Economia

Financiamento de imóveis soma R$ 3,35 bilhões no Ceará e cresce 66% em 2021

De acordo com dados da Abecip, foram 15.527 unidades financiadas no Estado, número 105% maior que o registrado no ano anterior (7.571). No Brasil, o financiamento imobiliário chegou a R$ 255 bilhões em 2021, recorde na série histórica

Expectativa do setor é que 2022 também seja um bom ano para o mercado imobiliário do País (Foto: Beatriz Bley)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

Os financiamentos imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) encerraram 2021 com volume de R$ 3,35 bilhões no Ceará, avanço de 66% em relação a 2020 (R$ 2,01 bilhões). O valor também ultrapassou com folga a projeção do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-CE) para o ano passado, de R$ 2,25 bilhões.

Segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em 2021, foram 15.527 unidades financiadas no Estado, 105% a mais que o registrado no ano anterior (7.571). Em dezembro de 2020, no entanto, o volume foi maior (R$ 413 milhões) se comparado ao mesmo mês de 2021 (R$ 295 milhões).

Para Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sinduscon-CE, esse crescimento no Ceará está ligado, principalmente, aos juros mais baixos, apesar do aumento da taxa básica Selic, atualmente em 9,25% ao ano. “Em 2021, as taxas estavam muito atrativas. Além disso, havia estoque das construtoras. Por isso, foi o melhor dos últimos sete anos para o mercado imobiliário cearense”, destaca.

Quando às expectativas para o setor em 2022, a projeção é de mercado aquecido, mas com cautela. “Possíveis novos aumentos dos juros nos preocupam, além do aumento dos preços dos insumos, algo que afeta diretamente o segmento. Temos, ainda, o período eleitoral e instabilidade política. Porém, a demanda por imóveis continua grande no Estado, até porque, como os estoques reduziram ou zeraram em algumas construtoras, e como o período entre lançamento e entrega demora de quatro a cinco anos, as pessoas estão partindo para os lançamentos”, observa.

Brasil

No Brasil, o financiamento imobiliário chegou a R$ 255 bilhões em 2021, um recorde na série histórica da Abecip, sendo R$ 205,4 bilhões com recursos da poupança, valor também recorde. Na avaliação do economista e membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Fran Bezerra, um conjunto de fatores fez com que o mercado imobiliário experimentasse elevado crescimento no País em 2021.

“Os juros aumentaram muito, chegando a 9,25% ao ano. Há quase certeza de que serão elevados a 10,75% na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em fevereiro. Além da alta dos juros e da inflação, há o aumento do endividamento e da inadimplência no Brasil, que reflete dos financiamentos de imóveis. Unindo tudo isso, mais a capacidade da nossa economia de reagir e voltar a crescer, acredito o crescimento do mercado imobiliário seja menor neste ano”, diz.

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