Economia

Segurança dos dados: 61% dos brasileiros possuem até cinco senhas para evitar golpes

À medida que facilitam transações no País, as tecnologias ligadas ao sistema financeiro também despertam a atenção de golpistas. Pesquisa da Panorama Mobile Time/Opinion Box mostra como o brasileiro toma conta de seus dados pessoais

De acordo com o levantamento, 17% dos brasileiros já foram vítimas de golpes virtuais (Foto: Divulgação)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

A tecnologia facilita muito a vida das pessoas. Por meio dela, hoje é possível efetuar pagamentos, realizar transferências, entre outras muitas facilidades. Quase tudo pode ser feito com o celular na mão e alguns cliques. Com a biometria, por exemplo, a facilidade e a segurança são ainda maiores, uma vez que o sistema é usado para fins de identificação de um indivíduo como portador de características únicas.

Por outro lado, o crescimento da tecnologia principalmente no sistema financeiro, a exemplo do Pix e aplicativos bancários, também fez aumentar as estatísticas de fraudes virtuais no País. Isso tem deixado o brasileiro mais atento quanto a possíveis golpes: 61% possuem senhas diferentes para serviços digitais; 24% têm mais de seis; e 15% adotam até dez senhas diferentes.

Os dados são da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box – Senhas e Biometria no Brasil. O levantamento ouviu 2.096 brasileiros que acessam a internet e possuem smartphone. Do total de entrevistados, 59% disseram que guardam a senha na memória, enquanto 27% ainda anotam em papeis.

O autônomo Raimundo Alves, 62 anos, já foi vítima de golpe virtual no mês passado, após comprar no aplicativo de uma loja online. Ele soube da fraude por meio do aplicativo do banco, que utiliza por meio de biometria facial. Aproveitou a situação para trocar e modificar todas as senhas. “Foi uma surpresa. Imediatamente, cancelei a compra pelo aplicativo e o cartão também. Recebi outro, uma semana depois. Não faço ideia de como isso ocorreu, mas agora dobrarei a segurança com relação à minha senha”, diz.

Fraudes

Segundo a pesquisa, 17% dos entrevistados, por exemplo, já tiveram dados pessoais utilizados em fraudes na internet. Ainda assim, 39% deles apontam a leitura de digital como o meio de autenticação mais fácil e confortável no smartphone, sendo o setor bancário o que tem maior confiança dos brasileiros na gestão de seus dados pessoais.  “Considero confiável a leitura digital, principalmente por causa da praticidade. Mas nem tudo o que é prático é melhor. Não deixarei de usar, mas ficarei mais atento”, destaca Raimundo Alves.

Para Milton Pyles, especialista em seguro cibernético, com o avanço da tecnologia, fenômeno promissor e sem volta, o outro lado também cresceu, o das ameaças. “Pessoas mal intencionadas buscam essas brechas dentro do sistema digital para cometer ataques cibernéticos. Os consumidores devem manter as senhas atualizadas, alternado periodicamente e não ter senhas salvas em arquivos dentro do smartphone ou em papeis na bolsa, por exemplo. É importante tentar, sempre que possível, atualizar. São muitas senhas, mas é preciso agir assim para ter essa proteção”, orienta.

Segurança

De acordo com o estudo, 31% dos brasileiros confiam mais na leitura de digital do que nas senhas (19%) ou no reconhecimento facial (17%). Dos que têm smartphone, 22% dizem que a preocupação com suas senhas aumentou muito nos últimos 12 meses e 23% afirmam que aumentou pouco.

Para outros 45%, a preocupação é a mesma. E uma minoria de 10% declaram que sua preocupação com senhas diminuiu um pouco (4%) ou muito (6%). A prática de utilizar datas de nascimentos como senhas tem reduzido. Atualmente, 72% não utilizam mais essa estratégia, enquanto 28% ainda usam.

Popularidade

A biometria tem ganhado adesão de muitos brasileiros. O estudo revela que, no último ano, subiu de 20% para 29% a proporção de pessoas com smartphone que já experimentaram o reconhecimento facial como meio de acesso a serviços digitais. Além disso, 47% desbloqueiam seu celular com leitura de digital e 34% optam por senha.

Nesse contexto de ampliação do uso da tecnologia, 45% dos brasileiros utilizam leitura digital para se autenticar em algum serviço digital no smartphone, 29% usam reconhecimento facial, 5% reconhecimento de voz e o mesmo índice para escaneamento de íris.

Mercado de segurança da informação prevê avanço de 12,5% neste ano no Brasil

Os serviços bancários têm se mostrado como os mais confiáveis por parte dos brasileiros. De acordo com a pesquisa da Panorama Mobile Time/Opinion Box, 55% dos entrevistados deram notas 4 ou 5 para seu grau de confiança na gestão que as instituições financeiras fazem de seus dados, numa escala de 1 a 5. As redes sociais, por sua vez, são o segmento de menos confiança: 38% deram notas 1 ou 2 para elas.

A segurança da informação nesse cenário passa a ser fundamental. A International Data Corporation (IDC) prevê um crescimento de 12,5% dos gastos com soluções de segurança (hardware e software) da informação para o mercado brasileiro em 2021, na comparação com 2020. A estimativa é que os investimentos nessa área ultrapassem US$ 900 milhões no Brasil até o fim deste ano. Para o economista Davi Azim, oferecer segurança ao usuário é fundamental para o avanço desse mercado, cada vez mais em evidência no País.

“Na medida em que os instrumentos tecnológicos por meio da internet vão evoluindo, vai sendo necessário que a segurança dos dados dos indivíduos sejam bem protegidos. Se formos pensar em relação às transações comerciais bancárias, é preciso ter essa segurança ainda mais. O mercado vem evoluindo ao passo que se intensifica a mudança de paradigma, com a passagem dos serviços físicos para os virtuais. Com a digitalização da economia, é necessário que o mercado da segurança da informação invista ainda mais em técnicas que permitam trazer proteção aos agentes econômicos, pois isso é um fator preponderante para a confiabilidade do usuário”, reforça.

 

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