Economia

Avanço no preço dos combustíveis amplia debate sobre a privatização da Petrobras

Prioridade do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, possível venda da estatal divide opinião entre especialistas sobre queda no preço dos combustíveis. Caso ocorra, mercado diz que privatização precisa ampliar a concorrência no setor

Para o mercado, privatização da Petrobras poderia aumentar frequência de reajustes nos preços (Foto: Agência Brasil)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

O aumento do preço dos combustíveis no Brasil, que vem pesando no bolso do consumidor, traz novamente à tona a discussão sobre a possível privatização da Petrobras. Na última quinta-feira (12), tão logo tomou posse do cargo, o primeiro ato do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, entregou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, um pedido para que sejam feitos estudos para vender a empresa, além da PPSA, estatal do pré-sal. Ele assumiu o ministério no lugar do almirante Bento Albuquerque.

A troca no comando da pasta de Minas e energia, e o pedido de estudo visando a privatização da Petrobras, ocorrem num momento em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, que tentará a reeleição neste ano, sofre críticas em razão dos seguidos aumentos nos preços dos combustíveis promovidos pela Petrobras.

Mas, nesse contexto, quais seriam os benefícios da privatização da Petrobras para o consumidor? A venda da empresa resolveria o problema do preço dos combustíveis no País? O tema divide opiniões no mercado.

“A privatização traria benefícios ao consumidor final, aumentando a concorrência no setor. Mas a empresa não deveria ser privatizada como um todo, pois assim o monopólio apenas mudaria de mão. Seria mais sensato fatiar a companhia por áreas de atuação. Ou seja, produção e exploração de petróleo seria uma empresa, a parte de distribuição, outra, e a área de refino seria uma terceira empresa”, diz  Bruno Iughetti, consultor na área de petróleo e energia.

Para ele, o mais importante no processo de venda da estatal é movimentar a concorrência. “Hoje, a empresa tem praticamente 90% do refino no Brasil e já está testado de que a saída seria a privatização, pois a Petrobras não tem liberdade de acionar as suas competências de concorrência porque está amarrada aos cordões de uma estatal”, reforça.

Valor

Atualmente, o preço cobrado pela Petrobras representa 38% do valor médio de venda da gasolina pelos postos brasileiros. No diesel, que tem menos impostos, a estatal fica com 63% do valor de cada litro nas bombas.
Mesmo com os constantes aumentos, a Petrobras tem operado com defasagens elevadas, fruto de uma estratégia de espaçar mais os anúncios de reajustes após a gestão de Roberto Castello Branco, o primeiro presidente da Petrobras sob Bolsonaro, demitido em fevereiro de 2020.

“Apesar da blindagem, a intervenção ainda ocorre no comando da companhia”, diz Luiz Carlos Corrêa, sócio da Nexgen Capital, lembrando das trocas no comando motivadas por insatisfação do governo com os reajustes.

Exemplo

Para o mercado, a privatização poderia aumentar a frequência de reajustes, para cima ou para baixo, como mostra o primeiro exemplo de refinaria privatizada no País, a de Mataripe, na Bahia, que opera com maior aderência às cotações internacionais do que a Petrobras.

Controlada pelo fundo árabe Mubadala, a refinaria vende hoje gasolina a um valor 16% superior à média cobrada pelas refinarias da Petrobras, segundo o Observatório Social da Petrobras. O diesel de Mataripe custa em média 9,6% a mais do que o vendido pela estatal

“O processo de privatização é burocrático e demanda tempo. Mesmo que se inicie agora, não vai ser rápido. Precisa ser muito criterioso”, afirma Davi Azim, economista e membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE). (Com Folhapress)

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