Economia

Ceará tem recorde histórico de R$ 1,64 bilhão em financiamentos imobiliários

Nos primeiros seis meses do ano, a alta foi de 169% em relação ao mesmo período de 2020. Em termos nacionais, financiamento também alcança recorde, de R$ 97 bilhões, de janeiro a junho

Foram negociadas no Ceará, entre janeiro e junho, 7.914 unidades – uma alta de 204,97%, na comparação com o mesmo semestre de 2020 (Foto: Divulgação).

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

O financiamento imobiliário no Estado do Ceará alcançou um recorde histórico no primeiro semestre de 2021, com um total de R$ 1,64 bilhão em negociações, de acordo com informações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). A variação, em relação aos seis primeiros meses de 2020, foi de 169%  – a 3ª maior do Brasil neste ano, atrás apenas de Rio Grande do Norte (193%) e Pará (184%), e acima até de São Paulo, maior mercado consumidor do país (que apresentou variação de 128%).

No total, foram negociadas no Ceará, entre janeiro e junho, 7.914 unidades habitacionais – uma alta expressiva, de 204,97%, na comparação com o mesmo semestre de 2020, quando houve a venda de 2.595 unidades.

“Ter esses montantes disponíveis no mercado para o financiamento imobiliário é fundamental para a construção civil, uma vez que a maioria das pessoas não consegue comprar um imóvel à vista. Normalmente, é necessário financiar em 20 ou 30 anos para poderem realizar o sonho da casa própria”, observa Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE).

Em termos nacionais, os financiamentos imobiliários também alcançaram uma alta histórica, com um total de R$ 97 bilhões, nos seis primeiros meses do ano – um crescimento de 124% na comparação com o mesmo período de 2020 (R$ 43,4 bilhões).

“O ano passado já foi de recordes, terminamos dezembro com R$ 124 bilhões financiados, um crescimento de 58% em relação a 2019, e o que verificamos em junho é que terminamos o semestre com um crescimento muito expressivo, na comparação com o ano passado”, avalia Cristiane Portella, presidente da Abecip.

Mês a mês
Neste ano, março foi o mês em que mais unidades habitacionais foram negociadas no Ceará, com um total de 1.552 unidades e R$ 307,07 milhões financiados. No entanto, o mês de junho foi o que teve o maior valor financiado em 2021 no Estado: R$ 309,1 milhões, com 1.357 unidades vendidas.

No primeiro trimestre deste ano, quando houve algumas restrições às atividades econômicas, foram financiadas 3.865 unidades habitacionais. No segundo trimestre, com a reabertura dos setores, o número aumentou em 4,76%, com um total de 4.049 unidades financiadas entre abril e junho.

Brasil
De acordo com a Abecip, o volume de negociação de crédito com recursos de poupança em todo o Brasil já representa 20% a mais de tudo que foi negociado em 2019, quando a Selic ainda estava acima dos 6%. A inadimplência teve uma leve alta em relação a 2020, saindo de 1,6% dos contratos para 1,8%. “Mas isso não é um fator de preocupação para este momento, porque estamos monitorando esse índice e estão ocorrendo muitas renegociações de dívidas”, observou Cristiane Portella.

A alta nas taxas de juros, promovida nos últimos meses pelo Banco Central, não devem atrapalhar os resultados deste ano, afirma Cristiane Portella, presidente da Abecip. A entidade acompanha a previsão do mercado financeiro, que prevê uma taxa Selic de 6,75% e um IPCA de 6,31% até o final de 2021. “Um juro abaixo de 8% cabe no bolso do consumidor e não chega nem perto do pico registrado em 2017, quando as taxas de juros alcançaram quase 11,5%”, defende Cristiane Portella. “Nossa expectativa é que os números continuem crescendo, ao longo deste ano, pois vários indicadores estão apontando índices positivos, como os Índices de Confiança da Indústria, dos Serviços, do Consumidor e da própria Construção, todos com tendência de alta e superando, no geral, os percentuais do ano passado. Esses Índices de Confiança são muito importantes, porque estamos falando de aquisições a longo prazo, e o consumidor, ao assumir uma dívida de financiamento, precisa ter confiança e boas expectativas no cenário econômico”, reforça a presidente da Abecip.

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