Economia

MEIs: 81 mil pessoas decidiram empreender no Ceará desde o começo da pandemia, avanço de 25,6%

Total de MEIs saltou de 316.450 em abril de 2020 - primeiro mês completo da crise sanitária - para 397.522 em setembro deste ano, segundo dados do Portal do Empreendedor. Pandemia potencializou abertura dessas empresas em todo o País

Diversas empresas surgiram como alternativa de fonte de renda durante a pandemia (Foto: Louis Hansel/Unsplash)

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

A quantidade de microempreendedores individuais (MEIs) cresceu 25,61% no Ceará desde o início da pandemia de covid-19 no Brasil. O total passou de 316.450 no fim de abril de 2020 – primeiro mês completo da crise sanitária que começou em meados de março – para 397.522 no fim de setembro deste ano, segundo dados do Portal do Empreendedor, do governo federal. Foram 81.072 formalizações no período, avanço considerável que ocorreu mesmo em meio aos lockdowns e às restrições das atividades econômicas.

Alice Mesquita, secretária-executiva da diretoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae-CE), explica que o ambiente econômico desafiador imposto pela pandemia potencializou o crescimento do número de MEIs, que já vinha crescendo acima das demais categorias nos últimos anos.

“Muitas empresas surgiram em substituição ao emprego formal. As pessoas precisavam continuar com uma fonte de renda, porém, muitos aproveitaram a oportunidade incluindo novos modelos de negócios, como o comércio eletrônico e os negócios digitais. As empresas prestadoras de serviços, de manutenção e entrega também foram muito solicitadas nesse período”, observa.

O economista Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), lembra que a ampliação dos índices de desemprego durante a crise sanitária foi o maior impulsionador desse aumento de MEIs no Estado e no Brasil como um todo. “As pessoas precisam sobreviver e e manter seu núcleo familiar. Por isso, buscam o empreendedorismo como alternativa de fonte de renda. Na maioria das vezes, procuram criar ou desenvolver algum empreendimento a partir daquilo que elas já têm como potencialidade e começam a atuar nesse segmento, seja na comercialização de produtos ou na geração de algum tipo de serviço”, afirma.

Ampliação

Com o foco voltado ao empreendedorismo, o cearense não apenas abriu as portas de novos negócios, mas investiu naqueles que já estavam abertos, diz a economista Desirée Mota, membro do Corecon-CE. “Eles passaram a observar que também poderiam ampliar seu negócio, por meio da inovação e da transformação digital, que trouxeram novas possibilidades para esses empreendedores”, destaca.

“Muitos passaram a ver que não precisariam ter espaços físicos próprios para manter a empresa. Bastava alugar um coworking, por exemplo, ou adaptar o espaço dentro da própria residência, para desenvolver atividades de comércio e serviços, ligados principalmente à venda de produtos, alimentação, roupas, vestuário, pois isso minimiza os custos”, ressalta.

No entanto, não basta investir sem planejamento. Ela orienta que o empreendedor elabore um bom plano de negócios para a empresa ter longevidade. “Ele precisa ter uma boa noção de como é o mercado em que vai atuar, quem são seus clientes, fornecedores e concorrentes, de forma a poder usar o marketing a seu favor. Além disso, não pode esquecer de fazer uma planilha detalhada com as receitas e despesas, para analisar sua lucratividade”, explica a economista.

“A sustentabilidade dos negócios depende muito da preparação do empreendedor. Um dos pontos básicos para a gestão é evitar misturar os recursos da empresa com as finanças pessoais. Entender o mercado, a demanda e as necessidades dos clientes são pontos fundamentais para o funcionamento do negócio, ao longo do tempo”, reforça Ricardo Coimbra.

Setor de alimentação avança 184,2% entre microempreendedores individuais

De acordo com Alice Mesquita, o setor de alimentação foi um dos que mais apresentaram oportunidades para novos microempreendedores individuais no Brasil, desde o início deste ano. “Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos detectou que o setor de alimentação cresceu 184,2% no primeiro trimestre de 2021. Surgiram novas formas de consumo com o aparecimento de vários aplicativos de pedidos de entrega, o que impulsionou o mercado de alimentação fora do lar, por apresentar agilidade para pedidos e entregas”, diz.

No entanto, outros segmentos merecem destaque nessa expansão, como é o caso do mercado digital, das empresas de serviços domésticos em geral (incluindo manutenção predial, manutenção de equipamentos eletroeletrônicos, dentre outros). Alice ressalta que a nova legislação, que aumenta o faturamento do MEI para R$ 130 mil anuais para que ele se enquadre nessa categoria, pode trazer muitos benefícios para a economia local.

“Com essa nova perspectiva, o MEI poderá aumentar o investimento em produtos e insumos, haverá crescimento no número de postos de trabalho, com a geração de empregos diretos, além de proporcionar uma redução do desemprego. Poderá influenciar, inclusive, na formalização de novos empreendedores que não se encaixavam na categoria de MEI”, destaca a secretária-executiva da diretoria do Sebrae-CE.

“Na medida em que se estabelecem essas facilidades para novos entrantes no mercado, são geradas perspectivas positivas e do surgimento até de médios empreendedores, com novos negócios para fortalecer o conjunto das atividades econômicas do Estado”, complementa Ricardo Coimbra, presidente do Corecon-CE.

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