Economia

Lide debate o potencial do Brasil para realizar um verdadeiro “negócio da China”

CEO do Lide China afirma que complementaridade é benéfica aos dois países

Apesar do acirramento entre países provocado pela crise decorrente da pandemia de covid-19, o Ceará precisa estar preparado para ampliar relações comerciais com a Europa e com a Ásia, de acordo com avaliação do CEO do Lide China, José Ricardo dos Santos Luz Júnior. O advogado, com larga experiência no comércio internacional e em relações Brasil-China, espera que as relações entre os países, elevada ao status de parceria estratégica global na cúpula dos Brics ocorrida em Fortaleza, em 2012, sejam ampliadas. “A beleza da relação entre Brasil e China é ser complementar e não uma relação de competição, como a China tem com os Estados Unidos”, e reforça que a “a cada dólar que o Brasil exporta para os Estados Unidos, exporta três dólares pra China”. José Ricardo também ressaltou que, enquanto o Brasil não sabe o quer da China, o gigante asiático “sabe o que quer e não vê o Brasil por quatro anos, vê a longo prazo”.

A live contou ainda com a participação do secretário especial para Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, César Ribeiro. Para o secretário, o Estado “largou na frente” ao estruturar-se para receber novas cadeias produtivas e lembrou que a estrutura de cabos de fibra ótica intercontinentais e o Cinturão Digital serão fundamentais para a atração de investimentos chineses em empresas de tecnologia. Atualmente, o Ceará exporta por ano US$ 420 milhões para a China, em média.

Viva as diferenças
Saber conviver com as diferenças culturais entre brasileiros e chineses será fundamental para a retomada econômica do país, avalia o presidente do conselho do grupo Servtec, Lauro Fiúza. “É preciso ser pragmático, a China está voltando a ocupar o lugar no mundo que já teve no século XV”, disse na live do Lide. Para ele, o Ceará pode vir a ser um entreposto entre China e Estados Unidos e Europa. “Eles têm o maior caixa do mundo para investimento, temos que ter essas relações fortificadas”, afirmou.

Mucuripe em alta
Após elevação de 7,94% do faturamento no primeiro quadrimestre deste ano (R$ 22 milhões), a Companhia Docas do Ceará (CDC), responsável pelo Porto do Mucuripe, projeta leve redução no próximo período e retomada a partir de setembro, avalia o diretor de Administração e Finanças, Humberto Castelo Branco. Ele explica que a CDC reduziu custos e aumentou caixa, o que permite abater o impacto da crise atual. “Esperamos um valor próximo ao de 2019, mesmo com a crise que, quando chegou, já tínhamos uma margem no que diz respeito a despesa que reduzimos e a receita que incrementamos”.

Lucro permanece
Humberto explica que após um “superávit de R$ 3,2 milhões em 2019”, a companhia esperava aumentar esse valor em 2020m para “algo entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões”. Porém, mesmo com a crise, são aguardados entre “R$ 2 milhões e R$ 2,8 milhões esse ano”, encerrando o exercício com um movimento de aproximadamente R$ 65 milhões.

A granel
Parte do bom resultado da CDC deve-se ao incremento na movimentação de granéis sólidos (cereais e não cereais) e líquidos. Somente o trigo respondeu por 410,3 toneladas, 38% do total do ano passado (1.061.482,478 toneladas). Outro fator é a renegociação de dívidas, que recuperou quase 30% dos débitos com o porto.

Premissa básica: desnortear o mercado 
Para o diretor comercial da Diagonal e da subsidiária Victa, voltada para o segmento econômico, João Ximenes Fiúza, “a premissa básica para qualquer crise é desnortear o mercado, fazer coisas que quebrem paradigmas” e crescer no pós crise. O empresário afirma que o mercado do Minha Casa, Minha Vida, atendido pela Victa, manteve o patamar de vendas do começo do ano, principalmente depois da empresa ter acelerado o processo de transição para efetuar vendas pelos meios digitais. No entanto, ressalta que apesar de “o meio digital ser a bola da vez, temos que olhar para as pessoas”. “Não se faz nada sem elas precisamos pensar o que de fato vai voltar para o escritório e treinar os colaboradores para todos os processos. Não adianta nada ter dados e não saber analisar”, exemplifica.

 

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