Economia

Inflação: o que esperar dos preços no Brasil em 2022?

O IPCA fechou 2021 com avanço de 10,06% no País, o maior em seis anos. Em Fortaleza, os preços subiram 10,63%, acima da média nacional, segundo o IBGE. Neste ano, inflação tende a desacelerar, porém, pode novamente estourar teto da meta

Aumento dos preços reduziu poder de compra do consumidor brasileiro ao longo de 2021 (Foto: Edimar Soares)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

O ano de 2021 encerrou de forma difícil para o brasileiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do País, apresentou alta de 0,73% em dezembro, acumulando avanço de 10,06% no ano. Puxada principalmente pelo aumento dos combustíveis, a alta do indicador reduziu consideravelmente o poder de compra do brasileiro, dificultando o consumo e retardando a retomada da economia.

Foi a maior taxa desde 2015, quando o IPCA avançou 10,67%, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de dois dígitos foi quase o dobro da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN) para a inflação do País no ano passado, de 5,25%. A exemplo do cenário nacional, em Fortaleza, o indicador fechou 2021 com alta de 10,63%, após subir 0,55% em dezembro, acima da média nacional e a sétima maior variação entre as capitais brasileiras.

Agora, para 2022, o que o consumidor brasileiro pode esperar da inflação, levando-se em conta o cenário eleitoral, as incertezas causados pela covid-19 e, mais recentemente, pelo vírus influenza H3N2? Na avaliação da economista recém-eleita para presidir o Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Silvana Parente, a inflação deve cair em 2022.

“A inflação do ano passado chegou a dois dígitos devido ao aumento da energia, gás e gasolina. Mas, neste ano, deve haver redução. O IPCA tende a chegar, no máximo, a 5%. Até porque a economia nacional está praticamente paralisada, sem perspectiva de crescimento e as taxas de juros estão aumentando”, diz Silvana Parente.

Segundo dados do IBGE, o cenário da inflação em 2021 foi influenciado principalmente pelo grupo transportes, com variação de 21,03%, seguido da habitação (13,05%), além da alimentação e bebidas (7,94%). Conforme o último boletim Focus, do Banco Central, divulgado na segunda-feira (10), o mercado financeiro estima inflação de 5,03% neste ano. Para 2023, a expectativa é de 3,36%, e de 3% em 2024.

Meta

“A inflação brasileira, em 2021, superou todas as expectativas de cenários projetados pelos economistas, o que fez com que a taxa de juros subisse muito mais que o previsto, impactando todos os setores da economia. Isso se deve a uma série de fatores, como covid-19, câmbio, geopolítica e alta dos combustíveis no mercado internacional. Tudo isso é preponderante”, explica o economista Lauro Chaves Neto, membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon).

Ele também acredita que, em 2022, os preços devem dar trégua ao consumidor brasileiro. “Resta saber se conseguiremos trazer essa inflação para o centro da meta ou se vai extrapolar o limite previsto novamente”, afirma. O CMN definiu que a meta de inflação deste ano em 3,5%, considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%.

“Além disso, a grande complicação são as questões eleitorais. Existe um acirramento muito grande da política brasileira. E qualquer incerteza nesse sentido contamina as expectativas econômicas. Mas creio que, neste ano, devemos ter inflação de 6% a 8%, dentro do cenário que se apresenta hoje. É um índice que estaria ainda acima do centro da meta, mas menor que o cenário que se revelou em 2021”, reforça.

Em baixa

Nesse cenário, o mercado financeiro reduziu, mais uma vez, a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2022. Segundo aponta o segundo boletim Focus do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 0,28%, ante os 0,36% vislumbrado na primeira semana. As projeções só caem. Na última semana do ano passado, a previsão do mercado era de um crescimento de 0,42% e, há quatro semanas, a estimativa era de 0,50%.

“As projeções de crescimento do PIB têm caído pela incerteza do cenário. A maior ameaça é a questão eleitoral, pois não se sabe como será o acirramento da política e o que pode trazer de consequência para a economia. A incerteza gera retração, que gera desemprego e redução da retomada econômica. Nesse cenário, a economia começa a patinar”, analisa Lauro Chaves.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS