Economia

Ceará avança na atração de empresas que querem investir no Hub de Hidrogênio Verde

Empreendimento que será instalado no Complexo do Pecém promete transformar a economia do Estado nos próximos anos. Governo negocia construção de usinas com 16 empresas, sendo que nove já assinaram protocolos de intenção

Evento para discutir a produção de hidrogênio verde no Ceará foi realizado ontem em Fortaleza (Foto: Divulgação)

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

Um vetor energético, com capacidade para transformar a economia cearense, com 16 plantas industriais de grande porte interessadas até o momento. Destas, nove já foram confirmadas e, até o fim deste mês, mais sete devem firmar acordo. Com base em estimativas baseadas nos contratos já assinados pelo Governo do Estado, há potencial para movimentar mais de US$ 10 bilhões e gerar no mínimo 10 mil empregos diretos e indiretos nos próximos anos.

É desta forma promissora que o Hub de Hidrogênio Verde (H2V), em implantação no Complexo do Pecém, tem sido tratado por analistas, especialistas e autoridades do setor, alguns reunidos no “Seminário Internacional Hidrogênio Verde no Ceará: as vantagens competitivas do Ceará para a implantação do Hub de Hidrogênio Verde”, realizado ontem no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

Já fazem parte do hub no Ceará as companhias australianas Energix Energy e Fortscue, a francesa Qair, além de White Martins, Neoenergia, Diferencial Energia, Eneva, H2Helium e Hytron. De acordo com Maia Júnior, titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), até o fim deste mês, mais nove acordos devem ser assinados pelo governador Camilo Santana, ampliando para 16 participantes.

“Além dos nove protocolos já acertados, mais um deve ser assinado nesta semana, dois serão assinados no fim do mês, em um evento que o governador vai participar, no exterior, e mais quatro estão em negociações, totalizando 16 empresas que estão acreditando na governança do Estado, um fator extremamente importante para o nosso desenvolvimento”, diz o secretário.

De acordo com o governador Camilo Santana, o Hub de Hidrogênio Verde tem a capacidade estimada de produzir até 40 mil MW (megawatts) até 2050, sendo que a primeira planta-piloto está prevista para operar em 2022. “O hub vai ajudar na redução da pobreza e da desigualdade em nosso Estado. Essa estratégia representa uma grande oportunidade para o futuro do Ceará e do Nordeste”, afirma.

“Estamos reunindo todos os setores envolvidos para aproveitar o potencial que o Ceará tem, com infraestrutura, condições de sol e vento. Estamos na esquina do Atlântico, com a possibilidade de abastecer principalmente a Europa, que é o grande mercado do hidrogênio verde, devido às dificuldades de produzir energia renovável”, analisa.

Transformação econômica

Bruno Iughetti, consultor da área de Petróleo e Energia, ressalta que o potencial de investimentos trazido pelo hub será fundamental para a economia cearense nas próximas décadas. “Os memorandos de operação e os das empresas com interesse de investir vão somar mais de R$ 10 bilhões de investimentos a serem aplicados em área específica no Complexo do Pecém. Um dos maiores benefícios será a atração de investimentos, tornando o Ceará um fornecedor global desse tipo de energia e ainda contribuindo para a descarbonização do meio ambiente”, observa.

Durante o seminário no Centro de Eventos, Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), destacou o potencial transformador para a economia cearense do Hidrogênio Verde. “A Fiec completou 70 anos no ano passado e com o Hub de Hidrogênio Verde teremos um crescimento, nos próximos dez anos, que não tivemos nas últimas sete décadas. A Fiec tem discutindo diariamente com o governo e as universidades para dar andamento no projeto. Esse é um momento disruptivo para a nossa economia, que vai reverberar não só no nosso Estado, mas em todo o mundo”, destaca.

“O Ceará está se posicionando do lado daqueles que querem produzir tecnologia, que querem inovar, investir e empreender. E esse é o sentimento que deve prevalecer, para os setores produtivos e as universidades, nesse projeto. As universidades cearenses estão mobilizadas e preparadas para ajudar nesse processo. Temos capacidade e conhecimento técnico para seguir, com a mesma condição de produção tecnológica dos grandes centros. Com essa implementação, teremos uma mudança no perfil socioeconômico do Estado do Ceará”, acredita Cândido Albuquerque, reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Queda nos custos de produção vai favorecer empreendimento cearense

De acordo com João Guillaumon, sócio da consultoria McKinsey & Co., a redução de custos será um dos fatores a impulsionar a produção do Hidrogênio Verde no Ceará.

“Nos próximos dez anos, ou em menos tempo, haverá uma queda do custo de produção do hidrogênio verde da ordem de 60%, globalmente. Até o fim desta década, ele será mais barato que o hidrogênio cinza (produzido a partir de combustíveis fósseis). Nesse contexto, o Brasil estará entre os países mais competitivos para a produção de hidrogênio verde e o Ceará tem um potencial enorme, em virtude da grande possibilidade de geração de energia eólica e solar”, diz.

Jurandir Picanço, consultor de energia da Fiec e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará, reforça que a instalação do hub é uma oportunidade especial para o Ceará.

“Conforme estudos da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), o Estado tem potencial de geração de energia fotovoltaica de 643 GW, e de energia eólica em 94 GW em modo onshore (em terra) e 117 GW offshore (no mar), com um potencial híbrido de 137 GW”, informa.

Segundo a pesquisa “Scaling Up”, do Hydrogen Council, até 2050 o hidrogênio vai representar 18% da energia consumida no mundo. E a projeção é que anualmente o combustível contribua para uma redução de 6 Gt de gases poluentes, gerando US$ 2,5 trilhões em riquezas e empregando cerca de 30 milhões de pessoas em todo o planeta.

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