Economia

Revisão de indicadores econômicos aponta novos desafios para o Brasil em 2022

Se a economia brasileira tentava reencontrar sua rota de crescimento antes da pandemia de covid-19, que teve início em março de 2020, o País passou a enfrentar mais dificuldades para alcançar a retomada econômica a partir da crise sanitária

Preço dos combustíveis, principalmente o da gasolina, tem sido um dos “vilões” da inflação no Brasil (Foto: Agência Brasil)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com

Inflação de alimentos, combustíveis e energia, colapso hídrico, aumento dos juros, índice alto de desemprego e taxa de câmbio elevada. Se a economia brasileira tentava reencontrar sua rota de crescimento antes da pandemia de covid-19, que teve início em março do ano passado, a partir da crise sanitária, com o desajuste desses indicadores econômicos, o País passou a enfrentar ainda mais dificuldades para alcançar a tão sonhada retomada econômica. Ontem, por exemplo, a queda de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional no período de julho a setembro colocou o Brasil novamente em recessão técnica, caracterizado por dois trimestres consecutivos de queda na economia.

Tudo isso tem feito o mercado financeiro revisar as projeções dos indicadores econômicos do País para este e o próximo ano. Com o avanço da vacinação contra a covid-19, e a consequente redução do número de casos e mortes pela doença, começam as especulações sobre o que esperar para a economia brasileira em 2022.

Inflação

Quanto à inflação oficial, o último boletim Focus do Banco Central aponta para um aumento dos preços na ordem de 10,15% em 2021, a 34ª elevação seguida. Para 2022, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar em 5%, com sinais de arrefecimento somente a partir de 2023 e 2024.

Em relação à taxa básica de juros (Selic), hoje em 7,75%, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decida por um novo aumento neste mês, na última reunião do ano, subindo os juros para 9,25% ao ano. Para o fim de 2022, a estimativa é que a Selic chegue a 11,25% ao ano.

Na avaliação do economista Célio Fernando Bezerra de Melo, 2022 será mais um ano difícil para a economia brasileira, principalmente, porque se trata de um ano eleitoral. “Vai ser um dos anos mais atípicos do Brasil. Sabemos que as eleições puxam gastos públicos, algo que já ficou em patamares muito altos por conta da pandemia. Nesse momento, até por conta do alto do desemprego e desalento de alguns trabalhadores que perderam postos de trabalho e não conseguiram ainda retomar, teremos mais dificuldades”, analisa, lembrando ainda que, para 2022, a expectativa para o PIB é de apenas 0,58%, podendo até cair.

Câmbio

Quanto à cotação do dólar em relação ao real, a projeção se mantém em R$ 5,50 para o fim deste ano, sinalizando estabilidade também em 2022. “A inflação vai cair, mas vai haver o que chamamos de choque de ofertas, ou seja, a oferta será maior que a demanda. Já com relação aos juros, penso que teremos patamares altos, o que reduzirá os investimentos e, consequentemente, o consumo das famílias”, avaliou.

O economista Célio Fernando projeta que no cenário nacional será pior. “O PIB brasileiro para o ano que vem é de queda. A inflação vai cair, mas vai haver o que chamamos de choque de ofertas, ou seja, oferta será maior que a demanda. Já com relação aos juros, penso que teremos patamares altos, o que reduzirá os investimentos e consequentemente o consumo das famílias”, observa.

“Torçamos para não haver ainda mais polarização política, pois isso pode tornar ainda mais acirrado o mercado e criar outros tipos de crises que não serão boas para o País. Além disso, com a nova variante do coronavírus (ômicron), fica a expectativa para que não tenhamos outros tipos de fechamento do comércio, o que seria muito trágico. A economia tem que estar equilibrada, mesmo com a crise sanitária. Temos que encontrar uma forma de conviver”, acrescenta.

Cenário internacional

O valor do petróleo no mercado internacional tem impactado diretamente o bolso do brasileiro, principalmente, desde que a Petrobras passou a adotar, em 2016, a nova política de preços, que inclui no cálculo custos de frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias. O atual cenário, porém, é mais crítico, afetando os custos do etanol, diesel e gasolina, cujo atual preço médio é de R$ 6,74, mas já passou de R$ 7 em alguns estados.

Na avaliação do economista Lauro Chaves, o cenário é de dificuldade e incerteza. “O preço internacional do petróleo reflete na economia mundial, porque os derivados do petróleo ainda são componentes importantes da matriz energética. Tudo é impactado pela variação do preço, sobretudo, em razão do transporte”, destaca.

Quando à inflação e ao comportamento dos juros, ele acredita que não a perspectiva é de melhora no Brasil no próximo ano. “A inflação deverá ser menor, mas não vai voltar ao centro da meta, antes da pandemia. Já a Selic seguirá estável em 2022 e só será reduzida de forma mais drástica se a inflação cair mais que o esperado e se o desemprego crescer, pois o mercado será pressionado”, reforça.

Projeções para a economia nacional em 2021 e 2022

Inflação
2021: 10,15%
2022: 5%

Taxa Selic
2021: 9,25%
2022: 11,25%

Desemprego
2021: 14,1%
2022: 13%

Dólar
2021: R$ 5,50
2022: R$ 5,50

PIB
2021: 4,78%
2022: 0,58%

 

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