Economia

Dia da Indústria: o papel do setor na transformação da economia do Ceará

Neste Dia da Indústria, o presidente do CIC, Marcos Soares, fala sobre avanços e perspectivas para o setor. Principalmente com a chegada de novos investimentos que ampliam as possibilidades de crescimento da economia local

Marcos Soares é presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), braço da Fiec (Foto: Divulgação)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

Hoje, 25 de maio, é o Dia da Indústria. O setor, que segue em expansão no Ceará, tem muito a comemorar. Com participação fundamental no Produto Interno Bruto (PIB) estadual, a atividade demonstrou força, mesmo nos períodos mais críticos da pandemia de covid-19, crescendo 13,35% em 2021, resultado bem acima da média nacional (4,5%). O segmento, inclusive, puxou o aumento de 6,63% da economia cearense no ano passado.

Ao O Otimista, o presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), Marcos Soares, fala sobre os avanços e das perspectivas para o setor. Principalmente com a chegada de novos investimentos, como o Hub de Hidrogênio Verde, no Complexo do Pecém, que abre novas possibilidade de crescimento para a economia local.

O Otimista – Como o senhor avalia o atual momento da indústria no Ceará, com a perspectiva de evolução a partir de empreendimentos como o Hub de Hidrogênio Verde?

Marcos Soares – O Ceará vem se preparando para uma reindustrialização. Não só o Ceará, mas a região Norte e Nordeste foi desindustrializada com o advento das importações, principalmente, não só da China, mas da Ásia como um todo. Então o Ceará investiu muito em infraestrutura. A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), através do CIC, vem criando políticas industriais, incentivando muito a interiorização da indústria. Nós temos hoje alguns polos industriais nas regiões Sul, Central e Norte. Com o Hub de Hidrogênio Verde, com as energias renováveis, o Ceará parte na frente. É um momento excepcional para o Estado nessa recuperação da industrialização. Temos que aproveitar não só o hidrogênio verde, mas toda a cadeia produtiva do hidrogênio.

O Otimista – Quais são as principais conquistas do setor, nos últimos anos, no Ceará?

Marcos Soares – A Fiec fez um levantamento das nossas estratégias e elencou os principais setores que o Ceará trabalha, como energias renováveis, vestuário, moda, calçados e confecções, além da saúde e economia do mar. Temos uma indústria alimentícia muito forte, principalmente agora, com o processamento de atum e sardinha. Temos os polos de saúde no Eusébio, com a Fiocruz, e Porangabussu, em Fortaleza. Temos o polo químico de Guaiuba… Então, esse momento está sendo de parceria entre os setores privado, público e Academia, justamente para trabalhar essa reindustrialização no Ceará.

O Otimista – Quando todos esses polos estiverem em pleno funcionando, será um impulso ainda maior para a indústria cearense…

Marcos Soares – Com certeza, porque uma das bandeiras que o CIC está levantando é a formatação desses polos. Porque, dentro deles, vamos ter gestão moderna, participativa dos empresários, teremos hub de inovação para ajudar empresas a fazerem tudo de forma cooperada e sem individualização. Com isso, tanto as indústrias conseguem reduzir custos para instalar, quanto tem incentivo do governo, pois está sendo incentivada a interiorização.

O Otimista – Como a indústria cearense aparece no cenário nacional?

Marcos Soares –  Temos um caminho longo a percorrer, mas, aos poucos, estamos mudando essa história. Atualmente, o PIB cearense representa apenas 2% da economia nacional. Com o Hub de Hidrogênio Verde, queremos, em até cinco anos, dobrar essa participação no PIB brasileiro. O Ceará tem uma economia muito eficiente com relação à indústria, o setor está crescendo acima da média do País e do Nordeste. O Estado está no caminho certo. Acreditamos que os investimentos que foram feitos pelo Governo em infraestrutura, nos últimos anos, e em áreas como educação, estão nos tirando do patamar de estagnação para o de avanço.

O Otimista – Hoje, quais fatores existem no Estado que são atrativos para a indústria?

Marcos Soares – A segurança jurídica aqui está sendo respeitada. Os incentivos que o Governo do Estado está concedendo aos setores importantes, também. A infraestrutura que nós temos hoje de fibra ótica dos cabos submarinos, proporcionando a implantação de internet 5G… Temos uma estrutura como a ZPE (Zona de Processamento e Exportação) e o Complexo do Pecém, com a participação do Porto de Roterdã. Temos o Aeroporto de Fortaleza, estamos na janela do Atlântico, tanto para a África como para a Europa. Então, tudo isso favorece o ambiente de negócios no Estado. E temos, principalmente, o povo cearense, que é empreendedor, recebe as empresas de braços abertos e vai para cima, trabalhar.

O Otimista – Qual o papel do CIC, fundado há mais de 100 anos, para o desenvolvimento do setor no Ceará?

Marcos Soares – O CIC é um braço da Fiec, fazemos essa parte de políticas industriais. Nos preocupamos com as tributações, legislações que estão sendo colocadas para diversos segmentos do setor, etc. O CIC trabalha principalmente isso e também parcerias, com os governos e seus diferentes órgãos de desenvolvimento econômico, Academia, câmaras setoriais, além de representarmos os 40 sindicados ligados à Fiec. Então, estamos sempre preocupados em olhar o que está acontecendo no mundo, no País, em termos de inovação, tendência, para que possamos trazer isso para o Ceará, cuja indústria também vem ganhando destaque nacional quando o assunto é inovação.

O Otimista – Neste Dia da Indústria, o que o setor tem para comemorar no Ceará?

Marcos Soares – A indústria cearense começou no século XIX como uma indústria extrativista, mas agora está trabalhando muito a indústria de base tecnológica. Com o advento e a capilarização das universidades no Ceará, temos muito a comemorar. Temos, segundo o Instituto Federal do Brasil, 35 campi bem instalados, levando a qualificação de mão de obra para a indústria cearense, bem como a parte de serviços. Temos a Universidade Federal do Ceará (UFC), que também está sendo bem gerida na parte de geração de talentos, com várias patentes. Estamos sendo produtivos na parte alimentícia, de calçados, medicamentos injetáveis, indústria farmacêutica…

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