Economia

Mulheres lideram 48% dos micronegócios no Ceará; igualdade de gênero é desafio

De acordo com dados do Sebrae, o Estado tem 341.844 microempreendedores individuais formalizados , sendo 164.558 mulheres (48,13%) e 177.286 homens (55,87%). Com o resultado, Estado segue a tendência nacional

Há cerca de um ano, Lúcia Neves decidiu empreender e abriu o Delícias de Lucinha (Foto: Divulgação)

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

Em fevereiro do ano passado, a dona de casa Lúcia Neves não tinha outra opção: precisava arregaçar as mangas e trabalhar. Diante da morte do marido, e em plena pandemia, ela decidiu se tornar empreendedora no ramo de alimentação. Quase sem apoio – a não ser dos filhos, Boanerges e Lucas –, e com poucos recursos, Lucinha, como é chamada, iniciou o negócio artesanalmente, na cozinha de casa, em Fortaleza.

“Era um espaço de 15 metros quadrados. Peguei algumas formas do armário e comecei a fazer tortas e empadas para vender. Foi preciso muita fé e disposição, mas, depois de um ano, estamos vencendo os desafios: já tenho meu restaurante aberto, o Delícias de Lucinha, e com perspectivas para ampliar”, conta a proprietária, que conta com uma funcionária e vende refeições e sopas para uma fiel clientela, inclusive, por aplicativos de delivery.

A história é semelhante a de muitas empresárias de micro e pequeno porte que compõem a base do empreendedorismo no Ceará e no Brasil. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Estado tem, formalizados, 341.844 microempreendedores individuais (MEIs), sendo 164.558 mulheres (48,13%) e 177.286 homens (55,87%). Em todo o País, a proporção é a mesma. Conforme o Relatório Especial de Empreendedorismo Feminino no Brasil (2020), 48% dos MEIs são mulheres no Brasil.

Presença

Para a economista Desirée Mota, membro do Conselho Regional de Economia no Ceará (Corecon-CE), a inserção da mulher no mercado de trabalho é um processo, com conquistas e desafios. “Além do preconceito e das barreiras culturais, um dos maiores desafios é a capacitação, não apenas do ponto de vista técnico, mas de características empreendedoras: é preciso ser visionária, ter liderança, objetivos claros, saber planejar e calcular riscos”, observa.

Na presidência da Associação dos Meios de Hospedagem e Turismo do Ceará (AMHT), Vera Lúcia da Silva conhece bem o assunto. “Ainda que a condição da mulher tenha melhorado bastante, nos últimos anos, precisamos lutar muito. No meu caso, tive que trabalhar mais do que os presidentes que me antecederam, inclusive, diante da crise que vivemos, por conta da pandemia”, conta. “Mostrei que temos alternativas, que o setor não pode morrer. E consegui dar visibilidade para a associação, fazendo a aproximação com órgãos públicos e privados para resolver problemas do segmento”, avalia a dirigente.

Liderança

“Quando uma mulher assume um posto de liderança, o primeiro pensamento que muitas pessoas ainda têm é ‘será que ela tem capacidade?’ No entanto, as mulheres possuem características que facilitam a descentralização de funções, o acompanhamento das atividades e a autonomia para as pessoas se desenvolverem. Isso favorece o crescimento das empresas”, avalia Desirée.

Para ela, na pandemia, algumas dessas habilidades ficaram mais evidentes. “A mulher se adaptou melhor ao home office, porque já fazia muitas tarefas em casa e teve apenas que dividir o tempo com o trabalho. Já o homem, quando foi obrigado a ficar em casa, ficou mais estressado, ao se deparar com a realidade doméstica e profissional ao mesmo tempo”, compara.

“As mulheres precisam confiar mais na própria capacidade, e não se abater porque ainda há mais homens no mercado de trabalho. E trabalhar não para ser melhor, mas para mostrar que pode trazer bons resultados para as empresas e para a sociedade”, defende Vera Lúcia.

Corecon-CE homenageia cearenses que fazem a diferença

Reconhecendo o potencial feminino no mercado de trabalho, o Conselho Regional de Economia no Ceará (Corecon-CE), por indicação da Comissão Mulher Economista, vai prestar homenagens, neste Dia Internacional da Mulher, à economista Mônica Alves Amorim, à empresária Idalina Sampaio Muniz Gomes de Mattos – representantes das Mulheres Empreendedoras do Estado do Ceará –  e à empreendedora Neide Martins.

“Quando falamos em homenagear as mulheres pelas histórias de vida, não precisa ser uma grande empresária, com atuação nacional. Essas mulheres merecem, pela inovação e contribuição para a sociedade”, descreve Desirée Mota.

Entre outros cargos, Mônica foi coordenadora de planejamento da extinta Secretaria de Indústria e Comércio (SIC) e consultora da área de projetos industriais da Fundação Núcleo de Tecnologia do Ceará (Nutec), onde também foi diretora administrativo-financeira.

Idalina fundou a administra a ISM Gomes de Mattos, primeira indústria de refeição coletiva do Nordeste, com mais de mil colaboradores. Neide faz parte da paisagem da Beira-Mar de Fortaleza, pois há duas décadas vende tapioca e cuscuz para os frequentadores do local. A homenagem, que terá a participação de outras empresárias e mulheres de destaque, será a partir de 17h30, no canal do Corecon-CE no Youtube.

Uma resposta para “Mulheres lideram 48% dos micronegócios no Ceará; igualdade de gênero é desafio”

  1. Parabéns Lucia Neves, mesmo diante de tantas ádverssidades que vc tem passado vc está sempre encorajando outras mulheres a proseguir.

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