Economia

Compras pelo celular: pesquisa mostra os aplicativos que o brasileiro mais usa

A praticidade e comodidade de adquirir produtos e serviços de forma virtual têm levado mais consumidores do País a terem à disposição, em seus smartphones, apps que permitem o acesso a várias mercadorias. Pesquisa aponta que 84% dos brasileiros já compram pelo celular

A psicóloga Vitória Teixeira mora em Fortaleza e está entre os milhares de brasileiros que, diariamente, efetuam alguma compra pelo smartphone (Foto: Edimar Soares)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

Comprar pelo celular já virou rotina para grande parte dos brasileiros. A praticidade e comodidade de adquirir produtos e serviços de forma virtual têm levado cada vez mais consumidores do País a terem à disposição, na tela de seus smartphones, diversos aplicativos (apps) que permitem a compra das mais variadas mercadorias, desde alimentos até eletrônicos, de forma rápida e segura.

Tanto é que, hoje, 84% dos brasileiros fazem compras pelo celular, enquanto 16% usam o computador. Quanto à frequência, 42% compram algumas vezes por mês, 29% algumas vezes por ano e 16% algumas vezes por semana. Do total, 83% aumentaram a frequência de compras pelo celular em relação aos seis meses anteriores ao levantamento, realizado em abril.

Os dados são de pesquisa feita pelo Panorama Mobile Time e Opinion Box. Nesse cenário, 64% dos brasileiros já compraram por meio do WhatsApp, por exemplo. Em um ano, subiu de 34% para 44% a proporção de consumidores que já adquiriram ingressos via apps. Além disso, o estudo releva que 30% fizeram um pagamento por aproximação, nos últimos 30 dias. Outros 46% pagamento com QR Code.

Ranking

Quanto ao “boom” das compras por apps, a pesquisa mostra que a plataforma da Shopee passou a ser a preferida dos brasileiros (21%). Uma surpresa, pois, nos últimos sete anos, três aplicativos de compras se revezaram nas primeiras posições no ranking dos mais populares do Brasil: Mercado Livre, Americanas e iFood.

A ascensão meteórica da Shopee ocorreu nos últimos 12 meses, saindo da quarta posição para a liderança, seguida do iFood (15%), Mercado Livre (14%), Americanas (9%) e Amazon (7%). Compõem ainda a lista os aplicativos do Magazine Luiza (6%), WhatsApp (3%), Livelo (3%) e outros (22%).

De acordo com a pesquisa, metade dos brasileiros utiliza essas ferramentas para comprar refeições (50%). Em seguida, aparecem roupas (48%), alimentos (42%), cosméticos (35%), eletroeletrônicos (34%), remédios (34%) e utensílios domésticos (29%). Mas a lista de produtos não para por aí. Há, ainda, acessórios de moda (26%) e bebidas e livros (24%).

Facilidade

A psicóloga Vitória Teixeira mora em Fortaleza e está entre os milhares de brasileiros que, diariamente, efetuam alguma compra pelo smartphone. No caso dela, os apps são mais usados para adquirir livros e eletroeletrônicos. “Acho muito fácil, por isso, prefiro comprar pelos aplicativos. São ferramentas que possuem interface cada vez mais prática, no sentido de escolha do produto, inserção no carrinho e fechamento da compra. Sem fila, sem estacionamento e sem deslocamento. Recebo o produto em casa e ainda posso acompanhar a entrega”, observa.

O economista Eldair Melo, membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), destaca que a pandemia de covid-19, que teve início m março de 2020, foi responsável por impulsionar o comércio eletrônico no Brasil, em razão dos lockdowns nos períodos mais críticos da crise sanitária. Diversas pessoas que não tinham o hábito de comprar pela internet passaram a adotar a prática, cada vez mais popular no País.

“Os consumidores não precisam se deslocar para comprar e, geralmente, os produtos e serviços do comércio eletrônico têm preços competitivos em relação às lojas físicas. Por isso, as empresas passam a investir mais nesse tipo de ferramenta para aumentar as vendas e atingir maior público. As grandes redes estão fazendo com que seus aplicativos vendam produtos de outras lojas. Tudo isso faz com que essas empresas invistam em inteligência mobile. Isso ajuda na análise das características dos consumidores e permite que as  marcas conheçam melhor seus clientes”, acrescenta.

Empréstimos e seguros

Os aplicativos ganharam tanto a confiança dos brasileiros que até empréstimos e compras de seguros estão sendo feitas por meio dessas plataformas. A pesquisa do Panorama Mobile Time e Opinion Box mostra que, há um ano, 25% dos consumidores já haviam pegado dinheiro emprestado pelo smartphone. Em agosto de 2021, o índice subiu para 26%. Hoje, já representa 32%.

Esse tipo de compra é mais comum entre homens (34%) que entre mulheres (30%). Por idade, a incidência é maior no grupo de 30 a 49 anos (35%) que entre jovens de 16 a 29 anos (29%) ou entre aqueles com 50 anos ou mais (29%). No que diz respeito à classe social, 33% das pessoas das classes C, D e E já pegaram dinheiro emprestado via app, ante 27% dos consumidores das classes A e B.

Segundo o estudo, 55% das pessoas que já contrataram empréstimo pelo celular pegaram da última vez um valor entre R$ 1 mil e R$ 9.999. E 25% fizeram da última vez um empréstimo menor, em um valor entre R$ 100 e R$ 999. A minoria (5%) contratou um valor abaixo de R$ 100, o chamado microcrédito.

E-commerce: faturamento deve crescer 9%

O e-commerce brasileiro registrou faturamento recorde em 2021, totalizando mais de R$ 161 bilhões, avanço de 26,9% em relação a 2021. O número de pedidos aumentou 16,9%, com 353 milhões de entregas, segundo levantamento da Neotrust, empresa responsável pelo monitoramento do comércio eletrônico nacional. A expectativa é que a receita do comércio eletrônico cresça 9% neste ano, atingindo faturamento recorde de R$ 174 bilhões.

O valor médio por compra também registrou aumento de 8,6% em relação a 2020, atingindo a média de R$ 455. As categorias com mais pedidos feitos em 2021 são: moda, beleza e perfumaria, e saúde. Celulares, eletrodomésticos e eletroeletrônicos foram os segmentos com maior faturamento no ano passado.

Perfil

Os resultados por gênero indicam que as mulheres respondem por 58,9% dos pedidos, frente a 41,1% dos homens. O ticket médio feminino, porém, é menor que o masculino: R$ 387 contra R$ 552, respectivamente.

O índice por idade demonstra que as compras online vêm predominantemente da faixa etária dos 36 a 50 anos, representando 34,9%, e dos 26 a 35 anos, representando 32,1% do volume total. Já as compras feitas por pessoas com mais de 51 anos passaram de 15,5% em 2020 para 16,6% em 2021.

O levantamento mostra ainda que o cartão de crédito continua sendo a forma de pagamento preferencial dos brasileiros no e-commerce (69,7%), seguido do com boleto bancário (16,9%), outras formas, como wallet e cashback (11,1%), e Pix (2,3%).

Quanto às projeções para este ano, a pesquisa da Neotrust aponta que a inflação, o dólar ainda alto e a projeção pessimista do Produto Interno Bruto (PIB)  brasileiro são fatores que podem impactar negativamente o crescimento do varejo online.

A expectativa é que os pedidos pela Internet aumentem em 8%, totalizando 379 milhões de compras. Já o ticket médio deve se manter estável, com aumento de cerca de 1%, estimado em R$ 460 por pessoa.

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