. Ao final, resolveu arquivar o inquérito, em virtude de as associações não terem, de forma nenhuma, financiado o movimento. Sabemos que empurraram a CPI para perto das eleições na tentativa de criar algum desgaste. A CPI que as pessoas querem ver, de fato, é a CPI da Enel. O agricultor vai pagar 32% a mais pela energia elétrica. Na Capital, nossa conta vai chegar 24% mais cara. O Governo Federal tirou a bandeira vermelha e a Aneel autorizou um reajuste absurdo como esse. É isso o que as pessoas querem ver. Ou uma CPI que investigue facções e o crime organizado. Nós apoiamos.

O Otimista – Como está a segurança pública no seu programa de governo?
Wagner – Não dá pra falar de segurança pública apenas como repressão. Todas as cidades que venceram a guerra contra o crime, implementaram medidas de repressão e de assistência social. Hoje, o Ceará tem 700 mil jovens que nem estudam nem trabalham. O IFCE me disse, recentemente, que existem cerca de 250 mil vagas de emprego na área tecnológica e que o instituto tem condições de capacitar esses jovens para colocá-los no mercado de trabalho, com salário de até R$ 7 mil iniciais. É algo muito atrativo. É o tipo de solução que queremos implementar no nosso governo. Claro que precisamos de uma polícia bem equipada e treinada, com o bom policial sendo valorizado e o policial envolvido com o crime demitido e cumprindo pena. A polícia tem que ter toda a estrutura necessária para apresentar seu trabalho. Mas só a polícia não resolve, se não tivermos condições de gerar emprego, renda e oportunidade. O caminho para o sucesso é esse.

O Otimista – O Governo do Estado diz que nunca se investiu tanto em segurança.
Wagner – Vamos dizer que aqui uma pessoa recebe seu salário e tem suas prioridades. Se o quarto do filho tem um problema e a pessoa está com vontade de trocar o carro, tem que priorizar. Há gastos em segurança pública. Eu não disse “investimentos” porque não trouxe retorno. Não há prioridade no Ceará. Por mais que se gaste muito em segurança pública, a gente não está encontrando o resultado que a população quer, que é a redução da violência, homicídios, expulsão das pessoas de suas casas e extorsão aos comerciantes. É muito grave o que está acontecendo. E, mais grave ainda, é o Estado tentar tapar o sol com a peneira. Se não consegue resolver o problema sozinho, tem que pedir ajuda do Governo Federal, da Força Nacional de Segurança, Forças Armadas e Polícia Federal. Se eu for governador e verificar que não dá pra resolver sozinho, eu vou pedir ajuda ao Judiciário, Legislativo e Governo Federal. Temos que ter humildade para reconhecer.

O Otimista – Como esse diagnóstico se desdobra em propostas?
Wagner – Temos os foragidos da polícia, mas precisamos ter os foragidos do Estado. O primeiro vai ao atendimento à saúde e consegue consulta, exame, cirurgia, se matricula em faculdade e entra na Assembleia Legislativa. Tudo isso sem ser preso, porque não há comunicação entre os órgãos públicos. A minha proposta, usando a mesma estrutura de tecnologia que hoje existe no Ceará, sem precisar comprar nenhum equipamento, é fazer o cadastro facial de todos os cearenses. Porque através disso, com a face do bandido cadastrada no sistema, se ele tem um mandado de prisão em aberto, ele vai ser preso na hora. O bandido, sabendo que, ao procurar um prédio público, pode ser identificado, ou se entrega ou vai para outro Estado. É como o que a PRE faz com os veículos. Hoje temos cerca de 600 policiais da PRE com foco na fiscalização de trânsito. No meu governo, isso vai ser diferente. Estes policiais vão combater o crime. Os postos da PRE estão nas rodovias estaduais, que muitas vezes são utilizadas como rota de fuga do crime. Pensamos em utilizar esses policiais para fazer o combate ao crime organizado, ao invés de ficar somente na fiscalização de trânsito.

O Otimista – Como está o planejamento da pré-campanha?
Wagner – Estou me dedicando, integralmente, à construção do plano de governo e à formação de equipes. Estamos trabalhando na economia, educação, saúde, segurança pública e todas as outras áreas. Vamos apresentar propostas com mais intensidade nessa campanha.

O Otimista – Os governistas dizem que há um projeto em andamento. Que outro modelo o senhor propõe?
Wagner – Estamos cercados de técnicos, administradores, economistas e acadêmicos, que vão nos ajudar não só a construir um plano de governo, mas também colocá-lo em prática quando vencermos a eleição. Nos preocupamos muito em ter um time capaz de conduzir essa máquina gigantesca. Temos que mudar o direcionamento. Os dois órgãos mais eficientes do Ceará se chamam Sefaz e Detran. Essa mesma eficiência era para ser replicada na educação, saúde e  segurança, por exemplo. É isso o que está faltando. Temos que remodelar essa estrutura, para uma gestão eficiente e enxuta. O Estado tem 117 dotações orçamentárias. Imagine a quantidade de dinheiro que se gasta com essa estrutura. Vamos diminuir, para sobrar dinheiro para investir nas pessoas.

O Otimista – Qual formato de orçamento do Estado o senhor propõe para colocar no lugar do que vem sendo executado?
Wagner – Vamos aproveitar espaços que já existem. É muito mais inteligente do que sair construindo, sem saber se vai funcionar. O maior exemplo de ineficiência e de falta de planejamento é o Aquário de Fortaleza. Uma obra que, se concluída for, vai custar R$ 500 milhões aos cofres públicos, quando lá no Rio de Janeiro foi construído um aquário com R$ 100 milhões da iniciativa privada. Existem algumas atividades em que não adianta o Estado se meter. O Estado tem que, essencialmente, se preocupar com saúde, segurança e educação, os três pilares do serviço público.

O Otimista – O Ceará é um Estado rico com o povo pobre?
Wagner – Essa afirmação de que o Estado é rico é porque arrecada muito, mas gasta mal. Vou citar dois exemplos. Gastaram R$ 36 milhões para fazer a reforma do estacionamento do Palácio da Abolição. Ao mesmo tempo, foram destinados R$ 35 milhões para fazer o saneamento básico de todo o bairro Bom Jardim. Olha o desequilíbrio. Em 2021, foram pagos para aparar o gramado do Palácio R$ 2 milhões. Aí nos deparamos com cenas onde mulheres estavam brigando, no caminhão do lixo, para tentar pegar um resto de alimento para levar até a família.

O Otimista – O senhor, vindo a ser governador, faria o que com o Palácio da Abolição?
Wagner – Anexa ao Palácio da Abolição tem a casa do governador, com 100 funcionários. Isso não vou utilizar. Estes 100 funcionários serão utilizados para atender as famílias carentes que moram ao redor e encaminhá-las para o mercado de trabalho.

O Otimista – Que bandeiras estão na sua pauta, em Brasília?
Wagner – Aprovamos um projeto em que tive, acima de tudo, coragem de relatar. Quando chegou à Câmara a MP 885, que trata do confisco de bens de traficantes, havia uma discussão entre os deputados de “quem é doido de pegar um projeto que vai mexer com o tráfico, facções e etc?”. Conseguimos melhorá-la. Coloquei que o dinheiro arrecadado a partir da venda desses bens deveria ser destinado não só para as polícias combaterem o tráfico de drogas, mas também para comunidades terapêuticas que recuperam usuários de drogas e até na educação preventiva. Só aqui, no Ceará, ano passado, o Estado recebeu R$ 25 milhões provenientes desse fundo. E tem o famoso caso onde mataram o Gegê do Mangue. Utilizaram um helicóptero para matar o criminoso. Aquele helicóptero hoje faz parte do acervo da Ciopaer, por conta desse projeto que nós aprovamos, de nossa autoria. Ano passado, um avião turco foi apreendido no aeroporto com 1.200kg de cocaína. Agora, está para ser doado à Polícia Rodoviária Federal, também por conta desse projeto. De acordo com o projeto, a polícia que efetuar a apreensão do bem tem prioridade em receber.

O Otimista – Alguma demanda de pessoa ou localidade foi aproveitada em seu mandato?
Wagner – Todas as ideias que pegamos, redesenhamos e implementamos como projeto de lei, não só foram aprovadas, mas tiveram grande sucesso. Por exemplo, tenho uma relação muito bacana com instituições que cuidam de pessoas com autismo. Nas conversas que tive com essas instituições, percebemos que havia uma grande reclamação dos pais sobre a falta de uma carteira de identificação, para dizer que aquela criança é autista. Muitas vezes há constrangimento em uma fila de banco, por exemplo. As pessoas não entendem que pais com criança autista têm direito ao atendimento prioritário. Mas, como não dá para ver a condição, a carteira se faz essencial nesse caso. Foi um projeto aprovado em Brasília.

O Otimista – O que o senhor propõe para a juventude do Ceará?
Wagner – Eu tinha 15 anos quando entrei na Escola Técnica Federal do Ceará, num curso de eletrotécnica, de quatro anos. Já durante o curso, tive a oportunidade de estagiar em algumas empresas. Minha carteira foi assinada pela Têxtil Bezerra de Menezes quando eu tinha 17 anos. Essa oportunidade fez a diferença no meu futuro. Tenho amigos que não tiveram a mesma oportunidade. Alguns, infelizmente, foram presos, outros foram mortos em confrontos do crime organizado. A educação me salvou. Não vejo ferramenta mais fácil de ter resultado do que a educação. Especialmente, educação profissionalizante, que capacita e insere no mercado de trabalho. O jovem é muito ansioso pelo futuro. Ele quer saber o que vai ser quando crescer. Na faixa etária entre 14 e 17 anos, está vivendo um turbilhão de indefinições. Ter a oportunidade de entrar em um curso técnico faz a grande diferença. A gente tem que elogiar o Estado, com a grande estrutura de escolas profissionalizantes espalhadas por todo o Ceará. Mas faltam cursos que atraiam os jovens, que são atraídos por tecnologia. Se a gente oferecer cursos nessa área, vamos entupir essas escolas de jovens. O caminho para vencermos essa questão econômica, social e da violência é investir em educação e capacitação dos jovens.

O Otimista – Como está a educação no Ceará, hoje governado pela educadora Izolda Cela?
Wagner – A gente deseja sorte para a governadora que acabou de assumir. Ainda não dá para avaliar a gestão. O que pudermos fazer para ajudar, como ajudei na época em que Camilo era governador, estou à disposição. O Ceará hoje é uma referência nacional na educação básica, aquela que é de responsabilidade das prefeituras. As prefeituras cearenses estão de parabéns, porque é um resultado que chama atenção nacionalmente. Quando vamos para a política de educação do Estado, que é o Ensino Médio, pegamos os últimos dados divulgados, que são de 2019, de um exame chamado Spaece onde está claro que de todos os jovens que estão no Ensino Médio, apenas 11% têm nota satisfatória em matemática e 15% em português. Não posso achar um resultado desse bom. É péssimo. Hoje, nossos jovens estão entrando na faculdade sem saber ler e escrever direito. Recentemente, vi o ex-governador parabenizando os alunos cearenses que foram aprovados no ITA, onde o Ceará sempre é destaque, assim como no IME. Mas são alunos de escolas particulares. As escolas públicas de referência que temos em Ensino Médio são a antiga Escola Técnica Federal, que hoje é o IFCE, o Colégio da Polícia Militar e algumas outras escolas públicas. São poucas exceções de excelência, que têm que ser replicadas em todo o Estado.

O Otimista – Qual sua expectativa sobre a campanha? Haverá mais debate ou discussão ideológica?
Wagner – Estou muito preocupado com essa eleição. Esperamos que o debate seja argumentativo, não seja agressivo como temos visto nas redes sociais, até pelo posicionamento de muitos políticos. Claro que vai ser um debate intenso. Mas, passada a eleição, minha missão vai ser unir o Ceará. Chamar todo mundo que possa contribuir na saúde, educação e segurança. Aproveitaremos os projetos exitosos que foram iniciados na atual gestão. Daremos andamento a eles. Concluiremos as obras. Temos que dar continuidade àquilo que é bom. O que não é, vamos remodelar. Espero que o debate, seja com quais forem os candidatos, tenha um alto nível. Em 2020, tivemos um debate muito diminuto, por conta da pandemia. Poucas redes de televisão conseguiram fazer debate. Que neste ano tenhamos muitos debates, para que os candidatos possam se expressar, apresentar seus projetos e que cada um entenda que eleição nacional é uma, e local, é outra. Quem vai governar o Ceará é o candidato do Estado, não é Bolsonaro nem Lula. Não posso brigar por uma questão nacional sem colocar como prioridade a questão local. Primeiro, tenho que cuidar da minha casa para, depois, discutir a questão nacional. Formaremos uma frente ampla de oposição. Todos que quiserem contribuir com esse projeto serão acolhidos, seja qual for o viés ideológico.

 

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