Economia

Ceará apresenta avaliação do plano de retomada da economia

Foto: Sefaz/CE

O Ceará vem colhendo os frutos das ações implementadas pelo governo para reduzir os impactos causados pelo novo coronavírus desde março de 2020. Não à toca, de janeiro a abril deste ano, o Estado arrecadou R$ 10,44 bilhões, avanço de 19,4%, segundo dados da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Só em abril deste ano, foram R$ 2,57 bilhões, 31,4% a mais que o valor observado em igual mês de 2021. Parte do caminho para chegar a esses números foi apresentada durante o seminário “Dois anos do Plano de Retomada das Atividades Econômicas e Comportamentais”, nessa quinta-feira (23), no auditório da Sefaz.

Presente ao evento o economista e deputado Mauro Benevides disse que o Ceará precisou adotar decisões para que a a atividade econômica não fosse tão afetada. “Se olharmos os dados, o Ceará se projetou nacionalmente por causa da sua capacidade de investir e assim findamos 2021 com recorde de investimentos de R$ 3,5 bilhões, valor expressivo para qualquer Estado do Nordeste”, disse.

Ao se manifestar, a secretária da Sefaz-CE, Fernanda Pacobahyba, criticou o PLP 18/22, que limita alíquotas sobre combustível e energia. “É o maior golpe na Federação”, disse ao mostrar que o Ceará terá, pelo menos, menos R$ 2,1 bi nos primeiros seis meses. “Se tem um Estado que pode dizer ter a melhor gestão é o Ceará. 80% da educação, 85% da saúde do país é bancada por estados e municípios. Sobre o ICMS, é preciso trazer a Petrobras para o debate. Existem alternativas que podem ser implementadas”, destacou.

Pacobahyba lembrou os piores momentos vivenciados em razão da pandemia, como a dificuldade em comprar insumos da China e a baixa arrecadação no mês de maio de 2020, com redução de 46%. Depois, destacou as medidas adotadas, como a adoção dos Refis para o parcelamento de dívidas. Segundo ela, 64,3 mi contribuintes foram atendidos e R$ 47 milhões foram investidos.

Outro convidado para participar do evento foi o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), Maia Júnior, que apresentou as fases do programa Ceará Veloz. “O desafio era recuperar e dar outro equilíbrio à economia cearense”, disse ao lembrar que o programa beneficiou 36 mil pessoas com investimento de
R$ 75,81 mil.

“O Ceará tem todas as condições de até 2050 estar em uma situação muito melhor, pois é um Estado que se compromete com taxa zero de carbono. Isso é uma mudança radical. Queremos ser protagonistas de energia limpa. Propusemos a transição energética, avanços na tecnologia e inovação foi o que propusemos há dois anos quando corrigimos os números do Estado impactados pela pandemia”.

João Mário, diretor do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), destacou os dados do PIB de 2020 e 2021, com foco no setor de serviços, que representa 77% do PIB do Ceará e fatores que ajudaram na recuperação econômica, sendo o 5º estado do País que mais investiu, com um volume de R$ 18 bi entre 2015 e 2020.

Entre os desafios para a redução da pobreza, citou os investimentos em educação e a saúde fiscal do Estado. “Não existe mais diferença significativa de acesso entre pobres e não pobres na educação. Há maior proporção de jovens pobres frequentando a escola. Esse é o papel do Estado, dar acesso à educação e reduzir as desigualdades”.

Flávio Ataliba, coordenador do Plano de Retomada e secretário executivo do Planejamento e Orçamento da Seplag, lembrou que a pandemia trouxe muitas lições. “São aprendizados que servem para nos auxiliar e pensar no futuro. Se olharmos o terceiro trimestre de 2020 e 2022, a economia cearense cresceu 24% e o Brasil, 14%. Isso foi devido ao plano de retomada, mas não foi só isso. O Estado só foi capaz de entregar tudo, como respiradores, ampliação dos serviços de saúde, porque tinha recursos em razão da sua estrutura fiscal”, lembrou.

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