Economia

Pandemia faz turismo perder 770 empresas no Ceará em 2020, diz CNC

No Brasil, foram fechados 35,5 mil estabelecimentos. Regionalmente, todas as unidades da Federação apresentaram redução do número de unidades ofertantes de serviços turísticos, com maior incidência em São Paulo (-10,9 mil), Minas Gerais (-4,1 mil) e Rio de Janeiro (-3,7 mil)

A queda no Ceará foi a 10ª no ranking nacional, segundo a CNC (Foto: Divulgação)

A crise provocada pelo novo coronavírus fez com que o turismo perdesse 35,5 mil estabelecimentos – com vínculos empregatícios – em 2020, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O saldo negativo corresponde à maior perda anual desde 2016, quando o Brasil ainda sofria os efeitos da recessão, e representa um recuo de 13,9% em relação ao total de unidades em operação no País em 2019. No Ceará, foram fechadas cerca de 770 empresas, o que representa a 10ª maior perda do País.

Regionalmente, todas as unidades da Federação apresentaram redução do número de unidades ofertantes de serviços turísticos, com maior incidência em São Paulo (-10,9 mil), Minas Gerais (-4,1 mil), Rio de Janeiro (-3,7 mil) e Paraná (-2,6 mil). No Ceará, foram fechadas cerca de 770 empresas, o que representa a 10ª maior perda do País.

No Brasil, a pandemia de covid-19 afetou estabelecimentos de todos os portes, mas os que mais sofreram perdas foram os micro (-19,28 mil) e pequenos (-11,45 mil) negócios. Juntos, eles responderam por 87% do total de pontos perdidos no último ano.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, reforça que o segmento de turismo foi o mais afetado pela queda do nível de atividade econômica ao longo do ano passado. “Esta grave crise econômico-sanitária provocou uma retração significativa na demanda por serviços não essenciais em 2020. Infelizmente, não há, no momento, expectativas de reversão para o setor no curto prazo”, afirma Tadros, ressaltando a urgência de acelerar a vacinação dos brasileiros.

Turistas estrangeiros gastam menos

Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo, chama a atenção para o fato de que nem mesmo a desvalorização de 29% do real no ano passado, que, em situações normais, estimularia o turismo interno, evitou perdas expressivas para o setor. “Internamente, a recessão promoveu uma realocação de gastos em favor de bens e serviços essenciais. A demanda externa, por sua vez, esbarrou nos protocolos caracterizados por severas restrições ao fluxo turístico internacional”, destaca Bentes. O volume de gastos dos turistas estrangeiros no Brasil em 2020 (3 bilhões) representou a metade dos gastos totais em 2019 (R$ 6 bilhões) – o menor volume registrado desde 2003, segundo o Banco Central.

Segmentos

Todos os segmentos turísticos registraram saldos negativos, com destaque para os serviços de alimentação fora do domicílio, como bares e restaurantes (-28,61 mil); os de hospedagem em hotéis, pousadas e similares (-3,04 mil); e os de agências de viagens (-1,39 mil).

Diretor da CNC responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da entidade, Alexandre Sampaio compara as perdas do segmento com as de outros setores da economia. “O turismo terminou 2020 com o nível de faturamento 30% abaixo do patamar verificado antes da pandemia, enquanto a indústria, por exemplo, fechou o ano passado com nível de atividade 3% acima”, diz Sampaio, reforçando a necessidade de extensão das medidas emergenciais por parte do governo.

Caged

O contraste do turismo com as demais atividades econômicas também aparece na análise do nível de ocupação formal. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 397 mil postos formais de trabalho foram eliminados no setor em 2020, representando um encolhimento de 12,8%. Na média de todos os setores da economia, porém, a variação relativa ao estoque de pessoas formalmente ocupadas avançou 0,4% no mesmo período.

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