Economia

Quatro entre dez consumidores do Nordeste querem comprar imóvel

Índice observado na Região supera a média nacional (35%), de acordo com pesquisa feita pela Abrainc e Brain Inteligência e Estratégia. Entre os motivos para a busca de imóveis, estão investimento, sair do aluguel ou simplesmente ter um novo lar

Segundo a pesquisa, 47% dos consumidores do Nordeste optam por apartamentos (Foto: Beatriz Bley)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

Quatro em cada dez moradores dos estados do Nordeste estão em busca de um novo imóvel, seja para investimento, sair do aluguel ou simplesmente ter um novo lar. Os dados são de pesquisa feita pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e Brain Inteligência e Estratégia. A pesquisa revela que o interesse do consumidor nordestino é de 40%, superior à média nacional (35%).

Além disso, o levantamento também destacou que 47% dos nordestinos optam por apartamentos, enquanto 41% preferem por casas ou sobrados, enquanto 19% desejam imóveis em condomínio fechado (19%) ou terrenos (11%).

Para o mês de junho, por exemplo, o mercado imobiliário cearense vive a expectativa de lançar empreendimentos na praia. É o caso do Mandara By Yoo (Marquise/Cyrela) e Beach Ville (Dias de Sousa), ambos localizados no Porto das Dunas, em Aquiraz. A soma desses dois empreendimentos superam a marca de R$ 500 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), segundo a Lopes Immobilis.

“Com a pandemia, tivemos uma paralisação nos lançamentos, quando já havia diminuição considerável de estoques. Agora, existe uma demanda reprimida muito forte por imóveis de todos os padrões, principalmente, médio e alto. Os estoques foram reduzidos em todo o País e as empresas estão lançando empreendimentos”, observa Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE​).

Segundo ele, o preço dos insumos, que sofreram reajuste significativo nos últimos dois anos em razão da crise sanitária, também interferem na tomada de decisão do empresário.

“A recém-anunciada redução dos impostos para importação de insumos como o aço, por exemplo, foi uma conquista importante para o setor. Mas agora estamos com o sinal amarelo ligado devido ao aumento da taxa básica de juros (hoje em 12,75% ao ano), que possivelmente vai intimidar o crescimento do setor, por conta da redução do poder de compra das famílias”, afirma.

Oportunidade

“Muitos compradores estão enxergando uma boa oportunidade para a compra de imóveis. O ativo imobiliário vem se valorizando bastante e é uma forma de proteger o patrimônio da inflação. Além disso, o atual patamar da taxa de financiamento está abaixo da Selic, o que torna o financiamento atrativo”, destaca o presidente da Abrainc, Luiz França.

Na avaliação do economista Eldair Melo, membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), o segmento foi puxado, em especial, pelos lançamentos dos imóveis de alto e médio padrão, que registraram maior crescimento. Apesar disso, nesse período, as vendas não aumentaram tanto.

“Isso é uma oportunidade que investidores estão vendo de comprar esses imóveis e se protegerem da inflação. Além disso, apesar da Selic em 12,75%, as taxas de financiamento estão mais baixas, em média de 10,24% considerando os principais bancos do país, ou seja, está sendo atrativo pagar esse tipo de financiamento. É uma oportunidade de investimento e movimentação da economia”, diz.

Brasil: lançamentos de imóveis avançam 37% no trimestre

Levantamento da Abrainc e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indica que, no último trimestre móvel (dezembro/2021, janeiro e fevereiro de 2022), o segmento registrou avanço de 37% nos lançamentos de imóveis no Brasil, em relação a igual período do ano anterior.

No último trimestre móvel, foram lançadas 47.793 unidades habitacionais de todos os tipos no País. Incluindo os dados do mês de fevereiro, o total de imóveis lançados nos últimos 12 meses atinge a marca de 158.263 empreendimentos, o que representa avanço de 24,8% sobre o período precedente.

No que diz respeito às vendas no último trimestre móvel (dezembro/2021, janeiro e fevereiro de 2022), os dados registram recuo de 3,7% se comparados ao período anterior (dezembro 2020, janeiro e fevereiro de 2021).

No acumulado dos últimos 12 meses, no entanto, encerrados em fevereiro de 2022, houve alta de 2,1% nas vendas, com 143.310 novos imóveis comercializados. O destaque vai para os lançamentos de empreendimentos de médio e alto padrão, que seguiram em ampla expansão e cresceram 339,8%, com a chegada de 23.713 imóveis no mercado. Em 12 meses, o avanço aponta 278,1% com 70.154 novas unidades.

O que levar em conta na hora de comprar um imóvel?

1) Planeje suas finanças

2) Defina suas necessidades

3) Faça uma visita ao imóvel, mesmo que virtual

4) Fique de olho na documentação

5) Avalie o valor agregado do imóvel

6) Conheça bem os custos envolvidos na transação

7) Procure ver o negócio com olhos de investidor

8) Não tenha medo de perguntar o que não sabe

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