Economia

Turismo ganha força no Ceará, mas casos de covid-19 e gripe deixam setor em alerta

De janeiro a novembro de 2021, atividades turísticas cresceram 19% no Estado, diz o IBGE. Hotéis de Fortaleza esperam fechar este mês com ocupação de 72,5%, segundo a ABIH-CE. Mas setor acompanha situação sanitária com atenção

Movimentação turística deve seguir intensa em Fortaleza até o fim de fevereiro (Foto: Edimar Soares)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

Após as festas de fim de ano, a primeira quinzena de janeiro segue aquecida para o turismo de Fortaleza, com movimentação intensa de visitantes. Segundo projeção da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (ABIH-CE), a cidade deve fechar este mês com taxa de ocupação média de 72,5%, reforçando o processo de recuperação da atividade no Estado. Porém, o atual surto de gripe no País, em razão do vírus influenza H3N2, e aumento dos casos de covid-19 deixa o setor em alerta.

Embora a taxa de ocupação hoteleira na Capital ainda esteja longe da movimentação registrada no cenário pré-pandemia – em janeiro de 2019, o índice foi de 79% -, o número deste mês de alta estação está bem melhor que o observado em igual período do ano passado (55%).

“Não esperávamos chegar em janeiro e vivenciar esse momento conturbado. A expectativa era de mais tranquilidade, com vacinação em alta, e melhores resultados. Não estamos na situação ideal, mas devemos seguir trabalhando com os mesmos cuidados de sempre, seguindo todos os protocolos de segurança contra o coronavírus”, destaca Régis Medeiros, presidente da ABIH-CE.

O secretário do Turismo do Estado, Arialdo Pinho, reforça que o Governo do Ceará e empresários estão trabalhando de forma que o setor continue evoluindo. De outubro para novembro, por exemplo, as atividades turísticas cresceram 1% no Ceará, acumulando avanço de 19% em 2021. No País, os números foram 4,2% e 21,1%, respectivamente, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Hotéis, pousadas e demais estabelecimentos do Ceará só podem e devem receber turistas vacinados e com a devida comprovação, o passaporte de vacinação. Estamos com boa taxa de ocupação na rede hoteleira, intensa movimentação nos estabelecimentos, tudo ocorrendo dentro do esperado. Fortaleza é o destino do Nordeste mais seguro para o turismo, que exige rigorosamente o cumprimento dos protocolos”, afirma o secretário. Para ele, o Estado não corre risco de enfrentar novo lockdown.

A respeito da recuperação do setor, o secretário diz que é preciso tempo. “Temos que olhar para frente, trabalhar e buscar a retomada cada vez mais rápida do turismo. Os meses de janeiro e fevereiro são muito bons. Depois, a tendência é fortalecer a partir de junho. As perdas de um ano e meio de pandemia não podem ser recuperadas rapidamente”, reforça.

Receio

Na avaliação do economista e membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida, o receio de novas transmissões, principalmente por covid-19, afeta toda a cadeia econômica nacional. Ainda mais em importantes destinos turísticos do Brasil, como Fortaleza. “Esperamos que tudo seja contornado para não corrermos o risco de novas restrições às atividades”, observa, lembrando da importância do turismo para o Estado. “É um setor que movimenta a economia cearense de forma muito acentuada, por isso, sente muito o impacto da pandemia”.

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, ressalta que a cadeia do turismo cearense não suportaria novas restrições. “Tivemos uma melhora clara no ano passado, na comparação com 2020, embora os números ainda estejam aquém do período pré-pandemia. Estamos vendo esse cenário com cautela e preocupação, porque, pelo histórico da pandemia, o Ceará tem sido mais restritivo em relação a outros estados”, acrescenta.

 

 

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