Economia

Com ordem de serviço assinada, usina de dessalinização será inaugurada em 2025 no Ceará

Com início das obras previsto para 2022, empreendimento ficará na Praia do Futuro e terá capacidade para processar um metro cúbico de água por segundo, beneficiando inicialmente cerca de 720 mil pessoas, em nove bairros de Fortaleza

Governador Camilo Santana assina ordem de serviço para construção da usina (Foto: Divulgação)

Com expectativa de melhorar a capacidade hídrica de Fortaleza e Região Metropolitana em 12%, foi assinada ontem a ordem de serviço para a construção da Planta de Dessalinização de Água Marinha na capital cearense, a ser instalada na Praia do Futuro A usina, que deverá começar a ser construída em 2022 e concluída em 2025, terá capacidade para processar um metro cúbico de água por segundo – o que pode ser ampliado, futuramente, a depender da demanda dos consumidores. O orçamento para o projeto tem valor de R$ 3,2 bilhões, investimento que visa diversificar a matriz hídrica do Estado e vai atender, inicialmente, a cerca de 720 mil pessoas, moradores de nove bairros.

O acordo foi celebrado pelo Governo do Estado do Ceará, Secretaria das Cidades, Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e pelo Consórcio Águas de Fortaleza, liderado pela Marquise e do qual também fazem parte as empresas PB Construções e a espanhola Anbegoa Água.

“Será a primeira e maior unidade deste porte no Brasil. O Ceará tem sofrido, ao longo dos anos, com a falta de água. Toda a água que abastece a Capital vem de fora, e ao longo do tempo a gente vem sofrendo com dificuldades de recarga dos nossos reservatórios, o que nos fez buscar alternativas para suprir esse abastecimento. Depois de muitos estudos e procedimentos burocráticos, celebramos esse acordo com a iniciativa privada e chegamos a esse momento histórico para o Estado do Ceará”, diz o governador Camilo Santana.

Complexo

A construção do complexo está orçada em R$ 538 milhões, valor que deve cobrir a instalação da usina, do sistema de captação de água marinha, do emissário e da adutora, além da operação e da manutenção do sistema. Da usina na Praia do Futuro, serão abastecidos os reservatórios no Papicu e no Dionísio Torres (Praça da Imprensa), a partir dos quais a água será distribuída. O faturamento anual está previsto em torno de R$ 118 milhões.

“A empresa vai fazer todo o investimento, que vai ficar em torno de R$ 500 milhões, e a Cagece tem o compromisso de comprar essa água para, exatamente, atender a população, garantindo que não falte água na Capital”, explica Camilo Santana. O total é de R$ 3 bilhões em contraprestações, pagas apenas a partir de quando a usina entrar em operação. A expectativa é que a usina comece a produzir água dessalinizada em 2025.

De acordo com o titular da Secretaria das Cidades, Zezinho Albuquerque, a planta de dessalinização da água do mar vai trazer muitos benefícios para o setor produtivo do Estado. “O cearense vai se sentir mais seguro, os empresários poderão investir mais. E a Cagece, ao fornecer água dessalinizada para a população, em Fortaleza, significa que vai sobrar água no interior, para que os pequenos produtores rurais possam usar esse importante recurso para a agricultura, gerando mais emprego, o que é um ponto fundamental para a nossa economia”, observa Zezinho Albuquerque.

Matriz hídrica

Neuri Freitas, diretor presidente da Cagece, ressaltou a importância de o Ceará ampliar a matriz hídrica, a partir da usina de dessalinização. “Trabalhamos nesse projeto desde 2016. Desde então, tem sido um momento desafiador, em que nos empenhamos para não deixar faltar água para nenhuma cidade cearense. Visitamos países que já utilizam essa tecnologia e agora estamos concretizando esse objetivo. Existem alguns projetos de dessalinização, no interior do Estado e no Chile, mas em pequena escala. Esse é o maior projeto do Brasil e da América do Sul, e nada melhor do que ser assinado no dia em que a Cagece completa 50 anos de existência”, celebra o diretor presidente da Cagece.

As obras da usina serão realizadas em um área de 2,4 hectares, por meio de Parceria Público-Privada (PPP) com o consórcio Águas de Fortaleza. Com 30 anos de vigência, a concessão possibilita que o consórcio Águas de Fortaleza seja responsável pela construção, operação e manutenção das unidades integrantes dos sistemas físicos, operacionais e gerenciais de entrega de água potável pelas ligações até os pontos de entrega, seus respectivos instrumentos de medição e a disposição final dos rejeitos gerados.

Usina será construída na Praia do Futuro (Foto: Divulgação)

Empreendimento deve gerar 550 empregos diretos e indiretos durante pico da obra

A Planta de Dessalinização de Água Marinha atenderá dois reservatórios da Cagece, contemplando os seguintes bairros: Praia do Futuro, Caça e Pesca, Serviluz, Vicente Pinzon, Dunas, Aldeota, Varjota, Papicu e Cidade 2000. A expectativa é que, no pico da obra, sejam gerados cerca de 550 empregos diretos e indiretos.

A usina terá linhas adutoras de água tratada que entregarão os volumes produzidos nos reservatórios do Morro Santa Terezinha e da Aldeota. O acesso principal à área do empreendimento será feito pela rua Francisco F. Di Ângelo e Avenida Dioguinho.

O empreendimento captará água do mar a uma distância de 2,5 mil metros da costa e 14 metros de profundidade.
O projeto é arrojado e os estudos técnicos e ambientais devem levar até 18 meses para serem concluídos.

Ganho social

“Essa obra agrega muito ao portfólio da Marquise Infraestrutura pois é a maior planta desse tipo no País. Além disso, há o ganho social, pois o Ceará vive uma crise hídrica histórica e essa Usina vai minimizar esse problema que afeta tantas pessoas em Fortaleza”, afirma Renan Carvalho, diretor da Marquise Infraestrutura.

Expertise

O governador Camilo Santana reforçou solenidade, da importância que sua gestão dá para a questão hídrica, no sentido de evitar que a população sofra com algum tipo de desabastecimento ou racionamento de água e, por isso, junto com a Cagece e várias outras pastas, uniu forças para que o projeto saísse do papel.

O governador lembrou ainda que o Grupo Marquise, líder da empresa Águas de Fortaleza, já tem expertise em projetos pioneiros, considerando que a empresa é detentora da GNR Fortaleza – a primeira usina de tratamento do biogás do Norte e Nordeste.

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