Economia

Propriedade compartilhada facilita acesso ao consumo de bens e serviços de alto padrão

Amplamente difundido em iniciativas de serviços como o Uber e o Airbnb nos últimos anos, a cultura do compartilhamento ganha força e vem democratizando também o acesso a bens, e de alto valor, como imóveis, barcos e até aeronaves

Elane Araújo comprou cotas do Hard Rock Hotel Fortaleza, em construção na praia de Lagoinha (Foto: Jarbas Oliveira)

Não fosse pelo sonho de possuir uma casa de férias, a musicista Elane Araújo, 32 anos, casada e com dois filhos, talvez tivesse abdicado dessa meta em razão de outros planos. “Nesse momento, estava fora da nossa realidade. Além do alto custo para aquisição, a manutenção de uma casa de praia era algo que me preocupava”, afirma. Isso, antes de Elane se aprofundar no conceito de compartilhamento.

Amplamente difundido em iniciativas de serviços como o Uber e o Airbnb, o compartilhamento vem democratizando também o acesso a bens, e de alto valor, como imóveis, barcos e até aeronaves. O sonho de Elane em ter um destino de férias próprio foi realizado na aquisição de cotas do Residence Club at the Hard Rock Hotel Fortaleza, que está sendo construído na praia de Lagoinha, no município cearense de Paraipaba. O empreendimento atua com multipropriedade, que consiste na compra de uma ou mais frações do imóvel. “Fiquei encantada com esse conceito de pagar apenas pelo que eu uso e dividir as despesas com outros proprietários”, pondera Elane.

Para o presidente do Conselho Regional de Economia no Ceará (Corecon CE), Ricardo Coimbra, a economia compartilhada tem crescido de forma exponencial no Brasil nos últimos anos.

“Seja de bens ou serviços, o compartilhamento é extremamente importante e faz parte da vanguarda do consumo diferenciado em que o indivíduo pode ter acesso a diversas oportunidades, visto que ele não precisa adquirir aquele bem ou serviço de forma individualizada. Ao compartilhar, ele vai ter a possibilidade de consumir novos e diferentes produtos, muitos deles que estão em patamares de acesso mais elevados”, destaca.

Imóveis de luxo

No caso dos imóveis de luxo, que custam milhões se comprados individualmente, a aquisição das frações já ganhou respaldo até na legislação pela Lei nº 12.777/2018. O processo do compartilhamento evoluiu de tal forma que, na multipropriedade, cada comprador recebe uma matrícula própria, ou seja, não se trata de compartilhamento de locação, mas da aquisição de um bem compartilhado.

“Quer emprestar para o amigo? Pode. Quer renda? Coloca no POOL e tem locação imediata. Quer usar? Você tem um equipamento completo, com alto nível de serviço e sem preocupação. Cansou do destino? Tem mais de quatro mil opções para viajar sem pagar diária. Então, é um bem vitalício, para filhos e netos, com custo proporcional ao uso, manutenção extremamente baixa e alta qualidade de serviço”, observa Samuel Sicchierolli, presidente da VCI SA, incorporadora no Brasil de marcas da hotelaria internacional, como a americana Hard Rock e a espanhola Eurostar.

Rogério Andrade, CEO da Avantto (Foto: Divulgação)

Aeronaves

A sofisticação do compartilhamento vem também abrindo mercado para empresas com foco em aeronaves. É o caso da Avantto, que possui base em São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em 2020, a empresa registrou um aumento de 25% no resultado operacional, comparado a 2019.

“Nossos clientes possuem perfis dos mais variados, desde celebridades a esportistas de renome, empresários e corporações de vários segmentos da economia”, ressalta Rogério Andrade, CEO da Avantto.

De acordo com o executivo, uma aeronave pode ser compartilhada por cotistas de localidades diferentes. O que vale é a base de operação da aeronave. Um helicóptero pode ser compartilhado por até 20 pessoas, já um avião em até seis proprietários.

Mudanças nos modelos de trabalho impulsionam compartilhamento nos negócios

O conceito de compartilhamento também se destaca no trabalho, principalmente, com as transformações nos últimos anos e que estão sendo aceleradas atualmente por conta da pandemia de covid-19. O mercado de coworking ou trabalho cooperativo, que se baseia no compartilhamento de espaço, vem atraindo empresas de diversos setores.

“Sentimos uma tendência muito forte, especialmente na pandemia, em que mais pessoas passaram a trabalhar remotamente. Muitas não precisam ter um espaço profissional e conseguem trabalhar de casa. Então, alugar espaço compartilhado por hora ou por turno passou a ser mais interessante financeiramente, considerando o espaço com toda infraestrutura necessária e condição para passar profissionalismo para o cliente ou parceiro do negócio. O custo-benefício é muito interessante. Quem aluga tem manutenção, limpeza e toda estrutura à disposição”, avalia Maryana Canamary, proprietária do Armazém Inteligente, coworking que está há mais de dois anos no mercado de Fortaleza.

Facilidade

Wyctor Herysson, proprietário da empresa Nord Energy Engenharia, concorda e elogia o modelo de negócio. “A nossa opção em estar em um coworking foi pela questão da facilidade de ter um espaço já pronto, sem que precisássemos fazer grandes investimentos, e estar trabalhando junto de outras empresas para facilitar o networking. Iniciamos as atividades há dois anos. Também sou sócio de uma outra empresa com escritório tradicional, mas não vejo diferença de resultado entre ambas”, compara.

Além do espaço, um coworking normalmente contempla estrutura para reuniões, escrivaninha, impressora para digitalização e impressão, acesso à internet, ambiente refrigerado e recepcionista. Uma nova tendência de mercado para quem tem o próprio negócio, mas não deseja gastar com escritório de forma mensal.

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