Economia

Número de reclamações contra empresas de telefonia móvel cai 17,3% no Ceará em 2021

No ano passado, foram registradas 31.686 queixas de consumidores cearenses junto à Anatel, contra 38.360 em 2020. A queda no Estado ficou abaixo da média nacional (-20,2%). Empresas do setor atribuem resultados a aumento nos investimentos

Apesar da queda no total de queixas, serviços das operadoras ainda podem melhorar no Brasil (Foto: Edimar Soares)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

Os consumidores cearenses estão mais satisfeitos com os serviços das operadoras de telefonia móvel. No ano passado, por exemplo, o número de reclamações do segmento caiu 17,3%. Foram registradas 31.686 queixas junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), contra 38.360 em 2020. A queda no Ceará ficou abaixo da média nacional. No Brasil, o total passou de 1.403.272 para 1.119.511 em igual período, redução de 20,2%.

“Isso se deve, principalmente, aos recursos aplicados em fibra ótica para reforçar a rede móvel. Além disso, há variedades macroeconômicas ligadas ao setor de telecomunicações, como aumento de investimentos e geração de emprego. A maior capacidade de fusão e de inovação por meio de novas tecnologias também contribui”, diz Desirée Mota, membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE). “Outro ponto foi a aproximação das empresas com o cliente, por meio do marketing de relacionamento, utilizado como ferramenta para fidelizar esse consumidor”, acrescenta a economista.

Na avaliação de Mara Gonçalves, professora da rede estadual de ensino, o serviço melhorou um pouco, mas ainda deixa a desejar. “Em tempos de pandemia, precisamos muito da tecnologia e o serviço do celular é fundamental, seja para quem trabalha ou para quem quer estreitar as relações em razão do isolamento social. Notei melhoria no ano passado, mas a conexão das ligações e da internet ainda pode evoluir muito”, observa.

Prestação de serviço

Por situações como essa, a advogada Cláudia Santos, presidente da Comissão de Defesa do Direito do Consumidor da OAB Ceará, acredita que os dados da Anatel não querem dizer que, necessariamente, o serviço das operadoras de telefonia melhorou em 2021. “Os serviços de telefonia sempre constam entre os mais reclamados nos rankings de queixas do consumidor. Se fizermos uma análise, há grande quantidade de pessoas que reclama, principalmente com relação às cobranças indevidas e o serviço sem qualidade”, destaca.

Para ela, os serviços de telefonia móvel ainda têm muito a melhorar no Brasil. “Falta transparência na relação de consumo. As operadoras deixam muito a desejar, mesmo diante da queda no número de reclamações. Por isso, o consumidor não pode nunca deixar de recamar, pois quem pode modificar essa relação é o consumidor. Ele tem o poder em suas mãos. É ele que vai dizer onde quer gastar o seu dinheiro e tem o legítimo direito de reclamar quando o serviço não é prestado com qualidade, eficiência e transparência. Se não resolver, que busque o Judiciário, caso tenha envolvidos danos morais ou materiais”, disse.

Investimentos

De acordo com a Conexis Brasil Digital, associação que reúne empresas como Vivo, Claro e TIM, a redução se deve aos investimentos feitos nos últimos meses pelas operadoras. De janeiro a setembro de 2021, o setor investiu R$ 25,5 bilhões, avanço de 4,8% em relação a igual período de 2020. “Há um esforço contínuo em expandir e melhorar as opções de autoatendimento, seja através de app ou site, assim como o uso de inteligência artificial e chatbots nos contatos com os consumidores”, afirma.

 

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