Economia

Empresárias da indústria discutem alternativas para ampliar a participação das mulheres no setor

74% das mulheres que buscam o mercado financeiro têm seus pedidos negados”, diz Margarete Coelho. (Foto: Larissa Carvalho/ASN)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu nesta quarta-feira (19) empreendedoras para discutir estratégias de promoção à diversidade e à participação da liderança feminina no setor empresarial. Promovido pelo Fórum Industrial da Mulher Empresária, o debate teve a participação da diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, que salientou o compromisso da instituição em mudar esse cenário, que é predominantemente masculino.

“A vida da mulher na indústria, no comércio, sempre foi muito difícil, mas principalmente na indústria, que é vista como uma atividade eminentemente masculina. Mudar essa realidade é um desafio deste Fórum e nós do Sebrae estaremos juntos com esses segmentos que estão relacionados com o empreendedorismo feminino, no sentido de superar gaps que são históricos.”, avaliou a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional.

Para Margarete Coelho, a pauta do empreendedorismo feminino está “potente e pronta para o debate” e para contribuir com essas discussões, o Sebrae tem diagnósticos que apontam para duas grandes dificuldades enfrentadas pelas empreendedoras: gestão de tempo e financiamento. Ela pontuou que a economia do cuidado toma 17 horas semanais a mais das mulheres e que, por óbvio, elas possuem menos tempo do que os homens para investir em seus negócios.

Segundo ela, outra questão desafiadora para o empreendedorismo feminino é a recusa das instituições financeiras em atender demandas de CNPJ feminino que pleiteia crédito. “74% das mulheres que buscam o mercado financeiro têm seus pedidos negados”, diz. Para a diretora do Sebrae, autonomia econômica e financeira faz com que as mulheres fiquem mais fortes e capazes de resistir a todas as violências que sofrem.

“Temos que ter o envolvimento das instituições para que nós possamos superar as barreiras. O Fórum é um grande ponto de fala, um espaço de debate, de troca de experiências para que nós possamos encontrar soluções possíveis e imediatas para esses problemas”, destaca.

Segundo a presidente do Fórum, Mônica Monteiro, diretora do Grupo Bandeirantes, sua gestão está focada em cumprir duas metas: a ampliação de mulheres na indústria e a promoção de eventos para divulgar produtos vindos de CNPJs femininos. Ela afirma que 40% do consumo no Brasil é feito por mulheres. “Se a gente tem poder de consumo, a gente consegue levantar essa bandeira”, constata. Ela argumenta que “as mulheres precisam estar na planta da indústria”, ocupando cargos nas áreas da ciência, tecnologia e matemática.

Durante o evento, o Fórum apresentou cinco diretrizes para subsidiar a elaboração de políticas públicas:

  1. Incentivar a inserção de mulheres em carreiras conectadas ao novo mundo do trabalho.
  2. Fomentar o compromisso das empresas com diversidade e promoção da equidade de gênero.
  3. Estimular o empreendedorismo e o crescimento das empresas comandadas por mulheres.
  4. Fomentar a participação feminina no comércio internacional.
  5. Criar oportunidades para a capacitação de lideranças femininas.

Presente no debate, a deputada Benedita da Silva reforçou que o empreendedorismo feminino é uma estratégia de inclusão social e que apoiar essa pauta é contribuir para que as mulheres tenham independência financeira. No entanto, ela defende que, para isso, mais do que abrir espaço, é preciso recursos.

“Fazer um apelo para o Fórum, junto à presidência da CNI, que coloquem recursos no orçamento para que mulheres empresárias possam também dar oportunidade a outras mulheres para terem crescimento nesse mercado, que é majoritariamente masculino”, disse a deputada.

Ela também ressalta que a participação das mulheres em cargos de liderança e nas tomadas de decisão é fundamental para uma sociedade mais justa e equitativa.

Entre as participantes, também estiveram presentes as deputadas Soraya Santos, que destacou que países com menos desigualdade têm mais mulheres ocupando espaços de poder, e Yandra Moura, que mencionou a importância do Sebrae Delas no fortalecimento do empreendedorismo feminino.

Antonio Ricardo Alvarez Alban, presidente da CNI, abriu o debate afirmando que acredita que, num médio prazo, as mulheres vão estar ocupando mais espaço em ambientes de liderança. Ele ressaltou a importância do movimento e das conquistas obtidas pelas mulheres no direito de ocupar posições de destaque. “Nós só queremos caminhar juntos.”

 

 

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