Economia

Financiamento de imóveis soma R$ 1 bilhão e cresce 200% no Ceará neste ano

De janeiro a abril, também houve crescimento expressivo no total de imóveis financiados. Foram 5.095 unidades, avanço de 256,2% em relação a igual período de 2020, segundo dados da Abecip. Desempenho do Estado está acima da média nacional

Expectativa do setor é que o mercado imobiliário cearense continue crescendo neste ano e, principalmente, em 2022 (Foto: Beatriz Bley)

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

Os quatro primeiros meses de 2021 confirmam a expectativa de que o ano deverá ser próspero para o setor imobiliário no Ceará. E os volumes alcançados com o financiamento de imóveis nesse confirmam a projeção. No Estado, o valor contratado com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somou R$ 1,033 bilhão, aumento de 200,4% em relação a igual período de 2020, quando o montante foi de R$ 344,1 milhões. Também houve crescimento expressivo na quantidade de imóveis financiados: no acumulado do ano, foram 5.095 unidades, avanço de 256,2%, contra 1.430 imóveis de janeiro a abril do ano passado.

Os dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) revelam que o desempenho do mercado cearense está melhor que a média nacional: de janeiro a abril, os financiamentos imobiliários pelo País somaram R$ 59,91 bilhões, aumento de 122,3% ante igual período de 2020 (R$ 26,95 bilhões). A quantidade de unidades financiadas no Brasil também cresceu menos do que no Ceará: foram 258,6 mil imóveis, 151,8% a mais do que no primeiro quadrimestre do ano passado (102,7 mil).

“Nós temos uma perspectiva excelente para o setor imobiliário do Ceará neste ano e, principalmente, em 2022. Há alguns anos não há um volume expressivo de lançamentos, e os estoques estão diminuindo sensivelmente nas prateleiras das construtoras, tanto que algumas delas zeraram seus estoques recentemente. Esse é um desempenho excelente”, analisa Patriolino Dias, presidente do Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE).

Selic

Na última semana, o Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75%. Dessa forma, o índice passou para 4,25% ao ano. O aumento já era esperado pelo mercado financeiro, que projeta até novas altas da Selic nos próximos meses.  Mas, esse movimento de aumento dos juros pode comprometer o desempenho do setor imobiliário no restante do ano?

Para o economista Wandemberg Almeida, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), o setor pode sentir algum impacto, mas não imediatamente. “O aumento da Selic tem potencial de aumentar as taxas cobradas dos empréstimos imobiliários, mas isso não deve afetar o setor rapidamente. Deve levar algum tempo para que ocorra uma alta mais significativa dos juros para os financiamentos imobiliários. Por hora, enxergamos um setor sólido, que vem crescendo, mesmo durante a pandemia, e se consolidando com o aumento das vendas e de financiamentos”, diz.

A visão é a mesma do presidente do Sinduscon Ceará, que analisa com tranquilidade a alta da Selic. “Como os bancos já previam o aumento dos juros, as taxas continuaram as mesmas e, consequentemente, ainda são muito atrativas para que as pessoas busquem realizar o sonho da casa própria”, avalia Patriolino Dias. “Mesmo que a Selic cresça em um patamar até 6%, essa condição ainda é muito atrativa para o mercado imobiliário”, reforça.

Mês a mês

Até agora, o melhor mês do ano para os financiamentos imobiliários no Ceará foi o de março, com a contratação de 1.552 unidades, totalizando R$ 307,071 milhões. De março para abril, houve queda de 20,7% na quantidade de unidades e de 14,7% no volume contratado (de R$ 307 milhões para R$ 261 milhões), o que não deve abalar a confiança do setor nos próximos meses.

“É certo que, neste ano, houve uma alta expressiva de preços dentro do setor, com o encarecimento de itens como o cimento, o tijolo e o aço. Mas, se as construtoras continuarem lançando e oferecendo bons produtos para atender ao mercado, o crescimento deve ser significativo ao longo de 2021”, afirma e economista Wandemberg Almeida.

Patriolino Dias, presidente do Sinduscon-CE (Foto: Tapis Rouge)

Setor deve chegar a R$ 2,1 bilhões em Valor Geral de Vendas no Estado em 2021

“No pós-pandemia, o setor da construção civil será a mola propulsora da economia do Brasil e do Ceará”. A afirmação do presidente do Sinduscon Ceará, Patriolino Dias, expressa o potencial de crescimento que o setor possui, neste momento de retomada das atividades econômicas.

“No ano de 2020, em relação a 2019, aumentamos 10% do Valor Geral de Vendas (VGV) em nosso Estado. Neste ano de 2021, devemos crescer mais 10% em relação a 2020. Considerando todos os segmentos imobiliários, desde o Casa Verde e Amarela até o altíssimo padrão. Com isso, acreditamos que, neste ano, o VGV no Ceará fique em R$ 2,1 bilhões. Comparando com outros mercados, é um desempenho muito expressivo”, avalia.

O avanço da vacinação nos próximos meses também vai beneficiar o setor imobiliário, projeta Wandemberg Almeida. “É de extrema importância que se amplie a vacinação, ainda mais para a construção civil, porque as pessoas vão voltar às suas atividades normais, produzindo mais. E isso acaba sendo propício para termos mais e melhores lançamentos, dento do mercado. O reaquecimento da economia vai propiciar a volta da circulação dos consumidores e a contratação de mais pessoas. Isso pode tornar o setor imobiliário ainda mais aquecido neste ano, e com resultado melhor do que em 2020”, analisa o economista do Corecon-CE.

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