Economia

Boom de cuidadores aquece mercado pet no Brasil; veja números do setor

Principalmente neste período de férias ecolares, demanda por esses profissionais aumenta, puxada também pela volta do turismo e do trabalho presencial. No País, mercado pet registrou faturamento de R$ 50 bilhões em 2021, crescimento de 24,6% em relação ao ano anterior

Danielle Pereira é dona da Equilíbrio Pet e cuida de animais como a Ninna, sem raça definida, e o husky siberiano Zack (Foto: Edimar Soares)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

Eles são como filhos para muitas pessoas. Amorosos e sinceros, participam do dia a dia das famílias de forma intensa. Há quem não goste, mas dificilmente alguém resiste ao entusiasmo e a alegria deles quando recebem o tutor em casa. Assim são os pets, nomenclatura dada a animais domésticos, como cães e gatos, responsáveis por injetar bilhões de reais na economia do Brasil.

Em 2021, por exemplo, o mercado pet faturou R$ 50 bilhões no País, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). O número é 24,6% que o valor de R$ 40,1 bilhões observado em 2020. Nesse contexto, ganham destaque profissões diretamente ligadas aos bichinhos, como os cuidadores de pets, ou os pet sitters, cuja demanda cresce principalmente neste período de férias escolares.

Esse profissional, que também passou a ser mais procurado a partir da pandemia de covid-19, desempenha a função de atenção total ao amigo peludo na ausência do tutor, indo muito além de dar comida e água. A atuação inclui brincadeiras, passeios e cuidados médicos, se precisar. Moradora de Fortaleza, Danielle Saraiva Pereira é pet sitter. No mercado há seis anos, ela viu a atuação crescer e decidiu criar a Equilíbrio Pet, pequeno negócio que, além de receber cães para hospedagem, ainda oferece serviço na casa do tutor.

“A responsabilidade deve ser grande para quem deseja realizar essa atividade. Apenas amor não é suficiente, pois os desafios são enormes e vão além da adaptação do serviço à necessidade de cada animal e raça, como animais idosos, com sobrepeso, com questões comportamentais, como medo, agressividade e ansiedade. É preciso estar preparado para que seu trabalho contribua com o bem-estar do animal, e que não seja mais uma fonte de estresse que venha a agravar um problema comportamental preexistente ou até desenvolver um”, diz.

Daniella, cuidadora de animais como a Ninna, sem raça definida, e o husky siberiano Zack, chama atenção para a profissionalização da atividade. “As pessoas devem buscar profissionais capacitados, sabendo quais cursos os recreadores, dogwalkers (passeadores de cães) e petsitters possuem. Até onde sei, não possuímos cursos na área no Ceará. Muitos entram no ramo como hobby, atividade complementar de renda, sendo amadores. E o risco que você expõe seu filho pet querido é grande”, destaca Daniella, que mensalmente ganha em média R$ 3 mil pelo serviço, sem contar os valores do hotel. “No mês de janeiro e julho, o movimento é maior cerca de 30% a 40%”, acrescenta.

Números do setor

De acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB), existem cerca de 32.675 lojas de varejo para atender à demanda no País. O Brasil, inclusive, tem a segunda maior população de pets do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com 140 milhões de animais de companhia, dos quais mais de 55 milhões são cães e quase 25 milhões são gatos. O Brasil também é o terceiro a investir e gastar no mercado de pets, depois dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Para a vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Desirée Mota, o mercado pet deve continuar crescendo no País neste ano. “As pessoas se viram no isolamento social, e o pet é uma ótima companhia para quem está em casa. Sem contar o fator emocional que o animal traz, o que contribui para esse aquecimento. Pois, além da alimentação, existe a parte veterinária e acompanhamento de outros profissionais, como os cuidadores de pets. Isso é importante, pois gera emprego, renda e arrecadação de impostos”, reforça.

Fortaleza é pioneira no Brasil ao lançar selo Pet Friendly para estabelecimentos comerciais

A publicitária Alessandra Couto largou a profissão para se dedicar ao cuidado dos gastos (Foto: Divulgação)

Recente estudo realizado pela Plataforma de Pesquisa Opinion Box identificou que, para 46% dos tutores, é muito importante que o lugar que frequente, seja para jantar, fazer compras ou se hospedar, aceite pets como companhias. A mesma quantidade respondeu que já deixou de frequentar determinado local por não aceitar a presença do bichinho. Além disso, 84% são mais felizes por ter um animal de estimação em casa, 81% são mens estressado, 50% resolveram adotar um pet ainda na pandemia e 28% seguem marcas que defendem as causas animais nas redes sociais.

Desde setembro do ano passado, está valendo em Fortaleza o selo Pet Friendly para estabelecimentos comerciais. A política pública de turismo, pioneira no País, é voltada para incentivar empreendimentos como bares, restaurantes e hotéis a adotar ações que zelam pela higiene e pela segurança de animais de estimação, clientes e colaboradores. O selo, instituído pela Prefeitura, é distribuído aos estabelecimentos por meio da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis–CE (ABIH-CE) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE).

A publicitária Alessandra Couto fica feliz por ações que promovem o bem-estar dos animais e diz que o projeto é bem-vindo. Apaixonada por pets, ela oferece serviço especializado para gatos, que vai desde hotel exclusivo a atendimento domiciliar aos felinos. Ela largou a publicidade para se dedicar exclusivamente aos bichanos.

“Geralmente, o gato geralmente se estressa muito saindo de casa, diferentemente do cachorro. O meu trabalho em domicílio é analisar como o animal está, se comeu, se está muito parado e desiderato, por exemplo. É um olhar diferente de quem só vai alimentar, é muito além disso. Preciso interagir com eles, brincar e estimular”, explica.

Para esse tipo de serviço, o atendimento é de uma hora. Mas há quem solicite horário ampliado, e é aí que entra em cena o negócio criado por Alessandra. “Tenho em casa um hotel para gatos, com 20 quartos só para eles”, diz. O atendimento durante a pandemia aumentou cerca de 50%. Por mês, ela fatura torno de R$ 10 mil e não se arrepende de ter largado a profissão de publicitária, ainda em 2013. “No início, era um hobby, mas depois passei a viver disso e é um prazer, pois eu amo felinos desde criança. Trabalhar com eles é um presente”, acrescenta.

Principais dados do mercado pet, segundo pesquisa da Opinion Box

48% das pessoas possuem pelo menos um pet em casa

75% são cães e 40% são gatos

52% são adotados, 36% foram presentes e 30% foram comprados

68% gastam mais com alimentação

49% gastam com remédios e vacinas

46% consideram muito importante estabelecimentos aceitarem pets como companhias

84% são mais felizes por terem animal de estimação

81% são menos estressados por causa dos animais

Há 30 milhões de pets abandonados no Brasil, 20 milhões são cães e 10 milhões são gatos

Saiba mais:

Pet sitters

Danielle Saraiva Pereira
@equilibrio_pet

Alessandra Couto
@alefelinapetssister

 

 

 

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