Economia

Centros de distribuição vão gerar empregos e melhorar qualidade do varejo no Ceará

Localização estratégica é um dos principais trunfos do Ceará para a atração desses empreendimentos, que estão sendo negociados pelo Governo do Estado com grandes players nacionais e internacionais

A Amazon já está construindo um centro de distribuição na Região Metropolitana de Fortaleza (Foto: Divulgação)

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

Para uma carga ser despachada em Fortaleza e chegar às demais capitais do Nordeste, por via terrestre, precisa percorrer distâncias que vão de 530 km (até Natal) a 1.182 km (até Salvador), em intervalos de tempo que variam de 8 horas a 17 horas. Em termos logísticos, trata-se de um prazo competitivo, considerando os custos de transporte e a qualidade das rodovias de acesso. Essa localização estratégica é um dos principais fatores que estão atraindo a chegada de grandes empresas de varejo ao Ceará e, mais do que isso, motivando essas companhias a construir centros de distribuição (CDs) de mercadorias na Região Metropolitana de Fortaleza.

A Amazon é a que está em processo mais adiantado – com a construção em andamento, no Quarto Anel Viário, e iniciado o processo de contratação de profissionais –, mas outras companhias estão em negociação com o Governo do Estado, a exemplo de Americanas (do Grupo B2W), Magalu, Mercado Livre e Zenir. Por serem tratativas bastante complexas, não há prazo definido para a assinatura dos contratos nem para o início das obras. Mas é certo que esses empreendimentos vão ajudar muito a dinamizar a economia cearense.

“Teremos uma gama de oportunidades bem interessantes para os cearenses, tanto do ponto de vista de empregos, quanto da cadeia produtiva. Esses centros de distribuição demandam profissionais mais qualificados e melhor remunerados. Existe todo um volume que pode vir, a partir dessas instalações, que atende não só ao nosso Estado, como localidades vizinhas, podendo beneficiar empresas de importação e ampliando a arrecadação e riquezas que vão passar pela nossa região. Nosso carro-chefe é acompanhar a tendência mundial, de transformar a logística em um dos vetores do desenvolvimento”, explica Júlio Cavalcante Neto, secretário-executivo de comércio, serviços e inovação, da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (Sedet).

“O Ceará está em uma posição estratégica, do ponto de vista logístico, e não é à toa que o Porto de Roterdã, na Holanda, se tornou parceiro do Porto do Pecém, e que a Fraport, uma das maiores administradoras de aeroportos do mundo, investe no Aeroporto de Fortaleza. Além disso, por sua localização em relação à Ásia, por meio do Canal do Panamá, e em relação aos Estados Unidos e à Europa, o Ceará é um hub natural de conectividade”, reforça.

Emprego

A geração de empregos é o benefício mais imediato a ser percebido, quando esses CDs estiverem em funcionamento. “A distribuição de mercadorias é importante, porque gera mão de obra local. Nesses centros de distribuição, há uma parte dos processos que é automatizada, mas uma parte é manual. Com isso, se cria a movimentação logística no Estado, fortalecendo não só o recebimento de mercadorias, como a distribuição delas, gerando emprego e potencializando a arrecadação de tributos, visto que vai ocorrer uma movimentação maior de cargas no Estado”, observa o economista Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

Para as empresas que estarão em operação no Ceará, também há muitas vantagens, explica Rômulo Holanda de Oliveira Lemos, analista de exportação e logística da Frota Aduaneira Ltda. “Essas companhias terão redução do tempo de entrega, melhoria do atendimento ao cliente e redução nos custos operacionais. O Brasil é um país continental e com múltiplas particularidades. Esse é o grande desafio. Quando se tem uma venda que atenda esses requisitos iniciais, a possibilidade de o cliente retornar com uma nova compra é muito grande”, explica.

“Outras empresas podem complementar essa estrutura, principalmente ligadas ao Complexo do Pecém, ou seja, com as mudanças em relação à Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e na legislação, as empresas poderão produzir com os mesmos benefícios e comercializar no mercado interno, gerando a possibilidade de atração de novos negócios, ampliando as cadeias produtivas, como já ocorre na siderurgia, que  atrai plantas industriais complementares”, completa Ricardo Coimbra.

Infraestrutura diferenciada do Estado é principal atrativo

Como o grande objetivo das empresas é a redução de custos, a proximidade com os consumidores finais, a partir do Ceará, tem o potencial inclusive de superar eventuais limitações dos incentivos fiscais e, ainda assim, criar condições favoráveis para as companhias varejistas se instalarem no Estado.

“Em razão das mudanças em relação à diminuição da chamada guerra fiscal, o espaço de negociação fiscal dos estados está cada vez menor. O que o Ceará vem fazendo é mostrar a essas empresas a existência de uma cadeia e o fortalecimento da infraestrutura, que potencializa a redução de custos para o setor de atividade”, observa Ricardo Coimbra.

Nesse sentido, ganha força o fato de o Ceará possuir certos diferenciais, como a alta conectividade de cabos de fibra ótica – vindos de outros continentes –, estar bem servido de vias de acesso e ter uma política de formação de mão de obra.

“Nossa educação é destaque nacional, desde o ensino fundamental até o superior, preparando profissionais qualificados, o que é fundamental para qualquer negócio que seja atraído”, observa  Júlio Cavalcante Neto, secretário-executivo de comércio, serviços e inovação, da Sedet.

“Obras como essas têm um grande impacto logístico e econômico, pois vão possibilitar ao cliente receber sua mercadoria com mais agilidade e em um prazo ainda melhor. O cliente ganha, os vendedores ganham, o comércio eletrônico é estimulado, ou seja, os benefícios são múltiplos”, reforça Rômulo Holanda de Oliveira Lemos, analista de exportação e logística da Frota Aduaneira Ltda.

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